Monster - EM REVISÃO
6 Ansiedade
Cheguei em casa e liguei o computador, enquanto ligava, fui até a cozinha ver o que Ai havia preparado. Na geladeira havia um bilhete, com letras bem desenhadas, mas modéstias, ai dizia que o almoço estava dentro da geladeira e disse que só voltaria no sábado. Suspirei. Mais três dias sozinha em casa, esperava que pelo menos meu pai chegasse logo.
Coloquei a comida no micro-ondas e fiquei vendo a rodar enquanto era aquecida, por nervosismo ou talvez ansiedade, comecei a bater o pé no chão. Fiquei ali parada, apenas batendo o pé e pensando na minha manhã. Os olhos negros e inexpressivos de Sasuke me encarando confusos, suas mãos me apertando contra seu corpo, seu nariz rosando em minha pele sensível.
O do “bip” do micro-ondas anunciou o termino do aquecimento e eu bati a mão no balcão irritada por ter sido interrompida e por estar pensando naquilo, mas em geral era preciso, pois eu ainda tinha que me encontrar com Sasuke às uma da manhã. Tremi, me lembrando disso e suspirei, peguei meu almoço e o depositei ali mesmo no balcão, peguei um garfo e me puis a comer ali mesmo, em pé.
Quando terminei meu almoço, lavei tudo e deixei secar ali na pia, fui até meu quarto me arrastando, o computador já devia estar a todo vapor. Fechei algumas janelas desnecessárias e coloquei o MSN para rodar no modo invisível, peguei meu pijama mais confortável, uma calça de moletom e uma camiseta de mangas curtas, fui tomar um banho quente pra relaxa.
Era estranho o fato deu morar com meu pai, eu praticamente me sinto morando sozinha, já que era assim que eu sempre estava na maioria das vezes. Ultimamente eu não saia mais com minhas amigas, festas já não faziam mais sentido. Pra que, ou melhor, para quem eu me arrumaria e ficaria linda? Eu sabia que Sasuke jamais iria aparecer em nenhuma daquelas festas ou boates, mas agora eu tinha consciência disso e já não via mais um por que.
Meu pai apesar de ser um bom homem, nunca foi um pai presente e sempre tentou compensar sua ausência com presentes, hoje em dia ele compensava pagando meu cartão de crédito. Seu trabalho exigia que ele viajasse bastante, ele era o vice-presidente de uma empresa que transportava alimentos e ganhava muito bem, mas como ele diz: “Precisa-se batalhar bastante para chegar aonde ele chegou”.
Minha mãe morreu quando eu tinha oito anos e não me lembro muito dela, lembro que ela lia pra me fazer dormi e acariciava minhas costas com as pontas do dedo, me lembro vagamente de seu sorriso e de seus olhos gentis e amorosos. Algumas coisas se tornaram uma neblina na minha mente e ficava com dor de cabeça de tentasse força muito minha memória. Meu pai fala que ela me amava muito e que eu era sua vida, infelizmente ela morreu de câncer e já não pode agüentar o tratamento. Lembro-me que senti muito sua falta e me afastei bastante das pessoas durante um tempo, mas com o decorrer dos dias fui superando a perda. Costumo pensar e acredito que ela esteja em algum lugar olhando por mim e me protegendo e isso me confortava.
Terminei meu banho, me enrolei na toalha, o vapor da água quente enchia todo o banheiro e o espelho que havia ali estava completamente embaçado, passei a mão para poder ver meu reflexo e fiquei me olhando durante alguns segundos, instintivamente, peguei minha escova e comecei a escovar os cabelos molhados, separei alguns nós com os dedos e fiz força algumas vezes para que ele ficasse desembaraçado, por alguma razão ele estava mais embolado do que o normal, talvez seja pelo efeito do vento que teve hoje à tarde.
