Monster

2 Capítulo 2


Notas iniciais
Olá! Queria agradecer aos leitores que comentaram no capítulo anterior. Mas nem todos que estão acompanhando comentaram, eu queria muito saber sobre o que vocês estão achando da fic, é muito importante para mim a opinião de vocês. Mas, enfim. Aqui está mais um capítulo, espero que gostem. Boa Leitura.

Eu entrei correndo no meu apartamento, fui direto para o banheiro em busca do que havia restado do kit de emergência até onde eu me lembro. Por cima da caixa o dizer “Emergência” estava com algumas letras apagadas e acaixa estava um pouco empoeirada. Abri para ver o que ainda tinha lá dentro e ainda havia gases e outras coisas que eu precisaria. Fui até meu quarto com a caixa em mãos e a deixei em cima da minha cama enquanto tentava trocar de roupa o mais depressa possível que conseguia, a que eu usava estava completamente encharcada e eu não poderia continuar com ela. Coloquei uma blusa vermelha de mangas longas e uma das calças jeans que tinha, saberia que a blusa não seria o suficiente para conter o frio e peguei o meu moletom azul. Vi a minha velha lanterna no fundo do guarda-roupa e a testei para ver se ainda prestava e ela ascendeu, então a trouxe comigo também.

—O-o que está havendo Beliza? – gritou meu pai lá da cozinha, embriagado por conta do álcool. O cheiro de cerveja estava em todo canto do apartamento e isso me enlouquecia. – P-por que está tão agitada?

O nosso apartamento era bem pequeno. Os únicos cômodos que tinham eram os dois quartos, o banheiro, e a sala que era pequena e já emendava com a cozinha. As paredes eram uma parte azul e outra cinza, estavam desgastadas por conta das infiltrações dos apartamentos ao redor do nosso.

—Não é nada pai, eu só preciso sair um pouco. – disse já chegando à porta.

—Para onde? – ele perguntou. – BELIZA! — gritou.

Eu o ignorei, já fazia isso há muito tempo e me acostumei com o fato de praticamente não ser mais ele, era um estranho alcoólatra que vivia junto comigo. Ainda tenho poucas lembranças de quando ele e minha estavam juntos e nós éramos uma família como as outras. Eu realmente não sabia o que dizer sobre essa reviravolta do destino conosco, nossa vida parece uma tragédia agora.

Corri pelas escadas, o elevador estava quebrado há duas semanas e provavelmente ficaria assim para todo o sempre. Os síndicos do prédio, os Cadore, — um homem e uma mulher que eram irmãos, ambos não eram casados e vivam fofocando sobre a vida dos outros já que não tinham mais o que fazer -, eles nãos se importavam com as condições do prédio, mesmo que um dia o prédio desabe sobre eles, os Cadore estariam mais preocupados em receber o aluguel no dia dos moradores.

Eu já estava do lado de fora, e finalmente a chuva havia se estabilizado, estava apenas serenando e ignorei as gotículas que caiam sobre mim. Corri até a rua atrás do prédio onde ficava o galpão, empurrei com um pouco de esforço o portão de ferro que estava quebrado e entrei. Lá costumava ser o lugar onde fabricavam caixas de papelão para empresas alimentícias, mas há um tempo os proprietários haviam se mudado para outro ponto da cidade e ficou abandonado desde então.

Eu liguei a lanterna e fui até o local onde eu havia deixado ele quando chegamos, mas ele não estava. Ótimo, me importar por nada afinal. Mas fui dando uma olhada no local até meus olhos pararem onde ele estava. É, ele não fugira de mim. Estava escorado na parede e gemendo baixo de dor. Eu corri até ele.

—Me desculpe mesmo. – disse sentando ao seu lado. – Eu prometi que não ia demorar. – coloquei as coisas ao meu lado no chão.

Ele não disse nada e me fitou de uma forma neutra. Ele era indecifrável, seu olhar recebia tudo que eu falava, mas não devia nem uma emoção se quer.

—Sorte sua que antes da minha mãe me abandonar ela me obrigou a ir a um curso de primeiros socorros, eu nunca entendi o propósito daquilo e nem quando precisaria. – expliquei. – Bom, até agora.

—Sua mãe abandonou você? – ele pergunta.

—Sim, quando eu menor. – disse meio triste por lembrar. – Mas não quero falar sobre isso.

—Eu sinto muito. – ele disse.

