Monster

3 Capítulo 3


Notas iniciais
Primeiro eu quero pedir desculpas por ter demorando um pouco a postar esse capítulo, mas eu posso me justificar. Bom, primeiro o Nyah ficou naquela fase de manutenção um bom tempo, e durante esse período o meu computador resolveu não pegar mais, e bom foi àquela correria para poder consertá-lo até que eu consegui. Então o Nyah voltou assim como meu computador, mas como eu sou a pessoa mais “sortuda” desse mundo minha internet também resolveu não pegar mais. Mas finalmente todas as coisas resolveram voltar aos eixos novamente hoje, e aqui estou eu. Quero agradecer a todos os reviews que recebi nesse longo período que fiquei afastada daqui, muito obrigada mesmo. Boa leitura!

—Eu tenho algumas roupas antigas do meu pai, elas ainda estão em bom estado, caso você queira eu posso te dar, receio que meu pai não as queira e nem vai vesti-las mais. – explicou ela.

Ela estava sentada ainda ao seu lado, mas de uma maneira mais relaxada e falava como se conhecia ele há anos e fosse um simples amigo. Por outro lado, ele acha um tanto estranho, não tinha uma verdadeira conversa com alguém há tempos e falar com uma pessoa finalmente parece ser um tanto constrangedor. Sua mente estava longe, aonde ele se acharia. Mas aonde?

—Não precisa. – disse ele.

—É claro que sim, ele não vai se importar. Meu pai já não é mais ele faz tempo, e a única coisa que se importa é com bebidas. – disse ela inesperadamente que se culpou logo em seguida. Não poderia está falando sobre isso com ele, ele não precisava saber. – Desculpe você deve está me achando uma chata contando sobre minha deprimente vida, eu prometo que vou parar.

—Não, tudo bem. – respondeu de forma neutra. – Eu sinto muito por isso.

Ela assentiu positivamente quase que de forma automática e depois de segundos um silêncio monótono se instalou entre eles.

—Você não tem casa? – ela arriscou perguntar.

—Não. – ele disse quase sem som.

Ela parou para pensar uns segundos tentando buscar uma solução.

—O galpão não é muita coisa, se você tiver procurando um lugar eu acho que você pode ficar aqui temporariamente. — ela sugeriu. – Isso está abandonado há tantos anos, eu não acho que eles vão querer essa espelunca agora.

—Mas eu não posso ficar, tenho que continuar o que eu estava fazendo. – ele disse.

—Bom, foi apenas uma sugestão. – disse Beliza levantando. – Eu preciso ir agora.

—Pegue o seu moletom! – disse ele quase o retirando.

—Não, você pode ficar, precisa mais do que eu. – respondeu de maneira gentil.

Ela já estava caminhando para a saída quando ele a interrompeu.

—Eu acho que posso ficar essa noite aqui. – ele disse. Ela sorriu como reposta para ele e continuou andar.

Mal ele sabia que estava sendo observado, e coisas nada boas estavam por vir.

Ao chegar à minha casa, fui obrigada a ver uma cena que já vinha se repetindo há meses, meu pai que estava jogado no chão com uma garrafa vazia de cerveja. Isso não era uma surpresa, ultimamente isso se tornou parte da minha rotina. Eu nunca havia me preocupado em tirá-lo de lá, mas algo me fez ir desta vez. Eu tentei carregá-lo, mas ele era o dobro do meu peso e com muito esforço fui arrastando-o até o seu quarto e o joguei em sua cama.

—Nós poderíamos está evoluindo desta vida medíocre, se você me ajudasse. – murmurei mesmo sabendo que ele iria ouvir.

Voltei até a pequena cozinha e o seu estado não era dos melhores. Havia várias garrafas secas de cerveja por todo lado – garrafas que ele comprava com um dinheiro que ele havia guardado, pois do meu não seria – o chão estava grudento e e o odor era pútrido. Como eu já que estou de férias poderia muito bem fazer uma pequena faxina ali. Demorou algumas horas e finalmente eu pude descansar sabendo que pelo menos por um momento meu pequeno apartamento estava limpo.

Então quando eu já estava pronta para dormir, minha mente se voltou ao homem que estava no galpão. No escuro nem pude ver muito bem pelo seu rosto, mas talvez seja o seu cabelo grande e sua barba por fazer. Pensei em como ele está sozinho e sem nada, nem sabe seu nome e não tem uma moradia. O que de verdade poderia ter acontecido com ele? Tentei esquecê-lo, mas lembro-me de seu olhar sombrio. Um arrepio passou pela minha nuca e depois de um tempo eu finalmente adormeci.

