Eu, eu confesso que posso dizer que você está na sua melhor fase
Eu sou egoísta, então estou odiando isso...
CHERRY | HARRY STYLES

JARED LETO

Durante os sete anos, tentei me convencer que fiz a coisa certa para nós dois — acredito que mais para ela do que para mim—. Tentei me convencer de que foi um erro me envolver com ela, de entrar em sua vida e bagunça-la e acabar fazendo um estrago.

Me segurei durante esses anos para não procura-la, precisava deixa-la seguir em frente, e eu estava disposto a fazê-lo também, mas bastou um deslize de Emma, um único comentário sobre a menina — que se tornara uma mulher — , para meu coração ser bagunçado mais uma vez e despertar em mim o interesse e a vontade de vê-la.

Mandei Kennon procurar tudo o que conseguisse sobre Alissa, a própria não entendeu nada quando a puxei para um canto e sussurrei que precisava saber tudo e ter o contato de Alissa Ludbrook urgente, sem que Emma soubesse que eu estava a procura de sua filha.

Depois de dias sem nenhuma novidade a respeito, uma Kennon apressada entrou no estúdio de gravação, segurava o ipad como se ele pudesse escapar pelos seus dedos a qualquer momento, e ela teve toda a minha atenção. Pelo que conseguiu, Alissa morava em Nova York, aparentemente sozinha, trabalhava em uma simples editora, e era formada em Negócios do entretenimento, assim como sua mãe. A loira mandou por mensagem o e-mail de contato da garota.

A decisão da proposta de ser minha assessora pessoal durante a turnê foi totalmente minha, é claro. Emma contestou minha decisão, afinal eu não precisava de mais uma assessora, Kennon dava conta de tudo, mas eu estava mais que disposto a tê-la na equipe durante os sete meses na estrada, de estar perto dela, de alguma forma compensar a falta que ela me fazia, e eu só me dei conta que sentia quando seu nome foi mencionado.

Fiz questão de mandar o e-mail propondo o cargo. Quem sabe, para ela saber que mesmo durante aqueles anos eu não a havia esquecido, que queria me redimir de alguma forma e que me arrependia profundamente de ser um covarde idiota e abandoná-la.

Confesso que estava ansioso para receber sua resposta, ainda fiquei alguns minutos encarando a tela luminosa do computador. A princípio achei que ela não aceitaria, que quando visse o e-mail, não terminaria nem de ler e já iria excluir e seguir em frente, mas me surpreendi quando a sua resposta foi enviada um dia depois, confirmando que estaria no endereço destinado no e-mail, no dia da reunião, e que aceitava o cargo.

Na data tão aguardada, mandei o motorista buscá-la, e Shannon fez questão de acompanhá-lo. Ele me manteve informado desde o que ela estava fazendo quando o carro parou na frente de seu prédio, até o momento em que ela escorregou no assento traseiro do carro.

Minha mente estava tão barulhenta quanto o fluxo intenso e caótico de carros pelas ruas de Nova York, embora estivesse lutando com minhas tentativas de me manter livre de idealizações, minha imaginação ganhava espaço sobre o quanto o timbre de sua voz ainda era o mesmo ou se havia mudado, se seu semblante se modificou ou se a percepção de garota inocente, mas tão lasciva, ainda permanecia correndo em sua individualidade.

Estaríamos frente a frente logo mais, não sei se erámos capazes de colocar um ponto naquele assunto, por anos desejei aquele encontro, a oportunidade de falar com ela, e finalmente o teria, mas não sabia qual seria sua reação ao me ver, se me daria a oportunidade de me explicar, ou se me ignoraria para sempre. Eu sabia que jamais teria o seu perdão, o que eu havia feito não me dava essa credibilidade, a incerteza de não saber o que iria acontecer quando nos encontrássemos me deixava angustiado, de mãos atadas, e manter meu pé direito parado no chão e meus olhos oscilando entre as portas de metal do elevador e a tela do celular estava chamando a atenção não apenas de Kennon, como também a de Emma.

— Sua inquietação não vai fazer com que o carro ande mais rápido, Jared.

