Não sei o que estava acontecendo comigo, jamais havia acontecido algo daquele tipo, talvez eu esteja ficando obcecada por Sasuke, mas no meu sonho não era ele, bem eu nem ao menos pude ver o rosto daquele... daquele...eu não fazia idéia do que era aquilo, o filme com toda certeza não me fez bem essa noite.

Levantei-me, ainda era cedo demais para a escola, então eu poderia me arrumar com calma. Tomei um banho quente relaxante, deixei a água quente desatar os nós em minhas costas e fechei os olhos enquanto a água caia sobre minha cabeça. Eu não queria pensar naquele sonho, mas parecia algo impossível de não acontecer, aqueles olhos vermelhos não saia da minha mente, nem aquele sorriso sádico, parecia que iria me devorar a qualquer momento. Parecia querer-me ver sofrer ou sentir a pior dor. Arrepiei-me e decide que já estava bom de banho.

Enrolei-me na toalha branca e comecei a me vestir, estava mais frio que o normal naquela manhã, então coloquei uma roupa bem quente, botas, calça jeans, uma camiseta branca e uma casaco de gola alta larga rosa claro. Deixei meus cabelos soltos e fiz uma maquiagem bem leve. Demorei um tempo extraordinário tomando café e olhando a mesa, sem realmente ver, enquanto comia minha barra de cereais.

Olhei pro relógio, distraída e já era tempo de sair, limpei tudo e peguei minhas coisas. Entrei no elevador e apertei o botão, olhava pros meus pés, ainda não esquecendo o sonho estranho. A rua estava cheia, com algumas pessoas passando para irem trabalhar, outros tiravam o carro das garagens, mulheres se despedindo carinhosamente de seus maridos, tudo muito...monótono.

Cheguei à escola e fui direto pra minha sala, vi Ino sentada encima da carteira de Hinata, conversando animadamente, eu fui até elas e as cumprimentei. Sai, Gaara e Naruto estavam em outro canto, numa rodinha de meninos, conversando sobre futebol, como sempre.

– E então Sakura, desistiu do Uchiha? – perguntou Ino dando risadinhas.

– Não. – disse ríspida.

– Sakura ele nunca fala com ninguém e...

– Hinata, não importa. Imagina se sentir sozinho? Não ter amigos e nem parente. – Hinata ficou sem graça e abaixou a cabeça.

– Ora vamos. Ele não tem amigos porque não deixa ninguém chegar perto dele. Você viu a cara dele ontem quando foi fala com ele, ele te ignorou completamente, fora que aquilo foi assustador – revirei os olhos, mas numa coisa Ino tinha razão. O olhar dele realmente foi assustador.

O professor chegou interrompendo nossa conversa e logo todos os alunos estavam se sentando em seus lugares, olhei brevemente para o assento no fundo da sala e ele estava vazio. Talvez ele estivesse doente, pois nunca se atrasa e muito menos falta as aulas, com exceção daquela vez que os pais morreram, fora isso nunca.

A aula de história começou normalmente, depois de quinze minutos ouve batidas leves na porta, o professor Iruka parou de fazer suas anotações no quadro e foi atender a porta. Todos nós ficamos olhando curiosos, mas ficamos surpresos ao ver que era Sasuke. Iruka disse algo baixo a ele que apenas assentiu, mas sem pronuncia qualquer palavra, pelo menos eu não vi os lábios dele se mexendo.

O professor abriu caminho para ele passar e assim ele o fez, passou entre algumas carteiras, meu olhos estavam vidrados em seu rosto e quando ele iria passar por mim, vi seus olhos olharem diretamente para meu rosto e eles tinham a mesma expressão de raiva do dia anterior, aquilo me chocou e irritou ao mesmo tempo.

Voltei minha atenção para o quadro, copiando os exercícios e ouvi o som da cadeira dos fundos se arrasta no piso. Tentei me manter concentrada o resto da aula, contendo minha vontade de olhar para trás.

