Notas iniciais
Mil anos depois eu resolvi sair da minha tumba com esse capitulo, nem sei por que. Eu tava quase desistindo dessa história, não por falta de leitor nem nada, mas por falta de tempo mesmo. Mas enfim, vou dar outra chance pra Laila e os coleguinhas dela.
Ah, mudei a capa da história ^^
Espero que gostem
Boa Leitura
Bjbj

Assim que Victor e Tom terminaram de limpar a mancha de sangue no balcão, ambos sentaram-se no chão, exaustos.

- Obrigado pela ajuda Victor, eu teria levado a manhã inteira limpando isso aqui sozinho.

Victor apenas meneou a cabeça.

- Sem problemas. Confesso que tive esperança de encontrar alguma pista que a polícia pudesse ter deixado escapar.

Tom abriu um meio sorriso.

- Você achou que a polícia ia deixar algo passar?

- Foi estupidez, eu sei.

- Sabe de uma coisa? – os olhos vermelhos de Tom ganharam brilho – A polícia desse lugar é realmente muito incompetente.

- Você quer dizer que...

Thomas não esperou que Victor continuasse, se levantou e saiu caminhando para uma porta estreita nos fundos da livraria, Vic se sentiu obrigado a acompanhá-lo.

A sala era pequena e cheirava a mofo, as pilhas de documentos se amontoavam em pastas coloridas nas prateleiras que subiam até o teto, uma pequena escrivaninha com um computador antigo ocupava quase metade da sala e foi diante dele que Thomas Mullins se sentou. Assim que o botão da CPU foi pressionado, o computador iniciou uma sinfonia de bipes, zumbindo e arfando, quase como se estivesse vivo.

- Vocês por acaso nunca ouviram falar em dar uma renovada nas coisas? Esse lugar parece ter saído de um filme dos anos oitenta. – Victor resmungou, mas Tom nem sequer lhe deu ouvidos.

Alguns longos minutos depois, Tom mostrou na tela do computador imagens da câmera de segurança da livraria.

- Eu tenho cópias das fitas de segurança, olhe aqui.

- Você tem dinheiro pra por câmera de segurança nesse lugar, mas não tem pra comprar um computador que tenha sido fabricado nesse século? – Thomas lhe lançou um olhar repreensivo e Vic calou a boca.

O assassinato não foi muito demorado, Bruce morreu ao primeiro golpe apenas o que se sucedeu é que era difícil de encarar. Enquanto Bruce tinha sua pele praticamente arrancada para gravar as palavras, Victor desviou o olhar algumas vezes, sentindo o estômago embrulhar.

- Onde está a Laila aí?

- Aqui, está vendo esse cara? – O indicador de Tom pousou o dedo sobre a imagem do maior dos três assassinos. – Observe.

Depois de uma aparente ordem, o maior deles se enfiou entre as prateleiras e Tom então mudou a câmera de exibição, mostrando a imagem de outro ângulo. O homem parou praticamente ao lado de Laila, a examinou brevemente e então voltou para onde estava, depois disso os assassinos terminaram as palavras e fugiram. Tom pausou a imagem e encarou Victor.

- Você entendeu o que acabou de acontecer?

Victor olhava para a tela, ainda um pouco abismado.

- Ele poupou a vida da Laila.

- Exatamente.

- Por que ele faria uma coisa dessas?

O ruivo apenas deu de ombros.

- Não sei. – Tom olhou no relógio de pulso. – É melhor nos apressarmos, a redação do jornal fecha para o almoço ao meio dia e só retorna às três da tarde.

Vic assentiu silenciosamente, ainda pensando a respeito dos motivos que fariam com que um assassino poupasse a vida de sua melhor amiga.

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A redação do jornal local era pouco movimentada, ou ao menos pouco movimentada para um jornal que circulava na cidade inteira. Era um prédio velho, com janelas embaçadas e tintura um pouco marcada pela umidade, os cubículos tomavam o primeiro piso inteiro, junto com o “tec tec” ininterrupto de pessoas digitando e o cheiro de tinta de jornal fresca. Os três conseguiram autorização para subir e exibiam, pendurados em seus pescoços, pequenos crachás com a palavra “VISITANTE”.

A cabeça de Laila ainda vagava se lembrando da história do Sr. Mullins a respeito da criança da lua. De alguma maneira ela havia se identificado com aquela história, que apesar de ser uma lenda, parecia tão real dentro de sua mente.

