Monster - EM REVISÃO
4 Ignorância

Eu estava ofegante e o encarava com os olhos marejados, seus olhos estavam tão negros quanto o céu a noite, prestas a dar inicio a uma tempestade. Suas sobrancelhas se curvaram pra baixo e faziam o par perfeito para seus olhos furiosos.
– O-o que é você? – perguntou o homem caído no chão, suas mãos massageavam sua garganta e os olhos do mesmo estavam vermelhos e úmidos.
Sasuke desviou os olhos de mim e o olhou de forma desafiadora, achei que finalmente iria ouvir sua voz, mas o homem se levantou cambaleante e meio desesperado, saiu correndo sem dizer qualquer outra palavra. Ficamos sozinhos e um vento frio passou ali, sacudindo meus cabelos e os dele levemente, o clima ficou pesado, como sempre ficava quando eu estava perto dele e eu senti todas aquelas sensações agonizantes novamente, sufocante.
Sasuke fez algo que me surpreendeu e foi tão repentino que eu me assustei. Deu um passo em minha direção e sorriu de canto, mas seu sorriso era sombrio e sádico, eu dei um passo pra trás e fomos assim, até eu me encostar à parede, ficando sem saída. Meus olhos estavam vidrados em seu rosto e tremi quando sua mão foi rapidamente ao meu pescoço, me prendendo mais ali, contra a parede. Eu queria falar, gritar e pedir para que ele me soltasse, mas nada saia de meus lábios, apenas minha respiração.
Sasuke chegou o rosto perto do meu e inclinou a cabeça de lado, de forma confusa, meu peito subia e descia com minha respiração acelerada. Fechei os olhos, quando seu rosto se aproximou mais, eu podia jurar que ele ira me beijar, mas ele colocou o rosto na curva de meu pescoço e roçou os lábios ali e inspirou, levantou mais a cabeça e cheirou meu cabelo.
A respiração dele era quente e seus lábios frios, me arrepiei quando ele voltou a fazer o mesmo caminho de antes, mas mais lentamente. Sua mão apertou meu pescoço e por reflexo levei minhas mãos até as dele, tentando tirar, estavam duras, como se estivessem vincadas ali.
Gemi de dor, o que o fez colar seu corpo mais ao meu. Abri os olhos desesperada, eu puxava o ar, mas ele não vinha e minha força já estava se esvaindo. Porque ele estava fazendo aquilo comigo? Ouvi o suspirar e depois me soltar, cai no chão sentindo as pernas fracas e o olhei confusa, sem saber o porquê de tudo aquilo. Ele só podia ser louco.
– Qual o seu problema? – perguntei, minha voz parecia fraca e de fato estava.
Esperei, para que talvez ele me respondesse, mas ele começou a olhar de um lado para o outro. Voltou a olhar pra mim ficou em sua pose séria de sempre.
– Você – disse entre dentes.
Sua voz era tão fria e rouca. Se eu soubesse que eu sentiria uma pontada no peito tão forte quando ouvisse finalmente sua voz, talvez eu não gostaria que aquele momento chegasse, mas ali estava eu. Agora ainda mais apaixonada por aquele que eu nem conhecia, que me dava às costas e me deixava caída ali no chão sozinha.
Depois de o ver sumir de minhas vistas eu ainda fiquei ali, encarando o caminho que ele havia feito. Recobrei a consciência e tentei me levantar, me apoiando na parede, peguei minha mochila e andei sem nem ao menos saber para onde realmente ia.
Na manhã seguinte eu acordei atrasada, muito diferente do dia anterior, minha noite foi péssima e quase não dormi. Havia fracas olheiras no meu rosto e meus olhos denunciavam a noite mal dormida, por sorte Ai estaria aqui hoje e eu não precisaria fazer meu café da manhã, mas pela hora nem isso eu poderia fazer já que os minutos estavam contra mim.
