Monster - EM REVISÃO
2 Pressão

Durante o resto das outras aulas eu nem cogitei a déia de olhar para o fundo da sala, como ele podia ser tão grosso assim com as pessoas, eu só queria puxar assunto e ajudar, mas ele me ignorou. Pra variar ainda tive que ouvir risadas e piadinhas de meus amigos, mas isso não iria ficar assim.
Finalmente as aulas haviam acabado e eu poderia ir pra casa e pensar no que eu poderia fazer a respeito das coisas. Despedi-me das meninas e de Naruto, pois Gaara e Sai continuaram me enchendo tanto que eu nem lhes dei um simples aceno.
A escola não ficava tão longe de minha casa, bom na verdade apartamento, eu morava em um prédio de quatro andares e meu apartamento ficava do terceiro andar. Minha mãe morreu quando eu ainda era muito nova e meu pai viajava muito a trabalho, quase nunca nos víamos, eu praticamente morava sozinha, a não ser pela faxineira que ia lá três vezes à semana.
Estávamos no outono e ventava bastante naquela época do ano, mas até que eu gostava do solzinho fraco e do vento gelado, me deixava relaxada. O céu naquele dia estava nublado e a temperatura havia caído bastante, me abracei e esfreguei minhas mãos nos braços para me aquecer.
As ruas estavam desertas, o que era estranho, mas deduzindo pelo frio que havia começado a fazer, ficar na rua perambulando não era uma boa opção. Senti um calafrio percorrer minha espinha e olhei pra trás temerosa, um frio na barriga me ocorreu, Sasuke Uchiha estava alguns passos atrás de mim, naquela rua fria e deserta, com seu rosto frio e sem expressão.
Engoli em seco, talvez ele fosse querer se vingar por eu ter ido falar com ele, mas isso não era nenhum crime não é? Talvez para ele fosse. Tive vontade de correr primeiramente, meu coração nunca havia ficado tão acelerado daquele jeito, parecia que iria sair pela boca a qualquer momento. O ar estava pesado e eu podia jurar sentir uma pressão na minha cabeça, eu estava suando frio e tive vontade de gritar, na tentativa daquela sensação horrível passar.
Apertei os passos, eu não podia falar com ele, não naquele momento, eu estava com medo, finalmente com medo dele. Então era assim que todos na escola se sentiam quando olhavam pra ele? Entendo agora porque eles o ignoram, talvez essa fosse a coisa certa para eu fazer também. “Não” eu me recusava a perder assim, tão facilmente, sem nem ao menos lutar, se é que aquilo era uma luta realmente, talvez psicologicamente sim, mas eu estou disposta a arriscar.
Respirei fundo e fechei os olhos brevemente, voltei a olhar pra trás, mas ele não estava mais lá, fiquei confusa e parei de andar. Olhei por toda rua e a calçada por onde eu havia passado e nada, respirei pesadamente, me senti aliviada, mas também decepcionada. Comecei a andar novamente, olhando para o chão, olhava para meus pés, mas sem realmente vê-los, eu pensava em como ele fazia as pessoas sentirem aquilo. Dei de ombros, talvez seja algo da minha cabeça, eu devo estar obcecada com isso e crio ilusões.
Cheguei em casa e fui logo tomar um banho quente, pra relaxa. Como sempre estava sozinha em casa, nem mesmo Ai estava lá, a faxineira. Comi alguma coisa, fiz meu dever de casa, sentei no sofá da sala pra ver algum filme e um de terror acabou chamando minha atenção, mas quando terminou não me pareceu uma boa ideia ter assistido. Acabei ficando com aquela sensação de estar sendo observada ou que a qualquer momento iria ser atacada por algum psicopata ou anomalia.
Fui pro meu quarto e me aconcheguei na cama, o filme tirou completamente meu apetite e eu não iria jantar. Senti minhas pálpebras pesarem e o logo dormi.