- Precisam de ajuda? Oh, Laila! – a moça que oferecera ajuda era Kimberly, a colega da faculdade de Laila, estava diferente com aquela saia de cintura alta e camisa de botões, parecia alguém importante. Ela reconheceu a ruiva quase que de imediato e a puxou para um abraço sufocante. – Oh pobrezinha, eu soube do que fizeram com você! O que está fazendo aqui?

Laila se desvencilhou do abraço da colega, tinha se esquecido que Kimberly estagiava naquele jornal, e falou enquanto desamassava a camiseta.

- Eu estou aqui porque uma das repórteres desse jornal foi burra o suficiente para divulgar o meu nome numa matéria!

Kimberly não pareceu compreender muito bem.

- Mas ahm, isso é um problema?

- É claro que é um problema, sua otária, os bandidos não sabiam que ela tinha visto nada e graças a jamanta da sua repórter agora eles sabem e vão vir atrás dela, cortar ela em pedacinhos, colocar ela num saco e mandar por correio direto pra casa do satanás! – Vic terminou de falar e puxou o ar com força, Kimberly encarava-o boquiaberta.

- Obrigado pela sua colaboração, Victor, muito sincera. – Tom pousou a mão no ombro de Vic, controlando o riso.

Kim estava pasma, piscou algumas vezes e levou um fio negro do cabelo para detrás da orelha.

- E-eu não sabia disso Laila, quem foi que escreveu a reportagem?

- Abbey Carlton. – Laila disse sem nem pensar duas vezes, o nome daquela mulher estava martelando incessantemente em sua cabeça.

- Tem certeza? – Kim estranhou, Abbey era a estrela daquela redação.

- Absoluta. – a colega de classe de Laila transferiu o peso do corpo de uma perna para a outra, enquanto cogitava sobre o que deveria fazer.

- Hum, então venham comigo.

Kim os guiou até o andar de cima. O contraste com a bagunça do andar inferior era tão grande que Laila chegou a se perguntar se ainda estava no mesmo prédio. As paredes eram bem pintadas em bege e decoradas com uma porção de quadros com edições antigas do jornal e fotos da equipe, o chão era coberto com um carpete azul caneta e não tinha nenhum cubículo ali, apenas salas com belas portas de madeira nobre.

Pararam diante de uma pequena recepção, uma mulher de cabelos pretos presos em um coque lançou um olhar tedioso para Kimberly e depois para eles.

- Pois não?

- Precisamos falar com Abbey, é importante. – ela disse torcendo o pequeno cachinho para detrás da orelha novamente.

- Hum, ela está com alguém na sala.

- Nós esperamos.

- Não sei se ela receberá vocês. – a mulher tinha um tom absolutamente indiferente.

- Pois pergunte a ela, oras! Diga que é a garota do caso dos assassinatos, ela vai dar atenção.

A recepcionista então pegou o telefone e discou um ramal, Tom já estava aconchegado em um dos sofás e folheava uma revista sobre viagens para o exterior, Vic parecia muito tentado a fazer o mesmo, já era quase meio dia e ele tinha trabalhado um bocado para ajudar a limpar a livraria, estava com fome e cansado. Além de que a imagem do assassinato ainda estava lhe dando calafrios.

- Ela disse que a menina pode entrar, o restante de vocês espere aqui.

Victor quase deu glórias e se esparramou no sofá ao lado de Tom, Kim acompanhou Laila até a porta da sala de Abbey e voltou para a recepção. Era possível ouvir vozes abafadas vindo da sala, mas a garota não quis ser intrometida ouvindo a conversa alheia e rapidamente deu pequenas batidas na porta.

A porta foi aberta e imediatamente Laila sentiu como se uma corrente elétrica percorresse sua espinha, um homem alto de cabelos negros surgiu do outro lado, pálido, de lábios finos, queixo quadrado e um olho de tom castanho quase dourado. Apenas a cicatriz enorme e grotesca em um dos olhos tornava seu rosto estranhamente deformado, difícil de se contemplar por muito tempo, e lhe dava um aspecto amedrontador. O olhar que ele lançou a garota ruiva não durou mais do um milissegundo.

- Até mais Key, oh Laila, é você? Entre meu bem. – Ao sair, Kieran atravessou o vão da porta e encostou momentaneamente no braço de Laila, era quase como se aquilo a tivesse petrificado. – Laila? Vamos lá, não tenha vergonha.

A ruiva agitou a cabeça de um lado para o outro e entrou na sala, fechando a porta atrás de si.

Key

Key

Key

Ela o chamou de Key

- Q-quem era esse cara? – Laila falou enquanto se sentava, ainda sentindo o estranho frenesi em seu corpo.

- Oh, é apenas o meu irmão Kieran.

