Moon Child
1 Prólogo
Notas iniciais
Espero que gostem e tal
Boa leitura
Beeijos
A floresta era escura, gélida e o farfalhar das folhas secas seria o único som audível se sua respiração ofegante não se misturasse a ele. A visão estava muito prejudicada pela escuridão e não fazia a menor ideia de para onde ou do que estava fugindo. Já estava correndo a longos minutos, que pareciam uma verdadeira eternidade, as pernas pareciam querer falhar, mas ao mero sinal de fraqueza, ela puxava o ar até sentir seus pulmões arderem e corria ainda mais, além do que seu limite corporal permitia. Sentia os pés mal tocando no chão e seus cabelos voando em cachos curtos com a velocidade, se não fosse uma perseguição, poderia até ser algo divertido. Era forte afinal, e aquilo a fazia sentir orgulho de si mesma.
Corria em uma velocidade que nem sabia que era capaz de atingir, olhava para frente tentando adivinhar os possíveis obstáculos que poderiam lhe derrubar, não podia cair, uma queda ali e estava morta. Ao menos era isso o que achava. Queria olhar para trás, queria parar de correr e lutar, mas tinha medo, não sabia o que estava vindo, o desconhecido poderia ser pior do que imaginava, na verdade, sempre era.
A cada sonho novo era difícil saber o que lhe esperava, era sempre uma nova terra, uma nova aventura, um sonho após o outro repleto de tudo aquilo que sua vida real não podia lhe fornecer. Florestas, cidades, beijos roubados, quedas para a morte e as mais infinitas batalhas, tudo estava ali em sua mente e de alguma forma ela vivia cada uma dessas experiências durante uma simples noite de sono. Mas pela primeira vez estava sozinha, sem Key para lhe dizer para onde ir, isso fazia com que ela temesse mais o que podia lhe acontecer. Por isso corria, do que quer que a perseguisse, independente de ser bom ou ruim. Maldita hora em que o mandou ir embora, não havia graça sonhar sem ele, pelo contrário, era mais difícil e assustador.
Um feixe de luz da lua penetrou por entre a copa das árvores e ofuscou brevemente sua visão, o fim da floresta estava próximo. Teria que lutar, mas não possuía armas, aquilo fez com que soltasse um palavrão, irritada. Tinha quase certeza de que aquilo era um castigo de Key, ele não gostou nem um pouco de ser afastado e adorava uma travessura, sim, aquele sonho poderia muito bem ser dele, que adorava florestas escuras cheias de coisas desconhecidas e principalmente, adorava vê-la tremendo de medo.
- Filho da puta – disse com o fio de voz que ainda restava em sua garganta.
Enfim a floresta acabou, mas o solo também. O fim da floresta marcava o ponto inicial de um enorme desfiladeiro. Tentou parar os pés o mais rápido que pode, mas estava rápida demais para parar de uma única vez, logo sentiu o ar abraçando suas pernas e seu corpo voando em direção ao solo, ou ela se machucaria feio ou acordaria. Claro que Key não deixaria que acabasse tão depressa.
Rolou pedregulho abaixo sentindo pedras e mais pedras machucarem seu corpo, rolou até quase perder a consciência, mas enfim atingiu o solo firme. Ficou ali esparramada no solo, sentindo o sabor da areia em sua boca e o sangue descendo morno por uma porção de machucados que se abrira em seu rosto. Um grunhido baixo de dor escapou por seus lábios, queria se levantar, mas seu corpo nem sequer obedecia. Estava exausta. Fechou os olhos por um instante e sentiu a brisa fria bater como uma lâmina afiada em suas feridas abertas. Poderia ficar ali e esperar que a hora de acordar chegasse, não fazia mais sentido correr, o que quer que a estivesse perseguindo já estava ali e provavelmente estava se divertindo muito com sua correria patética.
“Ainda bem que sabe que é patética.”
Key. Ele ainda estava ali.
“Claro que eu estou aqui, sua idiota.”
O guardião apareceu como uma sombra negra diante do seu corpo caído.
Key era o guardião dos seus sonhos, uma cabeça mais alto do que ela, forte e tinha cabelos negros como a noite que desciam lisos até o meio de suas costas, os olhos eram de um verde amarelado que reluzia muito durante a luz do dia, à noite parecia negro como qualquer outro. A pele era levemente morena e sua expressão dura, apesar de ele adorar fazer piadas infames. Talvez a carranca séria atribuísse mais graça às suas idiotices. Era mais bonito do que seus colegas da faculdade e do que qualquer outro rapaz que conhecia em sua vida real, mas como ele era parte de um sonho, não havia muita graça em admirá-lo. Durante toda a sua vida, Key a acompanhara em suas aventuras do sono, mas ela agora queria tentar algo sozinha, isso talvez não tivesse dado muito certo.
- Pode me mandar ir embora, eu não vou. Não porque eu não queira, acho que poderia estar fazendo algo muito melhor do que cuidando de uma idiota como você, mas porque é meu trabalho. Sinto lhe decepcionar, mas eu não vou a lugar algum. – Ele deu de ombros.
As mãos dele ergueram-na do solo como se fosse uma boneca mole qualquer, o corpo se sustentou de pé e então ela pode bater a areia do corpo ao máximo que conseguiu, mas já estava imunda demais. Os olhos dela estavam inflamados de raiva, sentia dores por toda parte, principalmente nas articulações e nas costelas, ia acordar com dores, com certeza, esse era um dos muitos problemas dos sonhos vívidos.
- Isso é culpa sua, você criou esse mundo! – vociferou de forma arisca enquanto franzia o cenho e apertava os punhos sujos de terra.
- Por que acha que eu o criei? Só por que ele é fantástico? Lamento, infelizmente nem todas as coisas fantásticas desse mundo são criadas por mim.
O vento soprou frio novamente e o farfalhar das copas das árvores acima de suas cabeças se fez audível, produzindo um som fantasmagórico e sussurrante na madrugada escura. Mas ela parecia irritada demais para se dar conta do que enorme temporal que se formava ao seu redor. A garota apenas revirou os olhos para o comentário de Key e colocou a mão sobre a ferida na testa.
- Estou perto de acordar? – Key parecia o mesmo de sempre, mas seu olhar parecia mais interessado no ambiente em volta do que nela. – Key? Ouviu o que eu disse?
- Não me importo com a hora que vai acordar.
A mão de Key foi para trás de suas costas e apertou com força o cabo da espada, o cabelo negro estava preso como era de seu costume, com um espesso e apertado cilindro metálico, com coisas gravadas em uma língua morta. Seus olhos se estreitaram para fitar melhor o que vinha adiante na escuridão.
O despenhadeiro começou a se mover, como se fossa um iglu derretendo a uma altíssima temperatura, o vento se tornou agressivo e as pedras começaram a serem carregadas pelo vento, correndo submissas na direção que a brisa apontava. A terra subiu e a garota apertou os olhos para protegê-los dos grãos de areia.
- Está acontecendo alguma coisa? – Ela se virou com dificuldade para outrora estava o topo do desfiladeiro, mas agora havia uma planície de pedras e uma longínqua floresta escura no final. Tentou enxergar algo, mas a visão estava prejudicada pelo vento. – Fala alguma coisa!
- Cala a boca! – Key vociferou como se estivesse furioso com ela. – Tem alguma ideia da coisa que está vindo atrás de você?
Notas finais
O próximo capitulo já está pronto, então logo logo eu devo postar.
Qualquer comentário é bem vindo e tal
Obrigada
Beeijos!
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