Abri os olhos lentamente, mas não havia a claridade que eu estava acostumada a ver quando acordava pra ir à escola, estava tudo escuro. Eu também não estava no meu colchão macio, estava deitada em algo duro e frio, passei a mão ali e senti que era madeira e havia cacos de vidro envolta de mim.
Tentei me levantar e meus olhos foram se acostumando com a escuridão e aos poucos eu podia distinguir algumas coisas. Eu estava em uma sala, de estar, havia dois sofás velhos e um pouco rasgados, tinha uma janela e um raque sem sustentar qualquer TV ou aparelho de som, parecia velho também, a cortina que cobria a janela estava em farrapos e podia se ver ou pouco do céu, estava noite ainda e entrava um pouco de luz, mas nada que pudesse iluminar o lugar realmente.
Caminhei até a porta, a maçaneta estava empoeirada e pro meu azar a porta estava trancada. Desisti depois de um tempo insistido em abri-la à força, olhei em volta e vi uma escada. Eu estava descalça, então caminhei lentamente, tomando cuidado para não cortar os pés nos cacos de vidro espalhados pelo chão.
Subi, degrau por degrau, lentamente me apoiando na parede, cheguei ao topo e fiquei em um corredor com três portas, á ultima porta, no final do corredor me chamou atenção de um jeito hipnotizante, como se ela estivesse me chamando para ela, para que visse o que estava ali dentro. Caminhei como uma boba, ou parecida como uma criança inocente e completamente idiota, prestes há fazer algo muito errado.
Senti a mesma sensação de antes, quando Sasuke estava atrás de mim, a mesma pressão no ar, o coração acelerado e as gotas de suor estavam dando sinal de vida no meu rosto, mas mesmo assim eu não parei. Meu coração falhou uma batida quando toquei na maçaneta da porta, respirei fundo, senti cheiro de algo queimado, como papel, talvez. Engoli em seco e abri a porta lentamente.
Não havia nada ali, apenas lençóis rasgados, ali podia se ver a lua um pouco e sua luz iluminava levemente o quarto. Havia um quadro na parede, estreitei os olhos para ver melhor, mas não consegui, estava muito distante, entrei no quarto e caminhei até o quadro. Ele estava rasgado, havia rostos rabiscados, levei a mão até a parte rasgada e fiz menção de levantá-la para completar o quadro, mas algo me puxou com violência, me fazendo bater com as costas na parede.
A porta se fechou bruscamente, meu corpo não caiu no chão, parecia que algo me mantinha em pé ali, mas me sufocava ao mesmo tempo. Minha respiração estava ofegante, meu coração já não estava mais acelerado, mas sim com batidas lentas, porem fortes.
– Você não devia estar aqui – ouvi uma voz grossa e fria encher o quarto, meus olhos marejaram e eu não soube o porquê de estar com vontade de chorar.
– Q-quem é você? – perguntei. Mesmo não podendo enxergar nada, e as lagrimas em meus olhos não ajudava muito.
– Não vai querer saber – havia diversão na voz dele e deixei as lagrimas finalmente caírem.
– Por que eu estou aqui? – minha voz estava fraca
– Boa pergunta, mas um pouco idiota pra uma garota que sempre acha que tem as respostas de tudo.
– Por que está fazendo isso comigo, me deixa ir embora. Por favor – supliquei, meu soluço saiu involuntariamente de minha boca, as lagrimas molhavam meu rosto.
– Mas eu não estou te segurando – sua voz ficou mais grave que o normal.
Minha cabeça foi forçada pra cima e bati levemente na parede, gemi e quando abri os olhos vi um sorriso debochado, branco e com presas, como...como as de um vampiro, mas não foi aquilo que me assustou, foi os olhos vermelhos e transbordando puro ódio. Não vi rosto, apenas o sorriso sádico e os olhos sangue. Por fim, fiz uma coisa que estava me sufocando e nunca me pareceu tão certo como naquela hora. Gritei, gritei desesperadamente, até que finalmente acordei.
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