Arrumei-me, colocando uma roupa qualquer, não tinha tempo nem de escolher algo mais elaborado, fui até a cozinha, comi uma torrada e bebi um copo de leite, sendo repreendida pela senhora de sessenta e cinco anos, por comer muito rápido e não comer outras coisas, mas para não desapontar Ai, peguei uma maçã e lhe disse que comeria no caminho.
Eu praticamente corria pelas calçadas e atravessava algumas ruas feito um foguete, impaciente quando o sinal fechava. Depois de quinze minutos cheguei à escola e fui direto para minha sala, pro meu azar a professora de sociologia já tinha começado a aula. Respirei fundo e dei três batidas leves na porta. A professora Anko me olhou confusa, pois aquilo nunca havia acontecido.
– Desculpa professora, ouve um imprevisto – ela me olhou desconfiada, mas me deixou entrar, alegando que somente iria me deixar entrar por ser uma boa aluna.
Fiz o que não devia fazer, eu tentei me controlar, mas acabei olhando para o fundo da sala e ele olhava pra mim, me analisando, mas depois desviou os olhos e eu fui me sentar. Ino e Hinata me olharam confusas, e eu sabia que isso significava que no intervalo elas iriam me encher de perguntas.
A aula correu normalmente, menos o fato deu estar sentindo o olhar frio de Sasuke em minhas costas. Eu gostaria tanto de conversar com ele, e ouvir sua voz novamente, mas acho que isso irá demorar pra acontecer novamente.
Tantas perguntas a fazer e depois de ontem, novas se formaram em minha cabeça. Como eu poderia ser o problema dele? O por quê dele ter feito aquilo comigo e o por quê de ter me ajudado se eu era o problema? Pensando nisso eu me lembrei de algo que eu não fiz e seria uma oportunidade perfeita de tentar algo novamente.
Depois da segunda aula, eu praticamente corri para o intervalo e nem esperei as meninas, mas eu precisava concluir meu plano. Não peguei nada pra comer, fiz algo que alguns alunos me olhavam espantados, mas ninguém veio retrucar, nem mesmo as meninas quando me viram sentada no lugar de Sasuke no refeitório. Acho que ele era algo que elas não poderiam falar ou questionar, já cansadas disso e acho que finalmente perceberam que eu só iria parar quando tivesse minhas respostas.
Sasuke adentrou o salão e eu podia jurar ter visto uma veia saltar em sua testa e seus punhos se fechando. Ele me ignorou e saiu do refeitório, passando pela porta que dava para o campo. Fiquei olhando indignada, mas eu não deixaria ele me ignorar novamente, não mais.
Levantei-me revoltada da cadeira, que fez um som chato ao ser arrastada brutalmente no piso. Marchei até a saída e nem olhei pra trás pra ver os rostos de meus amigos decepcionados e dos outros alunos curiosos.
Andei por todo campus, mas não o encontrei em lugar nenhum. Parei na parte mais afastada do prédio escolar e me sentei no chão gramado, perto de uma arvore seca que havia ali. Olhei pra arvore e ela fazia o par perfeito, combinando exatamente com o céu nublado, carregado de nuvens cinza, o cenário perfeito para um filme de terror. O vento gelado denunciava que estava frio demais para chover e provavelmente o tempo ficaria daquele jeito por muito tempo. Apesar do ambiente gótico eu gostei dali, era relaxante e acalmava os meus nervos.
– Fica longe de mim – olhei atônica na direção da voz que me assombrou durante toda noite e lá estava ele, mais lindo e misterioso do que nunca.
– Por quê? – finalmente consegui dizer algo, mas seu rosto ainda era composto por uma mascara sem nenhuma brecha de que iria rachar. Continuava perfeita e impenetrável. Ele iria me dar às costas, mas eu me levantei rapidamente e tive coragem para segurar seu braço – obrigado – disse séria. Senti-o travar com minhas palavras.
Fale com o autor