Moon Child
4 Victor
Notas iniciais
Tenho mais leitoras *YESSS* Obrigada a vcs q estão lendo, comentando ou n, é bom saber que tem gente acompanhando.
Espero que gostem do capítulo
Beeeijos
Caminhou até a porta arrastando os pés, tinha passado metade da noite acordado. O apartamento estava silencioso e era possível ouvir os sons da rua bem distantes, quase como uma leve brisa de urbanidade. Nessas horas ficava grato por não morar em uma cidade muito grande, ao menos de manhã era possível ter um pouco de sossego.
Victor abriu a porta e pegou o jornal, a vizinha da frente estava saindo com o pequeno cachorro Shitzu para passear.
- Bom dia Vic! – a Sra. Stratford era uma mulher de trinta e poucos anos, de olhos pequenos e cabelos curtos e escuros.
- Bom dia Alice. – Vic piscou algumas vezes, os olhos ainda pareciam querer se fechar.
- É verdade o que está nos jornais? A pobrezinha da Laila...?
- Hã? – o pensamento ainda estava ligando na tomada.
- Laila nos jornais, o assassinato na livraria...?
O moreno piscou mais duas vezes e só então se deu conta.
- O QUÊ? – Victor desdobrou o jornal rapidamente e na manchete da frente se encontrava uma foto da livraria Mullins. “ASSASSINOS ATACAM NOVAMENTE”. Vic soltou um suspiro e passou a mão rosto. – Ah puta que pariu!
- Então isso é mesmo verdade Vic? – O moreno agitou a cabeça levemente.
- Preciso entrar Alice, me desculpe.
Fechou a porta e ficou um instante lendo o que o jornal havia publicado.
Na madrugada de ontem à noite (15), outra vítima dos Assassinos Poéticos foi feita. O balconista Bruce Stone Jackson, 21, antigo funcionário da velha e bem conhecida “Livros Mullins”, foi cruelmente assassinado com um corte profundo na jugular. Como já é marca registrada dos criminosos, uma frase foi gravada no peito da vítima.
A gangue de não costuma deixar pistas, mas dessa vez uma testemunha passou despercebida pelos criminosos. A estudante Laila Campbell, 23, conseguiu presenciar a ação dos criminosos e agora é a chave que a polícia tem para encontrar a gangue tão perigosa que está assombrando Reno. Confira uma matéria especial com os padrões, frases, vítimas e suspeitas a respeito dos Assassinos Poéticos na página 4.
- SEUS IDIOTAS!!! – Victor gritou com o jornal, amassando-o e o jogando para longe. – Deram o nome dela para os criminosos! Puta que pariu!
Uma criatura ruiva e descabelada apareceu na sala coçando os olhos. O papel embolado estava no chão, ela apenas o pegou e olhou confusa para o amigo.
- Que crueldade com o jornal, por que fez isso?
- Abre na primeira página e dá uma olhada. – O moreno caminhou impaciente até a cozinha e encheu a cafeteira com pó de café.
Laila passou os olhos rapidamente pela manchete e os arregalou quando encontrou seu nome.
- OH! ELES DIVULGARAM MEU NOME!
- Merda de jornalistas do interior, será que eles não se dão conta que divulgando o seu nome eles dão o doce na boca dos bandidos?
- Não insulta, daqui a alguns anos também vou ser uma jornalista do interior!
Laila olhou para o papel novamente sentiu um tremor terrível percorrendo seu corpo, ainda podia ouvir os sons de Bruce sendo atacado, e se eles vierem atrás dela?
- Precisamos fazer alguma coisa Vic!
Victor reapareceu na sala com duas xícaras grandes de café, entregou uma para Laila e deu um gole na outra. Ainda usava as calças de moletom da noite anterior.
- Acho que devemos ir até a polícia, pedir alguma proteção pra você, sei lá.
A ideia de andar com um gigante armado atrás de si fez Laila fazer uma pequena careta.
- Não acho que isso possa dar certo.
- Esses caras precisam ser presos e você é um alvo muito fácil Laila.
- Vamos falar com o Tom.
- Tom Mullins? O que aquele cara pode fazer por você? Dar com um livro poeirento na sua cabeça?
- Ele também é um alvo e conhecia Bruce. Não custa tentar. – A ruiva mordeu de leve o lábio, no fundo ela só queria perguntar a ele sobre a criança da lua, talvez ele tivesse algum livro que pudesse esclarecer algo.
Vic pensou por um breve instante.
- Tudo bem, vamos começar por ele, mas depois nós vamos até a polícia.
O amigo terminou o café e foi tomar banho, era sábado e nem ele trabalhava nem ela tinha aula, tinham tempo para procurar por respostas.
Laila abriu o jornal na página da reportagem especial, passou os olhos pelas imagens e no canto da página, em uma letra miúda e na vertical, encontrou o nome da repórter. Seus olhos se arregalaram, ela piscou algumas vezes, os coçou e leu o nome novamente, Abbey Carlton, podia ser uma coincidência?
