O beijo era arrebatador, senti sua língua adentrar minha boca e o gosto era doce, mas eu também podia sentir o gosto de sangue, e isso não me impediu de corresponder. Ele ainda conectado a mim, prensava ainda mais seu corpo junto ao meu, uma de suas mãos entram entre meus cabelos e seus dedos entrelaçaram ali. Minhas pernas se apertaram mais a seu redor e eu a entrelaçar meus dedos em seus cabelos rebeldes também. Ele sugava meu lábio inferior e eu gemia entre os beijos e mordidas, ele quando sentiu que estava bem presa e firme junto a ele, levou a mão que segurava meu quadril, até minha cintura, onde apertou levemente. Senti um frio em minha barriga e suspirei de forma sôfrega.

Interrompi o beijo e ele direcionou seus beijos e mordidas, agora leves, para meu pescoço e ombro, mas era de forma carinhosa, comparada as agressões de antes. Sentia prazer, isso fez com que tomasse iniciativa em levar minha boca até o lóbulo de sua orelha e lambe-lo lentamente, senti-o arrepiar e meus ouvidos ouviram algo inédito, seu gemido rouco e provocante. Sobressaltei-me com o soco repentino que ele deu na parede que a fez estremecer, ele levantou a cabeça e me olhou, seus olhos pareciam sofrer com algo e eu quis saber o que o afligia, ou o que lhe causava dor. A mão que dera o soco na parede, desceu até minha nuca, senti uma pressão forte ali e meus olhos abraçarem a escuridão.

Minha cabeça doía parcialmente e gemi quando mexi meu corpo. Algo estava errado, tudo estava errado na verdade. Abri os olhos aos poucos e serrei as sobrancelhas, o que eu fazia em meu quarto? Tentei me sentar na cama e meu corpo protestou, ele estava completamente dolorido, parecia que eu tinha sofrido uma maratona de exercícios físicos, ou que havia sido espancada, mas de fato havia sido. Sentei-me em minha cama, o colchão macio e confortável era algo muito diferente do chão duro que havia estado na madrugada ou das almofadas mofadas. Olhei ao redor, passando a mão em minha testa e atrás de minha cabeça, onde a dor se concentrava mais, massageei ali e depois comecei a analisar meu corpo. Eu estava vestida com um dos meus pijamas, isso surpreendeu-me, olhei ao redor do quarto novamente e lá estava, minha calça jeans e minhas botas no canto do quarto, levantei-me da cama apresada, nem ligando para os protestos que meu corpo fazia.

Como ele ousava ter me usado e ter-me trago em casa como se nada tivesse acontecido ou como se eu fosse um brinquedo, que ele usava e depois me colocava de volta na estante? Olhei para o despertador encima do criado mudo, ao lado de minha cama e ele marcava, seis horas da noite. Eu havia dormido demais e ainda perdido um dia de aula, pelo menos Ai não estava em casa, assim eu não ouviria um sermão e meu pai não ficaria sabendo de algo. Suspirei irritada e serrei os punhos, caminhei lentamente até o banheiro e me despi. Olhei-me nua, na frente do espelho atrás da porta, ele pegava meu corpo perfeitamente, amostrando de minha cabeça, até meus pés. Meu corpo estava com marcas roxas por toda parte, algumas chegavam a ser azuis, mais concentradas no meu pescoço, coxas e barriga. Passei os dedos pelos hematomas e senti doloridos, mexi meus braços, os flexionando, mas eu mal conseguia os erguer sem gemer de dor, uma dor chata e que incomoda. Sabe quando você sente uma dor ao se mexer, mas parece que nada colabora pra você ficar com o corpo quieto e você tem q se mexer e isso irrita e a dor te incomoda profundamente, era exatamente assim que eu estava.

Tomei meu banho, a água quente me ajudava a relaxar, mas me sentia cada vez mais preguiçosa. Coloquei outro pijama e fui até a cozinha comer algo, meu estomago rugia pedindo por comida, acabei esquentando uma lasanha e a comi inteira. Depois de satisfeita, escovei os dentes e fui me deitar no sofá, o sono já não me dominava mais, depois de ter dormido, provavelmente, mais de doze horas, sono era algo que demoraria a aparecer. Liguei a TV, zapeando os canais, mas não estava interessada e muito menos prestava atenção nos canais que eu mudava.