- Ah... – a ruiva piscou os olhos tentando voltar ao normal, a expressão de Abbey era divertida.

- Está se sentindo bem, Laila?

- Sim. – respondeu entre dentes.

- Acho que sei o motivo de estar aqui. – Abbey entrelaçou os dedos diante do rosto, apesar de ter uns dez anos a mais que Laila, era mulher muito atraente e elegante.

- Não é para elogiar sua matéria, com certeza.

- Claro que não. Está aqui por que eu divulguei o seu nome no jornal, o que quebra uma das principais regras da ética jornalística, não é mesmo?

Laila não compreendeu muito bem, se ela sabia de tudo aquilo, por que então tinha colocado o seu nome na edição? Ela por acaso queria usá-la como isca?

- Sim, isso foi muito imprudente da sua parte. – disse secamente.

- Foi? Você tem medo que algo lhe aconteça?

- É claro que eu tenho, eu não quero morrer assassinada com alguma frase gravada nas minhas costelas.

- Não se preocupe querida, não vai acontecer nada com você, ao menos não em relação a isso. – Abbey se debruçou sobre a mesa e examinou Laila com cuidado. – Você é muito nova, tem quanto anos?

Laila se encolheu um pouco na cadeira, um frio estranho parecia gelar sua espinha.

- Vinte e três.

- Vinte e três! Uma criança ainda! Que pena.

Pena? Laila se sentiu extremamente acuada, mas então se lembrou do motivo de estar ali.

- Você precisa publicar uma retratação no jornal de amanhã dizendo que errou meu nome e inventar um nome qualquer, que não esteja na lista telefônica.

- E por que eu faria uma coisa dessas? – Abbey parecia se deliciar com aquela situação.

- Por que senão eu a processo! Eu processo esse jornal! Isso que fez não é certo, coloca a mim e meus amigo em perigo, não vou deixar que isso aconteça!

O frio ficou mais intenso e Laila começou a bater os dentes, de frio e de raiva.

- Tudo bem, você terá sua retratação.

- Ótimo. – disse entre dentes e logo se levantou para sair daquela sala gelada.

- Laila. – Abbey a chamou com um tom divertido em sua voz, mas Laila já estava extremamente irritada. – Leve meu cartão, se tiver alguma dúvida a respeito de algo misterioso, talvez eu tenha a resposta.

A garota apenas tomou o cartão da mão da jornalista e saiu porta afora, esperando que o calor viesse.

Mas o calor não veio.

Seus dentes batiam e seu corpo tremia como se estivesse pelada no meio de uma tempestade de neve. Enfiou o cartão dentro do bolso e foi em direção a recepção.

- Laila! – Tom e Vic se levantaram quase simultaneamente.

- E então, o que ela disse? – Kim perguntou.

O frio começou a se dissipar lentamente.

- Ahm... ela vai se retratar na edição de amanhã.

- Ah, isso é ótimo!

- Será que podemos ir embora agora? Estou faminto. – Victor reclamou.

- Eu quero ir no banheiro antes, pode me dizer onde fica? – Laila perguntou para a moça no balcão, que apenas apontou com a cabeça para uma porta solitária no canto da sala de espera.

Entrou sozinha no banheiro e assim que fechou a porta o frio estranho a atacou novamente, dessa vez ela não só podia senti-lo, como vê-lo. Uma leve neblina se misturava no ar do pequeno banheiro e Laila abraçou o próprio corpo, tentando se proteger, praguejando internamente o sistema de ventilação daquele prédio velho. Caminhou vagarosamente até a pia e, com a palma da mão, limpou um a pequena parte do espelho que estava embaçado por conta do vapor gelado. Sua imagem ruiva apareceu do outro lado, pequena, franzina e espantada, como sempre, mas então algo aconteceu.

- Não se envolva com essas pessoas Laila.

Laila tomou um tremendo susto, girou em torno dos calcanhares, mas não havia ninguém ali.

- Key? – Sua voz era vacilante.

­- Saia daí, rápido! – A voz de Key era irritada e imperativa, parecia furioso.

- Você está aqui? Eu não estou dormindo, como isso é possí...

Um zumbido extremamente alto e agudo encheu o pequeno banheiro, Laila usou as mãos para tampar os ouvidos, mas era inútil. O som era ensurdecedor a ponto de fazê-la temer que seus ouvidos começassem a sangrar e ficasse surda. Se virou para o espelho e a imagem de Key estava ali por um milésimo de segundo, havia sangue em sua espada.