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Hubbard Way nº 109.
A rua era morbidamente silenciosa e as poucas pessoas que passavam, andavam a passos rápidos pelas calçadas. A motocicleta parou e ambos lançaram um olhar para a velha livraria à sua direita. No trinco da porta, estava pendurada uma placa branca, com letras de fôrma em vermelho: FECHADO.
Não era de se espantar, o Sr. Mullins devia ter tirado o dia para balanço, ou em luto ao balconista. O olhar de Victor percorreu o interior da loja, os livros estavam intactos, mas um brilho particular vinha da pedra do balcão quando a luz do sol entrava pelas frestas dos vidros e refletia no mármore, um brilho alaranjado e tremeluzente, um brilho de sangue. Sentiu Laila pressionando suas costelas com um pouco mais de força, não era de se espantar que ela estivesse assustada, a lembrança da noite anterior devia estar lhe matando.
- Vamos descer Laila.
A garota obedeceu e saltou da moto um tanto enrijecida, tirou o capacete e deu uma olhada no interior da loja.
- Ele não está aqui Vic.
- Tem certeza? – Victor colou o rosto na vitrine, tentando ver algo lá dentro.
- O que vieram fazer aqui? – Os dois se viraram no mesmo instante. Tom estava logo atrás deles, com um esfregão e um balde em mãos. Laila ficou encantada com o quanto Tom era bonito, na noite anterior não havia notado, mas ele possuía olhos de um castanho claro e avermelhado. Tom parecia uma faísca de fogo.
- Precisamos conversar com você. – Laila falou, sentindo as bochechas começarem a arder de vergonha.
O ruivo pareceu um pouco surpreso.
- Ah, bom, eu estava indo limpar o sangue da livraria.
- A gente pode te ajudar. – Vic se ofereceu, mas Laila se moveu desconfortável com a ideia no mesmo instante.
Tom lhe lançou um olhar compreensivo.
- Você sim – apontou para Victor – mas acho melhor que a Laila não entre ali, pelo menos não enquanto não estiver limpo.
- É, tem razão. – Vic concordou.
- Mas o sol está muito quente. – Laila protestou timidamente.
- Você pode esperar na minha casa.
Laila piscou algumas vezes para ter certeza de que não estava ficando louca.
- S-sua casa?
- Vamos lá, é ali no final da rua.
Tom abriu a porta da livraria e enfiou o esfregão e o balde lá dentro, em seguida começou a caminhar pela calçada, sendo seguido por Victor e Laila.
A garota sentia o rosto ficando mais vermelho a cada vez que Tom se dirigia a palavra à ela. Laila sabia que tinha um grande problema em falar com caras bonitos, se sentia muito idiota conversando com eles, mas Tom era extremamente gentil, nem parecia notar que ela estava ficando cor de rosa.
Pararam diante de um sobrado mediano, com a pintura em estado semelhante ao da livraria, com uma lasca de tinta caída aqui e acolá, porém, a casa era pintada de bege. Subiram os três pequenos degraus até chegarem à porta e ele a destrancou.
- Entre Laila, fique a vontade. – Tom se voltou para Vic – Não precisa me ajudar se não quiser.
- Vá com ele Vic, assim acabam mais rápido. – Laila falou enquanto dava um pequeno passo para dentro da sala. Vic assentiu com a cabeça e logo os dois deixaram-na sozinha.
Laila girou no próprio eixo e percorreu a sala com os olhos. Em um canto, havia duas poltronas de couro de frente para um sofá coberto com uma manta de tecido colorido, uma mesinha de madeira separava-os. Em molduras nas paredes, uma porção de primeiras edições raras de livros, algumas tão desgastadas que era quase impossível saber qual eram os títulos.
A casa tinha um cheiro tênue de café e velharia que chegava a ser apaixonante. Laila caminhou até a poltrona e deixou que o assento a engolisse, era tudo tão aconchegante, dava vontade de viver ali pra sempre. Só então ela notou que havia um livro aberto sobre a mesinha de centro, junto com uma xícara de café fumegante.
A garota esticou a cabeça com curiosidade e leu o título do capítulo.
“Capítulo XXI – Lendas nativas: O filho da lua”
Um arrepio percorreu sua espinha, imediatamente inclinou o corpo para frente e começou a devorar as palavras.
- QUEM É VOCÊ? O QUE FAZ NA MINHA CASA?
Laila se assustou e deu um pequeno pulo, ativando sem querer a inclinação da poltrona e se colocando numa situação ainda mais constrangedora.
- Oh, me desculpe senhor. – forçou o corpo o máximo que conseguiu até reclinar a poltrona à sua posição inicial novamente e se colocar de pé. – não sabia que tinha alguém aqui. Tom disse que eu podia esperá-lo aqui.
