Monster
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Ele já estava pegando a estrada em plena manhã. Logo após de um tentativa com êxito de roubar o carro em ferro velho perto da divisa do estado. Onde ele iria? Realmente, ainda não sabia. Mas iria descobrir. O que pegou o Soldado Invernal de surpresa é ter seus pensamentos não somente povoados pela sede que sentia de se redescobrir, mas também povoados por uma bela jovem que conhecera a pouco tempo. Ela era tão delicada e gentil. Seu corpo um pouco magro e franzino não era muito agradável aos olhos de outros, mas agradável aos dele. Contudo o que mais ele se sentiu atraído foi pelo seu olhar, um olhar tão ingênuo e ao mesmo tempo astuto sem esboçar medo do que ele seria, um desconhecido. Bucky balançou a cabeça em busca de dispensar seus pensamentos aleatórios e nada úteis continuou olhando a estrada.
Pelo olhar de relance no retrovisor pode ver que um carro preto estava logo atrás dele. Observou com mais cautela e percebeu que era dois, tentando cercá-lo. Um de cada lado, ele acelerou, mas freou bruscamente assim que o carro a direita já ocupava a sua frente, sendo um empecilho para que ele pudesse tentar escapar do que fosse aquilo. Ele tentou dar a ré, mas o que estava a sua esquerda parou logo atrás.
Do carro a sua frente saiu um homem com um paletó militar específico que ele mal poderia se recordar de onde já vira antes. Um dos aliados de Alexander Pierce, seria uma boa opção. Eles estariam a procura dele. O mesmo que sacou uma arma e apontou em direção ao soldado, que logo entendeu que era um aviso para sair do carro, ele o fez hesitante. Parando ao lado do seu veículo.
—Muito bem. – sorriu mostrando seus dentes amarelados. – Nem precisou de muito, não acha? – perguntou retoricamente. – Eu sei que você sabe quem eu sou.
—H.I.D.R.A. – respondeu ríspido. — Ou o que restou dela, não é?
—Ora, não é que se lembra. Deve está ciente de Sr. Pierce morreu, mas deixou um legado, e um projeto precioso para continuarmos. – disse o outro que vinha de trás.
—E para continuarmos, precisamos de você. – disse o outro. – Então nós pedimos educadamente e você aceita da mesma maneira, ou se preferir, pode ser do jeito difícil.
—Nunca. – respondeu sem duvidar.
—Sabíamos que responderia isso, então tomamos nossas providências. – disse o homem o fitando com certa raiva, logo que foi correspondido da mesma maneira.
—Parece que tem uma protegida, não é, Soldado Invernal? Mas fique sabendo que será por pouco tempo. Ela está em perigo, por sua culpa. – disse o outro que se posicionava ao lado do seu aliado.
—O que me dirá que isso é realmente verdade? — perguntou ele tentando esconder sua preocupação.
—Já que não acredita... — disse um dando de ombros.
Bucky não pode deixar de pensar em Beliza, era dela que eles estavam falando, só podia ser. Ele só pensava no que ela estaria passando e tento se manter calmo antes que fizesse algo que prejudicaria ainda mais a sua situação.
—O que vocês fizeram com ela? – vociferou ele.
—Ora, então você acredita. — disse. — Você só saberá se vier conosco. – sugeriu ambicioso.
Ele não viu escapatórias e assim ele assentiu deixando o seu veículo e entrando em um carro preto blindado dos homens que o ameaçavam. Os vidros eram tão pretos que ele mal podia ver para onde eles estariam o levando.
—
Parecia uma boa manhã para se aproveitar. Fazia um tempo que eu não tirava um tempo para ficar sozinha e andar por ali. Eu me arrumei rapidamente, colocando uma roupa confortável para caminhar pela cidade pegando o sol da manhã. Mas assim que saí de casa senti um presságio ruim. Em seguida senti a sensação de está sendo seguida, eu costumo ignorar quando isso acontece por ser sempre nada.
Aconteceu tão rápido que quase não percebi. Alguém tapou minha visão, vendando-me com o que seria um pano preto e me empurraram para dentro de um carro. Tentei ignorar o medo e a raiva que se acumulava dentro do meu peito e respirei fundo sem fazer escândalo, sabia que iria apenas piorar a situação. Definitivamente, eu estava em perigo.
—
Minhas costas doíam, latejavam, por conta da posição em que eu estava. Estava inconsciente até poucos segundos atrás, consequentemente por ser forçada a inalar algum tipo de tóxico e eu apagar literalmente. Meus olhos já não estavam mais vendados, mas tive dificuldade em abri-los pelo tempo que permaneceram fechados e por haver uma claridade muito forte logo em cima de mim. Minhas mãos e pés estavam amarrados, impossibilitando-me de fazer quaisquer que fossem os movimentos. Meu coração estava acelerado e eu tentava descobrir que lugar era aquele. Com correntes penduradas em um teto muito alto, paredes com tintura desgastada. Como um galpão velho.
—Socorro! – gritei no vazio, já sabendo que não seria atendida.