Quando dei por mim, percebi que movimentava a perna de forma contínua. Posicionei minhas mãos dentro dos bolsos da calça de moletom, relaxei os ombros e fechei os olhos quando encostei a cabeça na parede. Minha assessora estava certa, pensar demais só iria dar a impressão que os minutos se deslocavam em câmera lenta.

Planejar um roteiro de como agir e o que falar seria inútil, visto que encontrar com a filha de Emma, agora, seria como estar frente a frente com um desconhecido que lhe odeia mesmo sem nunca ter trocado palavras, pois certamente, eu teria que conhecer Alissa novamente e recuperar o mínimo que seja da nossa relação em cima dos ressentimentos que tínhamos.

Mas, mesmo quando ao menos cogitei começar a organizar o que falaria com ela quando as portas do elevador abrissem, o celular vibrou no bolso com a mensagem de que estavam subindo, e bastou aquelas simples palavras para fazerem o nervosismo me dominar outra vez.

Pude jurar ter prendido o ar entre os pulmões no instante em que as portas se abriram lentamente e os seus olhos castanhos, de início assustados, encontraram os meus.

Alissa Ludbrook estava linda. Inteiramente linda, cada pedacinho dela, da cabeça aos pés me lembrando do que eu queria na época, lembrando o que perdi e eu estava hipnotizado demais para piscar. Antes de qualquer reação de ambos, a figura loira, mais conhecida como Emma, correu na direção dela e a tomou em seus braços.

— Alissa! Filha! Que saudade. — Mesmo com o alvoroço de sua mãe, ela não deixou os meus olhos, mas sem nenhuma previsão, os seus encheram de lágrimas e ela se desmanchou nos braços de Emma. — Shii, calma meu amor, eu estou aqui.

A grande dúvida era se ela estava chorando por saudades de sua mãe ou por estar de frente a mim, o babaca que a quebrou de diversas formas possíveis e sumiu por todos esses anos.

Shannon me olha, como se perguntasse silenciosamente como eu estou me sentindo diante daquela mistura de emoções, eu estou feliz por vê-la, mas também me encontro surpreso pela mudança toda, pelo que os sete anos fizeram.

Os olhos castanhos, carregavam um misto de sentimentos, dor, mágoa, surpresa. A maneira que me olhava, me deixou enjoado, depois nosso contato foi quebrado quando ela fechou os olhos e seus ombros relaxaram nos braços de Emm. Alguns segundo depois elas se afastaram, as mãos da mãe recolheram as lágrimas que ainda caiam dos olhos da filha.

— Vai ficar tudo bem, mia.

— Você ainda lembra desse apelido idiota? — foi a primeira coisa que Alissa falou desde que chegou, as palavras saíram embargada e em um tom baixo.

— Não é tão idiota assim.

Quando dei por mim já havia pronunciado aquela frase, no mesmo instante o sorriso no rosto dela desapareceu, e, sua postura ergueu, seu corpo tencionou enquanto ansiei por uma resposta de sua parte.

— Jared Leto.

E só então eu me dou conta do quanto sua voz me impacta quando chega aos meus ouvidos, como se o fato de pronunciar meu nome fosse o maior dos pecados.

Não suporto o fato de ver uma Alissa completamente diferente do que pensei na minha frente, agindo daquela maneira rude, completamente na defensiva, tentando não demonstrar o quão nervosa e incomodada estava com a minha presença. O que me fez questionar se eu não tinha me precipitado apenas para satisfazer um capricho meu, se era melhor ter mantido as coisas como estavam.

Notas finais
CAPÍTULO NOVO E DESTA VEZ NARRADO POR JARED. A PLAYLIST DE MONOLITH ESTÁ NA MINHA BIO AQUI DO WATTPAD. COMENTEM O QUE ACHARAM DO CAPÍTULO, VOTEM E DIVULGUEM MONOLITH NO INSTAGRAM ME MARCANDO (AUTORAMAH), ESTAREI REPOSTANDO LÁ NOS STORIES. UM BIG BEIJO, MAH.