O loiro andava apressadamente para o lado de fora do que restou da S.H.I.E.L.D, Sam ia ao seu lado tentando acompanhá-lo. O moreno estava tentando convencer Steve que a sua ideia de procurar seu amigo era em vão e não valia à pena, agora o Bucky Barnes era o Soldado Invernal e não havia nada que ele pudesse fazer para mudar isso. Mas ele pensava diferente, o homem em questão era o seu antigo melhor amigo, é a vida dele que está em jogo, e ele não o deixaria para trás nem nas piores hipóteses.

—Ele parece ser muito importante para você mesmo. – disse Sam.

—Sim. – Steve disse um tanto nostálgico relembrando-se das inúmeras vezes em que Bucky o ajudou. – Ele me ajudou quando eu estava sem nada e sozinho. E agora ele está e é a minha vez de ajudá-lo.

—Mas ele tentou te matar, Steve, tem certeza que isso vai dar certo? O que você pretende fazer quando achá-lo? – ele perguntou.

—Sam, ele é meu melhor amigo. – o Capitão disse pausando os seus passos. Eles já estavam do lado de fora do velho galpão. – Por um minuto eu pude ver que ele estava ali, que o Bucky estava ali, mesmo com aquele braço de metal e com as mudanças que fizeram com ele. E eu preciso achá-lo, você sabe que ainda há bases secretas que ainda estão sendo manipuladas pela H.I.D.R.A e eles estão atrás dele assim como Nick e o que restou da S.H.I.E.L.D, e eu vou achá-lo antes, pois eu sei que o que pretendem para ele não é nada bom.

Sam suspirou profundamente como se houvesse desistido de tentar convencer balançando a cabeça em sinal negativo enquanto Steve apenas dava de ombros e seguia o seu trajeto.

Eu vou está com você até o final da linha.

Acordei-me assustado, o suor que escorria por todo meu corpo grudava as roupas na minha pele e também por estarem úmidas da chuva do dia anterior. O sonho que tive foi mais uma lembrança depois que vi aquele homem, as últimas palavras deles pairavam pela minha mente já fazia dias e me assombravam todas as noites com flashes de acontecimentos que eu não me lembrava. Eu estava ao seu lado, eu lutava com ele, não contra ele. Esfreguei as mãos nos meus olhos tentando me despertar por completo, até eu ouvir um murmúrio não muito longe. Eu corri e me escondi sobre uma coluna.

—Você tem certeza que o viu aqui? – disse um homem, ele estava de terno preto e falava com outro ao seu lado.

—Sim, chefe, eu o vi bem aqui. – ele respondeu confiante.

Provavelmente estavam falando de mim, sei que Alexander Pierce tinha seus aliados, deveria ser um deles ali. Eles estão a minha procura.

—Bom, eu não estou vendo ninguém. – disse o homem de terno. — Revistem o lugar.

Havia mais dois homens junto a eles e eles começaram andar por dentro do galpão, eu procurei algo para me esconder até achar uma porta escondida no canto que era quase imperceptível. Eu entrei sem fazer barulho, era um banheiro em um péssimo estado, fiquei até eles irem embora. Ouvi seus passos se cessarem e o ronco de carro disparar pelo lado de fora. Suspirei e saí do recinto encontrando inesperadamente alguém.

Acordei-me cedo naquele dia, fiz uma pequena muda de roupas e caminhei até o banheiro. Tomei um demorado banho, fazia tempo que eu não tinha tempo para pensar em mim mesmo, pois sempre estava com a mente ocupada pelos problemas do cotidiano: trabalho, casa, pai... Tudo o que sempre me atormenta. E eu me perguntei: E eu? Eu tenho uma vida, deveria usá-la de forma adequada, para de preocupar com tudo ao meu redor e me preocupar comigo.

Lembro-me de uma vez em que ouvi em algum programa de televisão que você tinha três opções sobre a vida: Primeira: Você poderia viver sem extrapolar limites, mas assim não teria emoções e isso a tornaria monótona; segunda: você poderia fazer o que quiser, passar os limites sem ao menos pensar nas consequências, mas assim você perderia sua vida cedo; terceira – e mais sensata de todas: viver no meio termo, você poderia fazer tudo na medida sem ultrapassar limites e sem voltar neles. Incrivelmente, eu gostava bastante da segunda opção.