Sua boca se abriu de surpresa, mas logo Key não estava mais no espelho e o zumbido continuava mais alto e intenso. Correu em direção à porta, mas uma força desconhecida a derrubou no chão. Laila caiu com um baque surdo, o chão parecia vibrar intensamente e agora ela não podia se mover. Apertou mais as mãos contra os ouvidos e fechou os olhos, os espelhos e as janelas trincaram e explodiram simultaneamente em milhares de pequenos caquinhos, caindo sobre Laila como uma chuva de prata. O zumbido continuava alto e Laila agora gritava, sentindo a cabeça e os ouvidos doerem.

A porta se escancarou e Tom e Kimberly entraram pela porta, seguidos de Victor. Laila estava encolhida no chão, coberta com cacos de vidro, mas não havia mais nenhum som, frio ou Key.

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Nas redondezas da cidade de Reno, longe das luzes coloridas dos cassinos e do movimento dos automóveis, escondido no meio da floresta, um pequeno galpão em que antigamente era usado para o armazenamento de cereais agora servia de ponto de encontro de uma gangue que estava ficando famosa na cidade.

A noite estava úmida e no céu não se via uma única estrela, uma chuva estava prestes a cair. Os irmãos Carlton saltaram do pequeno Palio cinza e entraram discretamente pela porta dos fundos do galpão. Estaria totalmente escuro lá dentro, se não fosse por uma luminária enferrujada no centro. Dois vultos eram pessimamente visíveis.

- Abbey! Achei que nunca mais fosse vê-la, querida. – a voz do homem era áspera e cheia de sarcasmo.

- Imagino a depressão em que você entraria se isso acontecesse.

Como era de costume, Kieran se recolhia a um silêncio quase fúnebre perto do seu mentor, jamais poderia deixar transparecer suas segundas intenções. O rapaz, que agora já tinha seu tapa olho de volta, se posicionou ao lado de Lindsay.

- Eu quero saber a respeito dessa criança da lua, o que você está escondendo de mim?

Abbey soltou uma risada totalmente despreocupada, o que deixou Kieran tenso, a irmã precisava ser convincente, ou então aquilo poderia se tornar um grande problema.

- Ah, não precisa disso tudo, a criança da lua é só uma lenda antiga.

- Não acredito em você.

- Por que não? A sua outra alternativa é acreditar que tem mesmo uma criança da lua andando por aí.

- Então me fez escrever algo totalmente sem sentido no corpo de uma vítima? – Abbey deu de ombros, totalmente despreocupada, mas foi surpreendida por uma mão grande e áspera agarrando seu pescoço sem nenhuma gentileza. – Escute aqui, sua piranha, se estiver escondendo algo importante de mim, seu irmãozinho e você vão estar em grandes apuros, está entendendo?

A garganta de Abbey era pressionada com força, sentia a mão pesada prestes a esmagar seus ossos, a palavra foi balbuciada com dificuldade.

- Sim. – ele a soltou de forma tão brusca quanto a tinha agarrado e Abbey puxou o ar com toda a força de seus pulmões, sentindo-os arder a cada inspirada.

- Agora me conte tudo o que sabe.

Abbey Carlton estava ofegante, mas um sorriso perigoso se abriu em seu rosto.

- Claro. – Lidsay a puxou pelos ombros e a empurrou sobre uma cadeira para que ela se sentasse, bem debaixo da pequena luminária enferrujada. Ali sob a luz tinha uma visão nítida do irmão mais novo, o rosto pálido livre de qualquer emoção, exatamente como ela o ensinara. – Você já ouviu a lenda?

- Não. – a voz dele era grave e serena novamente. – Pode começar a contar.

A criança da lua

Durante a Idade Média, em que o sistema feudal dominava a Europa e o sistema de servidão era rigorosamente aplicado, a desigualdade social era tudo o que predominava nos campos. Senhores feudais e vassalos saboreando do luxo e do calor de seus castelos, enquanto os servos sobreviviam (ou não) de migalhas e da proteção simples de suas cabanas, sendo sujeitos ao frio e a fome mais do que a qualquer outra coisa.

Os humildes servos oravam e pediam a Deus que suas vidas melhorassem, mas os padres e bispos, adornados com belas cruzes de ouro e joias, explicavam aos servos devotos que se eles agora estavam sofrendo era por sua própria culpa, por um grande pecado cometido nas vidas anteriores e que não havia nada que não pudesse ser feito, Deus era justo e suas maldades tinham que ser punidas. Eles jamais mudariam de situação, quem era nascido pobre, viveria e morreria pobre e se fosse bom nessa vida, poderia reencarnar como um senhor feudal.