Os olhos de Laila encontraram um senhor de cabelos brancos e ralos, olhos de um tom quase avermelhado e pele rosada. O senhor analisou bem Laila e depois fez um sinal com a mão.
- Pode continuar sentada, se Tom disse que podia ficar, então tudo bem. Sou Oliver Mullins, aliás.
Ao que parece a antipatia inicial e a seguida simpatia não era algo que apenas Tom possuía.
- O senhor é o dono da livraria!
- Era, mas agora está no nome do meu filho. – O velho se arrastou com um cansaço notável, mas parou diante do livro. – Oh, o que esta porcaria está fazendo aqui? Tom deve estar ficando doido, já disse que essa coisa de criança da lua não passa de besteira.
Oliver pegou o livro e o fechou, colocando-o sobre uma estante de madeira cheia de outros livros e jornais velhos. Laila apenas suspirou enquanto o livro se afastava e sua curiosidade rugia e dançava lambada dentro de si.
- O senhor sabe sobre a criança da lua? – perguntou timidamente.
Oliver se sentou na poltrona ao lado de Laila soltando uma porção de grunhidos.
- O que disse criança? Não ouço direito desse ouvido. – apontou para a orelha direita.
- O SENHOR SABE SOBRE A CRIANÇA DA LUA? – Laila aumentou o tom consideravelmente e o velho começou a rir.
- Também não precisa gritar menina. Não sei quase nada, além disso, é só uma lenda esquecida.
- Pode me contar?
- Hum, claro. – Oliver esticou a mão – Mas primeiro pegue aquela xícara ali pra mim, sim?
Laila o obedeceu imediatamente e entregou a xícara nas mãos de Oliver, já não estava tão fumegante.
- E então?
- Você quer mesmo saber não é? Deve ser tão maluca quanto Tom. – O Sr. Mullins desfrutou de uma pequena risada e bebericou seu café – A lenda conta que quando a Terra está muito cheia de problemas, ódio, guerra e essas coisas ruins clichês, a lua fica devastada e chora lágrimas de ternura, que dão origem a uma criança pura, com sonhos intensos e olhos no futuro. Mas veja, minha jovem, isso é só história pra boi dormir. É fantasioso demais, até mesmo para um velho sonhador como eu.
Laila estava estática, os enormes olhos nem sequer piscavam.
- Existe algum relatório científico sobre isso? Quer dizer, alguma coisa médica?
Oliver riu uma risada rouca e cansada.
- É claro que não garota, como eu já lhe disse, é só uma lenda, e das bem idiotas.
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A jovem passou os olhos pela matéria que havia escrito com um leve deleite no olhar. Em breve alguém apareceria reclamando por ter divulgado o nome da testemunha, mas havia sido proposital. Queria atrair Laila até ela, queria olhá-la nos olhos e ver se as previsões estavam certas.
Abbey Carlton era uma jornalista de trinta anos, cabelos escuros, lisos e curtos. Tinhas olhos dourados assim como o irmão mais novo, mas, além disso, também possuía um dom, um que ia além do simples jornalismo.
Batidas suaves na porta de vidro dispersaram seus pensamentos.
- Abbey? Seu irmão está aqui.
- Mande-o entrar.
O rapaz alto entrou quase antes que ela terminasse a frase e bateu a porta sem muita gentileza.
- Precisamos conversar. – disse com sua voz rouca e macia, apesar de ter pouca gentileza em sua expressão.
- Oi Key, também senti saudades.
Kieran sentou na cadeira de frente para a escrivaninha da irmã e a fitou com o olho descoberto.
- Ele quer te ver, quer que você esclareça as coisas.
Abbey suspirou, não gostava muito do caminho para qual Key estava sendo levado, ele ficava mais sombrio a cada dia.
- Primeiro tire esse tapa olho ridículo, não tem nada do que se envergonhar. – Key não moveu um músculo. – Tire a droga do tapa olho ou eu não falo nada.
O moreno fez uma careta, mas então levou as mãos à testa e desprendeu a fina faixa de couro fervido que mantinha o tapa olho atado à sua cabeça, revelando o olho cego e uma cicatriz avermelhada, que ia em diagonal de sua testa, passava pelo olho cinzento sem vida e chegava até um pouco abaixo da orelha.
- Bem melhor.
- Você precisa vir comigo, ele já está achando que eu estou conspirando. Se ele desconfiar de algo estamos mortos!
- Fique tranquilo, Key. Eu vou sim.
- O que vai contar a ele?
- A verdade... ou parte dela.
Os dois irmãos trocaram um olhar silencioso de cumplicidade. Key pegou um peso de papel sobre a mesa da irmã e o rolou entre os dedos.
- Abb... acha que ela vai nos ajudar? – o irmão tinha os olhos baixos.
- Sim, ela vai, mas antes disso as coisas vão ficar um pouco difíceis, principalmente para você.
Notas finais
Espero que tenham gostado
bj bj
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