Saí do banheiro já vestida enquanto passava a toalha sobre o meu cabelo. Ouvi alguns murmúrios vindos da cozinha, seguidos de barulho de pratos e talheres batendo uns nos outros: Pai. Ignorei seja lá o que ele esteja fazendo, sei que ainda está com a ressaca de ontem como está todos os dias, e caminhei até o seu quarto. Lembrei-me de que havia prometido ao homem – que eu ainda não sei o nome-, que levaria algumas roupas para ele. Abri a porta cautelosamente ouvindo a ranger sobre o chão de concreto. O cheiro era quase insuportável, algo como cerveja, suor, e algum outro tipo de bebida alcoólica tudo junto. Abri o pequeno guarda-roupa onde havia várias roupas espalhadas, nada organizadas, abri a parte de cima e vi que ainda restavam algumas, estavam impecavelmente dobradas indicando que ele não tocava nelas há anos, me inclinei um pouco para poder alcançá-las e as peguei, mas minha mão esbarrou em algo, uma caixa, deixei as roupas em cima da cama e me inclinei novamente para saber o que era. Nunca fui de vasculhar as coisas dele, nem sequer havia entrado nesse quarto há muito tempo, mas algo me fez querer saber o que estava nela.

Ela era de um tamanho médio, branca na parte de baixo e com a tampa preta, feita de um papelão mais sustentável, sentei na cama e a abri. Havia alguns documentos empilhados, mas uma coleção de fotos ao lado, fotos nossas, da nossa família. Ao ver aquilo, eu me senti totalmente vulnerável, há tempos não via o rosto dela e as memórias vieram a minha mente como um soco na barriga.

A pobre menina soluçava tanto que quase não conseguia respirar. Viu o seu pai tacar a televisão com força na parede e aquilo a assustou. Ela havia ouvido alguns gritos enquanto estava no seu quarto, mas era apenas uma criança e não entendia nada.

—Papai, onde está a mamãe? – sua voz soou trêmula, poderia ser apenas uma criança mas sabia que havia algo de errado.

—Ah, Beliza... – ele arfou. –Ela se foi. – disse ainda de costas para a filha.

Ela então chorou ainda mais, suas pequenas mãos estavam quase grudadas no seus olhos e ela caiu no chão. O seu pai se virou fitando-a daquele jeito tão fraco, ele caminhou e parou seu lado, havia lágrimas em seus olhos também, mas ele não pode consolá-la estava tão fraco quanto à menina. Ele continuou em passos fracos até o sue quarto e o trancou. Beliza se levantou e correu para onde o pai foi. Gritou desesperada na porta, batendo com toda a sua força, o que não era muito, mas ele não respondeu para ela.

Eu senti que aquele foi o último dia da minha vida, nada depois daquilo me fez ter razões para continuar viva, mas eu também não desisti. Não percebi que já não continha mais as lágrimas, então eu guardei tudo e devolvi a caixa para o seu lugar e saí do quarto. Peguei algumas coisas básicas que eu achei que ele também fosse precisar e trouxe comigo. Meu pai estava na sala, suas mãos estavam em sua cabeça.

—Que dor de cabeça! – ele disse com a voz rouca.

—Eu vou sair agora. – disse.

—Tão cedo assim?

—Sim, e já estou indo. – respondi.

—O que é isso? – perguntou apontando para minhas mãos que estavam com as roupas.

—Nada. – disse as colocando para trás de mim. –Apenas algumas das minhas roupas velhas que eu vou levar para um abrigo.

Ele apenas assentiu e eu saí logo em seguida. Andei até o galpão na outra rua, assim que dobre a esquina um carro preto passou por mim, elegante demais para alguém que more nessa área com certeza não é daqui, ignorei isso e segui em frente. Entrei no galpão discretamente e procurei saber onde ele estava, como a outra vez eu não o achei, caminhei pelo local e assim o vi saindo de um porta que havia ali.

—Ah! – disse surpresa. – Você está aí.

Ele assentiu positivamente, mas seus olhos pararam bem na muda de roupas que estava nas mãos da moça a sua frente.

—Eu trouxe isso para você, como eu disse,são apenas algumas peças de roupas e escova de dente, e outras coisas que eu achei que você fosse precisar. – coloquei sobre suas mãos.

—Muito obrigado. – ele disse em resposta. Era incrível como seu rosto era tão inexpressivo, mas eu penso que isso seja de propósito, como se ele não quisesse que eu soubesse o que ele poderia está pensando.

Assenti positivamente com um sorriso.

—Eu vou sair daqui hoje. – ele disse.

Você quer ir embora? A pergunta apareceu na minha mente, mas não tive coragem de dizê-la. O que eu esperava que ele ficasse para sempre aqui? Não.

—Está bem. – disse. – Espero que encontre o que esteja procurando.

—Eu também. Obrigada por tudo. – disse.

—Você me salvou primeiro, lembra? – disse em um tom divertido, e ele não se conteve dando um sorriso de lado. Nós demos um aperto de mão e saímos de lá. Eu para um lado e ele para outro.

Minha consciência estava tão leve, eu ajudei quem me ajudou. Mas algo em mim me dizia que havia algo faltando. Algo relacionado àquele homem.

Notas finais
Gostaram? Eu sei que está meio assim sem ação, mas prometo que terá nos próximos capítulos. Até breve! Reviews?