"Montanha-Russa"

1 Capitulo Primeiro — Gato Preto


Notas iniciais
Yeey, primeiro capitulo da minha fanfiction novinha em folha! E querido ser que está lendo isso, espero que goste verdadeiramente desse capitulo! ヽ(*≧ω≦)ノ

POV Mia Sutbelle

Bati com o indicador na tela do celular, encerrando a chamada e, sem hesitar, lancei-o para o outro canto do sofá que eu estava.

Discuti mais uma vez com aquele idiota, pela terceira vez nesta semana.

E, com “idiota” eu quero dizer meu namorado, Kayley.

Era pra estar tudo perfeito entre nós. Mas ele estragou tudo com essas crises ridículas de ciúmes. Não que eu não o ame mais, pelo contrario, mas é cansativo demais.

Quando o conheci, ele parecia ser o recheio do meu bolo. Os ponteiros do meu relógio. Não sei se isso tudo faz sentido, mas para mim fazia.

Mas reclamar na sala de estar não me faria melhor de forma alguma.

Levantei do sofá e subi as escadas até meu quarto. Espaçoso, de paredes cor-de-rosa e piso de madeira clara, recheado de bichos de pelúcia, como o quarto de uma criança.

Peguei as roupas que normalmente uso, e vesti-as. Uma saia azul de pregas, blusa preta de mangas longas, meias brancas até as coxas e meus sapatos pretos de colegial. Caminhei até a penteadeira e escovei meu cabelo, ruivo e longo, colocando um par de orelhas de gato preto com lacinhos cor-de-rosa.

— Pff, não vá esquecer de por um rabo! — Meu irmão gêmeo, Mio, riu me encarando encostado á porta.

— Rabo? Não diga assim, “cauda” é mais bonitinho! — Ri também, revirando meus olhos. — Vai ficar de pijama, mesmo?

— Não enche, gatinha! — Saiu rindo, provavelmente de volta para o quarto.

Mas foi um detalhe bem lembrado, de qualquer forma. Tirei, do interior da gaveta da penteadeira, uma fofinha cauda falsa de gato. Prendi-o na parte de trás da saia e sai do quarto.

— Estou saindo, borboleta! — Gritei descendo as escadas, ganhando um “que ótimo!” como resposta.

Abri a grande porta de madeira da entrada e corri para fora.

E voltei para tranca-la, claro. Não poderia deixar a porta aberta, não quero ser assaltada!

Apesar de ser tarde, sai caminhando tranquilamente, admirando o céu alaranjado. Poderia ouvir alguma música do meu celular, mas preferi deixa-lo em casa para não ter que atender caso Kayley ligasse.

Vi, mais ao longe do outro lado da rua, um garoto de cabelo acinzentado e orelhas de lobo, andando apressadamente, na direção oposta á minha. Droga, Kayley, justo agora?

Acelerei meus passos, começando a quase correr, e parei atrás de um poste. Um esconderijo bobo, mas o suficiente para ele não me ver ali. Ofegante, deixei alguns minutos passarem e finalmente me virei para olhar. Ela já tinha ido. Provavelmente estava indo me procurar em casa, mas voltar para vê-lo não era uma opção.

Continuei meu caminho, cantarolando uma dessas músicas sobre amor e coisas assim. Depois de um bom tempo, parei para analisar o local onde estava. Uma rua deserta, os postes de luz já acessos por conta do horário, e um deles em especial apagava e acendia, com uma luz bem fraca.

— Que patético... — Ouvi um sussurro e, subitamente virei-me para ver de onde vinha.

Ninguém.

Droga, comecei a alucinar. Só podia ser.

— Não percebe? — Continuou. Agora parecia estar á minha frente, mas eu não via o dono da voz. — Ele está te usando.

— Q-quem... — Tentei formular uma pergunta, mas a voz me interrompeu.

— Você deveria castiga-lo. Para que servem seus poderes?

Claro, meus poderes. Eu, assim como a maioria dos meus amigos, tenho poderes. A “filhinha” adorável da Morte. Uma rosa, também. Não sou uma flor, mas tenho uma notável rosa presa ao meu peito, e sou capaz de mover e criar espinhos.

Não respondi. Continuei caminhando, como se nada tivesse sido dito.

— Não me ignore. — Senti que alguém agarrou minha cintura, por trás, me puxando. Podia sentir o corpo de quem quer que fosse colado ao meu, e sua respiração próxima á meu ouvido.

— O-o que você quer..? — Murmurei, tentando, sem resultado, me soltar.

— Te ajudar.

— Então me solte... — E assim o fez. No instante que me vi livre, virei-me para encarar o desconhecido.

Alto, de olhos vermelhos, cabelo azul com aleatórias mechas pretas, orelhas de gato preto e uma cauda que mais parecia um chicote. Me fitando com um largo sorriso, quase que dava medo. Mas ele era, de certa forma, fofo.

Ergui meu braço, deixando minha mão fechada num punho. Abri-a rapidamente, fazendo com que quatro espinhos saíssem bruscamente do asfalto, deixando algumas rachaduras, e se enrolassem nos braços e pernas no garoto.

— Então... O que queria dizer? — Ri, colocando as mãos na cintura. — Você parece bem enrolado com esse assunto!

— Tsc, que engraçada... — Revirou os olhos, o sorriso tinha desaparecido. — Sei pelo que está passando. Aquele cara não é bom pra você. Até seus amigos sabem disso, mas não querem dizer na sua cara.

— Você não sabe de nada. Nem me conhece.

— Não conheço, você diz? Vejamos... — O garoto fitou o céu por alguns instantes, antes de virar para mim novamente. — Mia Sutbelle, dezoito anos, mimada, adoradora de doces... Sei até o nome de sua mãe: Heather. Quer mais que isso? Sua calcinha é rosa.

— Hã? — Senti meu rosto esquentar, então desviei meu olhar. — Eu não sei como você sabe dessas coisas, mas nem me importo. Se me dá licença, estou voltando para casa...

— Tão cedo? — Sorriu, tentando se aproximar, então apertei ainda mais os espinhos.

— Sim, tão cedo. — Passei por ele, caminhando na direção da minha casa. — Adeus.

— Haha, acha mesmo que vai se livrar de mim tão facilmente, purrincesa? — Sua risada ecoou pelo local, tão alto que minha cabeça começou a latejar. Subitamente, me veio uma fraqueza e não consegui me aguentar de pé. Caí de joelhos e, depois disso, senti minhas pálpebras pesarem. Devo ter desmaiado, porque tudo ficou escuro. Não sei o que ele fez, mas se que me afetou facilmente.

Notas finais
Imagem original: br.pinterest.com/pin/86483255319565459/ Bem, comentem o que acharam do capitulo, e caso encontrem algum errinho podem me avisar que eu irei arrumar!