Finalmente já estava liso, laveis as mãos e peguei minha escova de dente e o creme dental, comecei a escovar os dentes, entediada, meus olhos pareciam cansados e abatidos, preocupados, mas eu não me lembrava de me sentir assim. Quando terminei tudo que devia coloquei minha roupa e fui pra frente do computador, procurando meu pai, graças aos céus ele estava online e eu pude iniciar uma conversa nada interessante com ele. Foi tudo muito banal, como: “como eu estava, se precisava de algo, como vai ia escola, as notas, os amigos, etc.” Respondi tudo monossilabicamente, como sempre ele exigiu eu ligasse a webcam e pudesse me ver realmente, eu levava essa atitude como para checar se eu estava inteira e não tivesse me metido em uma briga com facas.
Quando finalmente me despedi do meu pai, me senti aliviada, mas a pressão do ar começou a ficar mais pesada. Sabe aquela sensação de ansiedade que você sente quando esta prestes a fazer algo estúpido ou muito radical? Pois é, eu estou me sentindo assim.
Por alguma razão meu corpo também começou a ficar mais pesado e me joguei na cama, nem mesmo fechei as janelas do meu quarto e isso fazia com que o vento gelado do fim de tarde entrasse, mas até que era bom.
A cama nunca pareceu tão macia, quente e aconchegante como naquele momento, parecia que alguma coisa estava me puxando para ela e eu realmente não queria e jamais pensaria em dormi naquele dia, mas eu não consegui, me senti leve demais e muito relaxada der repente, estranhamente extasiada.
Acordei cansada, como se tivesse corrido uma maratona, não conseguia me lembrar se havia sonhado com algo, mas minha cabeça estava um caos. Olhei para o relógio digital que ficava encima do criado mudo, ao lado da cama e ele marcava meia noite e meia. Como eu poderia ter dormido tanto assim? Levantei desajeitada da cama e corri para o guarda roupa, coloquei uma calça jeans, uma camisa lilás de mangas cumpridas, um cinto preto, minha bota de cano longo, que ia até os joelhos da cor preta. Corri para o banheiro e fiz uma maquiagem leve, nada muito elaborado, pois estava atrasada, penteei os cabelos apressadamente e os deixei soltos.
Peguei minha bolsa e coloquei meu celular no bolso de trás da calça, dei uma ultima olhada no espelho e assenti. Meu coração estava a mil e eu ofegava, tranquei a casa e desci as escadas rapidamente, o vento frio da madrugada era ainda mais cruel do que de dia, me abracei e percebi que havia esquecido o casaco, olhei para meu andar e suspirei, já não tinha mais tempo, bate o pé e dei de ombros, comecei a andar na direção daquele lugar apavorante.
Alguns carros passavam nas ruas e algumas pessoas também passavam, na sua maioria homens abraçados a namoradas ou prostitutas eu julgava pelas roupas. Eu andava rapidamente pela calçada, o frio me deixava arrepiada e meu nariz parecia cair a qualquer momento, ele deveria estar mais vermelho que um tomate maduro, ou mais gelado que um cubo de gelo. Um engraçadinho ficou me acompanhando com o carro do meu lado, me perguntando se eu aceitava uma voltinha, eu nem mesmo olhei para o atrevido, mas respondi com um “não” enraivecido.
Finalmente cheguei naquele lugar horrendo e olhei por todos os lados, procurando talvez alguém que tivesse me seguido ou outro assaltante, mas não vi ninguém. Peguei o celular no bolso para olhar a hora e lá marcava três minutos para uma da manhã. Pelo menos não cheguei atrasada.
Caminhei até o lado esquerdo daquele beco, onde o vento não batia para me aquecer. Comecei a pensar na possibilidade do Sasuke me dar o bolo e tudo isso tenha sido em vão, fui deslizando as costas na parede, até me sentar no chão, abracei minhas pernas, na tentativa de me esquentar, ouvi o som de sirenes da policia ao fundo e tive medo de estar acontecendo algo muito perto.
- Garota medrosa – engoli em seco com o som daquela voz. Percebi naquele momento de que tudo agora não tinha como voltar à trás, mas eu queria muito mais, eu queria...muito mais dele.
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