Ouvi o que seria passos caminhavam atrás de mim. Pensei duas vezes antes de tentar virar para certificar de quem fosse que estaria ali e que fez isso comigo. Mas não o fiz e permaneci inerte em meu lugar.
—Beliza! – ouvi uma voz masculina gritar. Minha curiosidade foi atiçada, aquela voz era familiar. Tentei virar o rosto, mas não pude ver muito estava escuro demais. Avistei apenas um homem que não conhecia caminhar e parar bem a minha frente.
—E não é mesmo que alguém veio salvá-la? – perguntou um deles, e algo me dizia que havia ironia em suas últimas palavras. — Eu até cogitei a ideia de que era apenas uma brincadeira dos meus colegas. Quem diria, Soldado Invernal.
—Solta logo ela! – gritou novamente. E então eu me lembrei do homem que eu havia ajudado dias atrás.
Como ele poderia ter lago a ver com isso? Eu o vi apenas duas vezes, para eu ficar segura de que nossas vidas não colidirem. E aqui estou eu em um que se parece galpão abandonado – por mais irônico que seja -, amarrada, e pensando se há a possibilidade de sair viva dessa história.
—Eu a solto se você se entregar. – disse o homem que estava a minha frente. Ele era robusto e um pouco baixo, dono de rugas e um sorriso sádico com dentes amarelos.
Aquela história estava muito confusa para mim.
—Está bem. – respondeu o até então desconhecido. Pelo menos ele fizera algo deixando que me soltassem.
Enquanto um dos aliados do velho robusto vinha me desamarrar, percebi o olhar curioso do homem que causara o porquê de eu está aqui, indicava algo. Acho que ele queria dizer para reagir. Hesitei. Poderia significar outra coisa.
Primeiro o homem desamarrou minhas mãos e em seguida se abaixou para desamarrar os meus pés, em um momento de coragem eu lhe acertei um chute bem no meio das pernas o fazendo gritar de dor. O desconhecido logo acertou um soco no velho homem o fazendo cair, eu terminei de desamarrar meus pés e esperei — nervosa — por um curto segundo que ele dissesse alguma coisa.
—Corra! E tente ficar a salvo lá fora!- ele gritou enquanto ainda lutava com o outro. — Não tente fazer nada sozinha!
Fiz o que ele pediu e corri o máximo que pude até o lado de fora, mesmo não sabendo para onde deveria ir, pensando ainda me como ele escaparia de tantos homens. Escapei de alguns outros homens armados que apontavam suas armas para mim, não me dei ao trabalho de saber se acertaram, mas ouvi alguns estalos contra a parede. Meu corpo era movido a adrenalina. Ignorei-os e continuei a correr até achar a saída. Já estava nervosa, eu não sabia onde eu estava a única saída era pelo menos esperar que ele saísse de lá, se saísse vivo. Havia tantas perguntas em minha mente, tantas essas que ele teria o dever de respondê-las. Minha vida ficou em perigo por culpa dele.
Alguns minutos depois.
Por inesperado — e surpreendente — que pareça ele saiu de lá. Inteiro até onde deu para ver, mas sua aparência era cansada.
—O que você fez com eles? – perguntei. – O que são eles? E porque eles me sequestraram? E quem é você?
—Vejo que tem muitas perguntas. – respondeu ele.
—É muito observador para alguém que nem se lembra do próprio nome. — retruquei. — Faça o favor de respondê-las. – disse autoritária.
—Nem eu mesmo sei, mas saiba que quando eu encontrar as respostar você vai ser a primeira a saber. – respondeu ele pousando suas mãos em meu ombro.
Gemi de dor, com tanta pressa para encontrar a saída que quase não vi que havia levado um tiro no meu braço esquerdo. A adrenalina do momento anestesiou a dor que agora se agravava. Minha mão direita foi automaticamente para o ferimento e o apertei para estancar o sangue.
—Você foi atingida! – ele exclamou com os olhos arregalados assim que viu.
—Parece que sim, não é? – disse sarcástica.
—Você vai ter que ir ao hospital, imediatamente.— ele disse.
—Eu preciso voltar para casa, pode deixar que eu me cuido sozinha, você já trouxe problemas demais para mim. – respondi.
—O que aconteceu com “eu tenho uma divida com você”? – perguntou cruzando os braços. Sabia que estava me testando. Abusado! Pensei.
—Eu já a quitei, agora você pode ou não me levar de volta para casa? – perguntei.
—Sim e não. – respondeu enquanto eu lançava um olhar duvidoso para ele. – Creio eu que nós estamos muito longe de New York.
—O que? Era tudo que eu precisava agora. — murmurei.
—
Já era noite. E tudo que eu precisava era dormir, e tentando entender aonde eu fui parar. Logo após passar por um hospital local para cuidar do meu ferimento, descobri que estávamos na fronteira com a Pensilvânia, tentando pegar a estrada de volta para casa. Meus olhos oscilavam em fechar e abrir, eu realmente precisava dormir. Ele desacelerou o carro — que pegara do lado de fora daquele lugar de um dos homens que o perseguiam-, e eu percebi que nos aproximavam de um hotel que eu mal pude ler o letreiro desgastado.
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