—Todos sentem. É, bom, eu acho melhor você tirar a sua roupa... Q-quer dizer sua camisa. – me odiei por ter falado errado, ele iria pensar que eu estava com segundas intenções o que eu não estava.

Ele tirou seu moletom preto que estava tão molhado quanto o meu casaco preto que eu usara a pouco tempo, e logo depois tirou sua camisa que era azul claro. Eu realmente criei esforços para não dar um suspiro bem longo de admiração assim que meus olhos pararam no seu corpo, mas logo tudo pareceu algo bem estranho quando olhei o seu braço esquerdo. Me lembrei do que vira quando me ofereci para ajudá-lo, era exatamente assim, mas eu parecia não querer acreditar antes.

—Nossa! – disse com meus olhos arregalados. – Isso é...? – fiquei paralisada e as palavras realmente não conseguiram sair.

—Você promete manter segredo sobre isso? – ele pergunta. — Por favor.

—Sim, mas quero algo em troca. – eu era bem audaciosa quando queria.

—O que? – ele pergunta em um ar hostil.

—A verdade.

Ele apenas desvia o olhar e eu realmente não entendi o que aquilo queria dizer. Provavelmente não era "sim".

—Você pode ficar com o meu moletom. – disse retirando-o. O meu moletom era grande o bastante para servir nele. Eu entreguei a ele e ele o colocou aparentando ter sido a melhor coisa que ele ouvira até então. Provavelmente não se sentiu confortável comigo ali descobrindo o seu segredo. Ele deixou o moletom aberto para que eu pudesse fazer o curativo.

Ele tinha sua expressão séria, como se não estivesse intimidado pela minha presença, não que ele devesse ficar. Quem deveria ficar intimidada nesse caso, seria eu. O seu corpo estava morno apesar do frio que fazia, talvez, ele tivesse bem aquecido antes de tudo acontecer. Percebi que toda vez que meus dedos escorregavam sobre sua pele ele ficava um pouco tenso. Demorou uns poucos minutos até eu acabar, e ele fechou o zíper do moletom e ficamos em silêncio.

—Então... Qual é o seu nome? – perguntei tentando começar um diálogo.

Ele fez sinal negativo com a cabeça e eu fiquei confusa.

—Não quer falar... Ou não sabe? – arrisquei hesitante.

—Eu não me lembro. – ele disse com a cabeça baixa.

Eu me lembrei de quando fui ao museu do Capitão América. Eu observava o nome Bucky Barnes, e ao lado havia uma foto. O homem que estava lá era exatamente igual a mim, mas seu cabelo era curto e sua barba estava feita. o que mais me intrigou foi que ele morrera a muitos anos atrás. Eu me lembro do Capitão ter me chamado por esse nome. Isso só podia dizer que era eu ali, só podia ser. Eu forcei a minha mente a lembrar de pelo menos coisas, mas só havia fragmentos, flashes, que realmente não ajudavam. Eu precisa redescobrir quem eu realmente era a partir de agora.

Coloquei-me ao seu lado, mantendo uma distância segura entre ele e eu de alguns centímetros, e me escorei na parede.

—Como não? – digo o fitando.

—É realmente uma longa história que eu queria te contar, mas não posso. Porque a verdade é que eu não me lembro de como realmente aconteceu – disse ele. — Mas tenho certeza que não é uma bela história.

—Eu não vou ter medo, você não me parece ser uma má pessoa. – disse. – Você me salvou, e eu não gosto nem de pensar no que poderia ter acontecido comigo se você não tivesse aparecido naquela hora. – disse sorrindo de forma acolhedora.

Ele não tinha muito que transmitir. Suas ações já diziam tudo. Ele era calado, o que dizia que provavelmente não tinha muitos amigos. Ele me salvou, o que dizia que era um bom homem e generoso. Mas depois de ter dito sobre que não poderia contar a sua história, eu me questionava mentalmente quem ele realmente ele era.

—Todavia, eu me chamo Beliza. – disse. – Não é , não é Beli, não é Liza. É Beliza. – disse para deixar claro que não gosto de apelidos.

—Eu entendi... Beliza. – disse ele demonstrando seu primeiro sorriso. Um sorriso muito lindo a propósito.

Notas finais
Aquele trecho que o Bucky narra é de uma das cenas após os créditos de Capitão América: O Soldado Invernal, quem viu deve saber do que estou falando. Vai ter mais dos dois no próximo capítulo, prometo, e mais algumas coisas para a história se desenvolver. Reviews?