No intervalo, não vi o Uchiha em seu lugar costumeiro e então fiquei ainda mais curiosa pra saber por onde ele andava. Ficava me perguntando o que ele pensa, o que faz quando não está na escola, se trabalha, se talvez tem algum parente ou próximo disso, um amigo fora daqui. O sinal soou e voltamos para sala e lá estava ele, sentado em sua carteira com seus fones de ouvido.

Tivemos dois tempos insuportáveis de matemática, o professor Gai, era muito elétrico e isso não ajudava muito a nos concentrar em números, mas a percepção dele é a contraria dos alunos. Olhei pra Ino a minha frente e ela parecia quase arrancar os cabelos, assim como Naruto, Hinata não parava de escrever, às vezes eu tenho inveja de sua média alta, enquanto eu me mantinha na média.

As aulas terminaram por aquele dia e fomos embora, no caminho Sai me ofereceu uma carona em seu carro novo, mas eu recusei, o que fez Ino fazer uma cara feia pra mim. Ela não gostava da ideia de eu recusar Sai toda vez e fora que ela tinha um sonho besta de manter o grupo em belos três casais, mas se isso dependesse de mim, jamais aconteceria.

– Eu preciso ir, ainda tenho que passar no mercado e comprar umas coisas. – disse a eles entediada. Despedi-me de todos e fui rumo ao mercado.

Fui andando distraída, até que senti minha boca ser tapada grosseiramente. Desesperei-me, meus olhos encheram de lagrimas e quase não via direito devido as lagrimas empoçadas nos meus olhos, eu já sabia o que era aquilo e me desesperei, sem nem ao menos precisar ver quem fazia aquilo comigo. Fui arrastada até uma rua sem saída, senti algo pontudo nas minhas costas e meu coração começou a bater mais rápido.

– Fica quietinha – disse a voz grossa do homem. Senti o hálito soprar em meu rosto e o cheiro forte de álcool me enjoo. – Passa o dinheiro e ninguém sai machucado. – assenti meio trêmula. – Vou tirar a mão da sua boca, se gritar eu corto sua garganta – não havia nenhum sinal de que ele estava blefando e novamente assenti deixando as lagrimas caírem finalmente.

Ele me soltou e eu me virei de frente para o assaltante, seus cabelos eram cinzas, estavam desgrenhados um pouco, seus olhos eram castanhos claros, estavam vermelhos e com olheiras profundas e arroxeadas. Ele me olhava meio desnorteado, hora ou outra olhando para os lados, certificando talvez se vinha alguém.

– Anda logo – gritou. Passei a mochila pra frente e abri desesperada a procura de minha carteira.

Vi por reflexo o corpo do homem ir ao chão e olhei para o assaltante com um filete de sangue escorrendo no canto de sua boca, olhei pra frente e lá estava Sasuke Uchiha. Meu coração acelerou mais ainda, eu respirava ofegante aliviada por não estar mais sozinha e por ele ter me ajudado. O meliante se levantou cambaleante do chão e mostrou o canivete nas mãos, olhando divertido para Sasuke, que não expressava nenhuma reação de medo.

O homem correu na direção de Sasuke e tentou o golpear com o canivete, levei a mão no rosto, tampando os olhos assustada e quando os abri vi o homem sendo erguido facilmente pelo pescoço, ele segurava o pulso de Sasuke, tentando se soltar e eu tinha os olhos arregalados, imaginando de onde ele tinha toda aquela força. O rosto do homem de branco já estava ficando roxo e os olhos quase se fechando.

– Pare – pedi desesperada, mas ele continuou, apertando mais. As pernas do homem já não se sacudiam mais e os braços caíram fracos. – Pare, por favor, você vai matá-lo. – larguei minha mochila no chão e tentei fazer com que ele largasse o pescoço do assaltante, tive sucesso, mas estranhei. Assim que toquei em seu braço, automaticamente parecia termos levado um choque e por reflexo ele soltou o homem que caiu tossindo do chão.