Escondida nos bosques, longe dos olhos julgadores, uma bruxa acompanhava o sofrimento dos pequenos servis, que trabalhavam dia após dia, e se comovia com aquela situação, vendo aquelas famílias trabalharem até seus corpos magros se esgotarem e nem sequer tirarem grande proveito daquilo. Um dia o vassalo que governava aquelas terras travou uma grande briga com seu senhor e uma guerra foi anunciada. Cavaleiros foram brilhantemente armados e equipados com belas armaduras cintilantes, mas estabeleceu-se que os pequenos camponeses iriam à vanguarda, sem armaduras ou armas, apenas com paus, pedras e ferramentas de trabalho velhas. Nenhum deles teve chance, foi um massacre.

Do seu bosque a bruxa pode ouvir o choro das viúvas e dos órfãos vindos das casinhas de madeira e no fundo de seu coração sentiu tristeza por aquele povo e por aquela terra. Dentro do bosque, o mundo parecia tão belo e puro, mas vendo as civilizações acreditava que o mundo parecia uma úlcera, cheio de caos e ódio. Em sua tristeza, a bruxa correu bosque adentro, arrependida de ter ido até ali e assim que encontrou um lago, se jogou nele, desejando ser engolida pela água até jazer sem vida no fundo.

Acontece que aquele lago era raso demais para alguém que não sabia nadar morrer, e então a bruxa chorou desolada, querendo voltar para casa, mas também querendo curar aquele mundo doente. A bruxa então olhou para o céu e conversou com a lua, não como uma pessoa normal conversaria, mas como uma bruxa. Ela dançou dentro do lago raso, cantou e por último chorou, pedindo ajuda da lua protetora da Terra e a lua ouviu.

A lua ficou triste, muito triste e resolveu ajudar a bruxa, concedendo a ela uma criança pura, capaz de acalentar o mais rude dos corações e ver o futuro e também concedeu a bruxa o poder de ter sonhos vívidos durante seu sono, só assim ela ainda poderia olhar aquele mundo com olhos de esperança.

A bruxa saiu da água com um bebê nos braços e esperança no coração. A criança ganhou o nome de Lumina e cresceu escondida nos bosques junto com a bruxa, que lhe ensinou sobre amor, respeito e sobre a natureza. Assim que a criança completou dez anos, seu enorme poder se manifestou. A Idade Média começou a se desvanecer e uma nova era veio em seguida.

A criança sentava ao lado da bruxa e contava a respeito das mudanças do mundo, o desenvolvimento do capitalismo, da democracia, dos direitos do homem e do cidadão e da solidariedade das pessoas, mas aquilo não era apenas o que a criança via. Lumina também via o caos, o terrorismo, a ganância, o maltrato à natureza, mas nada disso contava a velha mãe bruxa, que aos poucos envelhecia e ficava sem forças.

Treze anos depois, quando a bruxa estava em seu leito de morte, Lumina contou o que pretendia fazer com o mundo para que ele se tornasse puro, e era algo terrível. Apesar de boas intenções, o belo poder de Lumina tiraria o livre arbítrio das pessoas e as transformaria em fantoches sem vida. Desesperada, a bruxa abraçou a menina, que agora tinha vinte e três anos, e falou um pequeno feitiço em seu ouvido e quando a bruxa morreu, Lumina morreu com ela.

A cada cinquenta anos, a criança retorna para salvar o mundo, mas a bruxa retorna com ela para impedir que ela se preencha com ódio e destrua a civilização. Por onde as duas passam, caos e amor banham a terra.

- É isso? – Lindsay tinha achado tudo uma grande idiotice. – Que história pra boi dormir!

- Isso é verdade? – o homem perguntou secamente.

- Se você acredita em história de bruxas, elfos e fadas madrinhas...

- Por que me fez escrever isso em um corpo, Abbey?

- Eu li a fábula e achei interessante, algumas pessoas poderiam achar que havia algum simbolismo e criar teorias conspiratórias, seria divertido.

O homem suspirou.

- Você não escolhe mais o que eu faço ou não com minhas vítimas, entendeu?

- Sim senhor. – Abbey se levantou e novamente encarou o rosto do irmão, ele a encarava de volta.

- Já que esse problema está resolvido, precisamos nos concentrar no outro.

- Outro? – Kieran falou pela primeira vez desde que entraram ali.

- Sim, a garotinha bonitinha que você não viu, Key. – Lindsay falou com sua voz aguda perto de seu ouvido – Nós vamos ter que dar um jeito nela.

Notas finais
*A fábula é totalmente fictícia.
Qualquer comentário é bem vindo :)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.