Monstrous World
4 Capítulo 4
Quando acordei estava tudo escuro, só consegui ouvir um som de pessoas conversando, olhei para um lado, para o outro, não vi ninguém.
Minha cabeça estava pesada e dolorida, como se eu tivesse levado milhares de socos.
Senti meus olhos inchados. Senti gosto de sangue.
Então ouvi dois homens conversando:
- Mestre, ela acordou. O que faremos?
- Apague-a, ainda não está na hora de acordar.
- Sim, senhor!
De repente apaguei.
Acordei novamente com a voz daquelas mesmas pessoas falando ao meu lado.
- Acordou princesa?
- Hum? — foi a única coisa que consegui pronunciar.
- Providenciei um luxuoso espaço para que a senhorita descanse, não queremos que se sinta inferior. — do que aquele maluco estava falando?
- Mestre por que a trata assim, ela é uma humana raça insignificante!
- Cale-se imbecil! Ela não é como os outros, ela pode ser a nossa salvação.
- Do que estão falando? — balbuciei
- De você. Mas não pense nisso, você precisa descansar. Agora, aplique mais um pouco.
Dormi novamente.
Dessa vez, quando acordei não havia som algum, pensei até que tudo o que havia visto e ouvido não passava de um sonho.
Eu estava em uma cama branca, em um quarto branco e com uma iluminação muito forte que dava a impressão de que eu estava em um quarto de hospital. Levantei da cama com alguma dificuldade, meu corpo inteiro estava dolorido, quando pus os pés no chão quase caí, mas senti braços ao redor do meu corpo, me apoiando. Olhei para ver quem estava ao meu lado e, nossa! Que garoto lindo! Ele era branquinho com os cabelos bem pretos, seu rosto era fino com o queixo meio quadrado que lhe dava uma aparência meio séria. Ele tinha um olhar penetrante, como se tentasse desvendar todos os meus segredos. Sua boca era pequena e seus lábios finos. Ele tinha os olhos pequenos e meio puxadinhos, como um asiático, olhos da cor do mel.
- Você deveria esperar um pouco para se levantar assim, está a uma semana descansando, seu corpo ainda não, ahn... acordou. Se eu não estivesse aqui, você teria caído.
- Ahn, obrigada. Mas aonde eu estou?
- Isso não importa agora, você está bem, isso é o que importa.
- Quem é você?
- Eu sou Said Lin Kiang, a sua disposição. — e se curvou.
- Eu sou Gabriella Marie Adams.
- Vejo que já se recuperou. Está com fome? — quando eu ia dizer que não, meu estômago me acusou dando um sonoro ronco. — É acho que você está com fome, venha, preparei uma ótima refeição para você.
Ao cruzar a porta me deparei um um lugar extremamente diferente do quarto onde eu estava.
- Na segunda vez em que acordei acho que ouvi você dizer que havia preparado um luxuoso quarto pra eu não me sentir inferior, certo? O que você quis dizer com isso?
- Droga, aquele idiota disse que você não se lembraria de nada!
- Só me lembro vagamente. Mas você ainda não respondeu.
- Você irá ter todas as respostas que deseja, mas primeiro tem de se alimentar. Se não, de que valerá as respostas a um cadáver?
Durante a refeição fiz questão de interrogá-lo diversas vezes sobre onde eu estava, e em todas as vezes ele me respondia a mesma coisa, eu vou ter todas as respostas que eu desejo. Isso já estava me enchendo quando ele se levantou e rapidamente avançou até o meu assento, dava pra ver que ele também estava irritado com todas as minhas perguntas. Ele me olhou nos olhos e segurou meu rosto para que eu não desviasse o olhar.
- Não gosto de ser agressivo, mas você não me deixa outra escolha. Eu já disse que irei responder a todas as suas questões na hora certa, você deve parar de me interrogar, se não eu posso deixar de ser bonzinho e começar a tratá-la da forma como sua raça escória merece ser tratada, ok? Agora cale a sua maldita boca e engula esse lixo, por que eu precisarei de você bem alimentada daqui a pouco.
Dizendo essas doces palavras ele voltou ao seu lugar e começou a comer sua comida como se nada houvesse acontecido. Comi também, mas nada tirava da minha cabeça a forma como ele havia falado comigo. "Raça escória" o que ele queria dizer com isso? Ele também não era humano? Bom era isso que eu queria que ele fosse.
Ao terminar de comer, ele veio até mim, levantou meu rosto e disse que me esperaria na biblioteca. Achei que ele iria enfim me responder as perguntas, mas eu estava completamente enganada.
Cheguei na biblioteca acompanhada de um de seus empregados, eu sabia que não era desejada ali pela forma como até seus empregados me tratavam, como se eu fosse lixo. Seu empregado, Raymond, me levou até a biblioteca segurando com força o braço, como se eu fosse uma criança bagunceira e na porta ainda me empurrou para dentro. Fez um sinal de cabeça para seu patrão e trancou a porta. Apesar da falta de confiança que eu tinha em Said depois da conversa no jantar, eu prossegui.
- Acho que vou ter de dar aulas de etiqueta aos meu empregados, o que você acha?
- Acho que eles precisam mesmo.
- Venha, sente-se aqui. — ele apontou um lugar ao seu lado, achei estranho a forma como ele falou comigo como se não houvesse tido aquela conversa, por pensar que ele não estava mais com raiva, me sentei. — Você está me deixando meio irritado com todas essas suas perguntas.
- Mas se você estiv...
- Shhhh — ele me interrompeu — Eu não te dei permissão pra falar. Aqui em minha casa as regras são diferentes. Eu mando, eu falo, você obedece. Mas continuando, eu já disse que responderei suas perguntas na hora certa e infelizmente essa hora não chegou. Mas, como eu sou bonzinho, vou responder uma pergunta. Você está Southtown, é óbvio que você não conhece esse lugar, porque ele, tecnicamente, não existe.
- Como assim, não existe?
- Essa é outra pergunta que irei responder depois, seja boazinha eu eu responderei. Está anoitecendo, é melhor você ir pra cama.
- Mas eu não estou com sono.
- Eu não pedi, eu mandei. Vamos, eu te levo.
Ele me levou por um corredor diferente do que eu havia vindo, nesse corredor não dava pra ver nada, só senti seu braço ao redor do meu corpo me guiando e senti seu perfume forte me envolvendo. Não sou uma desesperada por homens, ao contrário, resisto a eles. Mas, aquele homem com seu jeito mandão, seu modo de falar agressivo e seu perfume amadeirado ali me abraçando, não dava pra resistir. Ele abriu uma porta e me mandou entrar ouvi um urro e por instinto me agarrei a ele. Pude ver a malícia brincando em seus olhos. Said me empurrou contra a porta espremendo meu corpo no seu corpo, pude sentir sua excitação em me ter tão próxima.
- Está com medo? — sussurrou em meu ouvido me deixando levemente arrepiada.
- Um pouco. — eu já estava quase me entregando a ele, quando sua pele começou a esfriar.
- Desculpe, mas eu não posso te proteger. — quando ele se afastou de mim, sua pele estava congelada. Ele trancou a porta por fora e eu ouvi um grito horroroso.
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