Fechei os olhos, rapidamente veio flachs da madrugada anterior e todo meu corpo se arrepiou, meu coração começou a bater rápido e minha respiração ofegante. Lembrava-me de todo aquele calor insuportável e incomum que ele fazia-me sentia, me queimava e me dava prazer. Das suas mãos frias e ao mesmo tempo quentes sobre minha pele sensível, passeando e marcando todo meu corpo com seu sadismo e ignorância. Mas principalmente o que arrebatou meu coração, me fez odeia-lo e amá-lo foi seu beijo luxurioso e pecaminoso, impossível de se esquecer ou cogitar qualquer possibilidade parecida.

Acordei com o barulho do TV e olhei ainda sonolenta para o relógio digital ao lado da mesma. Eram cinco da manhã, eu precisava estar na escola as sete, eu tinha tempo de sobra. De repente meu corpo estava tão cansado que nem eu mesma tinha consciência disso, bom até aquele momento, quando me dei conta de que havia dormido de novo, Sasuke havia acabado comigo “literalmente”. Algo inconscientemente em mim fez-me a pergunta de que ele teria feito aquilo com outras garotas, senti raiva, ódio e principalmente ciúmes. Eu não tinha o direito de sentir nada, eu devia apenas o denunciar por abuso ao algo do tipo, mas quem acreditaria em mim, quando contasse que um demônio havia me maltratado e estuprado, “quase”, mas meu corpo não estava em seu estado normal, aquele monstro estava o manipulando e fazendo com que eu sentisse coisas que até Deus duvida, isso se Deus existisse para ele, o que duvidava.

Enquanto caminhava pelas calçadas da rua, olhava o chão e nem prestava realmente atenção ao atravessar as ruas. Minha mente não saia do que havia acontecido, nem mesmo o frio absurdo daquela manhã fazia me esquecer. Cheguei à escola e logo fui abordada por Ino e Hinata.

- O que aconteceu? – perguntou Ino, em sua forma escandalosa e preocupada de sempre.

- Não estava me sentindo bem ontem. – dei de ombros.

- Mas eu te liguei varias vezes. Por que não me atendeu? – franzi as sobrancelhas, não me recordava de algum barulho enquanto dormia.

- Eu não ouvi o telefone – disse a verdade, eu devia está mesmo como sono pesado, geralmente se ouvir apenas um ruído acordo.

- Nossa...- Ino ia começar a tagarelar, mas Hinata a cortou

- Você está estranha – disse séria, seus olhos pareciam um pericia ao me avaliar dos pés a cabeça e se focar em meu rosto. Engoli em seco, não queria chamar atenção, principalmente dos meus amigos, que me encheriam de perguntas.

- Impressão sua – tentei sorri, mas acho que não tive muito sucesso. O sinal havia tocado e nossos fomos pra nossa sala. Agradeci aos céus por estar frio e assim Hinata com seus olhos de águia não veria meus hematomas, minha roupas eram típicas de frio, mas resolvi colocar um casaco mais pesado e cachecol, assim poderia esconder o estrago feito em meu pescoço, só me restava rezar, para que o tempo ficasse assim durante um tempo, pelo menos até eles ficassem melhores.

- Sabe o que foi estranho? O Uchiha não deu as caras ontem também e ele nunca falta, pelo menos desde que os pais dele...- imediatamente me interessei pelo assunto. Não pude retrucar, pois entravamos em nossa sala naquele instante e o professora já nos aguardava. Avaliei a turma e meu coração falhou quando deparei com a figura, quase inanimada no fim da sala. Fiquei parada na soleira da porta o fitando, mas ele não desviava os olhos do quadro negro, como se eu não existisse ou não tivesse se dado conta de minha presença. Hinata segurou meu pulso e me arrastou até minha carteira.

Durante todas as duas aulas, controlei-me para não olhar pra trás, eu sabia que se o olhasse não me contentaria e iria i interrogá-lo de diversas formas e todos pensariam que eu era louca, então decidi por esperar até a hora do intervalo. Depois de quatro horas e meia, dentro daquela sala, tendo duas aulas completamente chatas e entediantes seguidas o sinal soou para o intervalo e instantaneamente meu coração começou a cavalgar em meu peito. Achei estranho minha ansiedade e medo, ainda mais estranho por perceber que nada mais era interessante pra mim, apenas ele, apenas ele me hipnotizava e tinha toda a minha atenção.