Money

34 Vozes que se calam


Na manhã seguinte à descoberta dos documentos, Luna e Noah estavam inquietos. O nome Edgar Silva ecoava como uma sombra sem rosto.


— Tem uma pessoa — disse Noah, enquanto caminhavam até a biblioteca pública — que trabalhou com meu irmão no banco. Ele saiu logo depois da morte do Alex. Dizem que ele ficou abalado… ou com medo.


O nome era Sr. Reinaldo, um ex-funcionário do setor de auditoria. Conseguiram seu endereço em uma pasta antiga do banco, que Noah tinha guardado com as coisas de Alex.


Quando chegaram à casa, foram recebidos por um senhor de meia-idade, com expressão cansada.


— Vocês são da família do Alex, não são?


Noah assentiu.


— Precisamos saber a verdade — disse Luna, firme. — Meu pai também estava envolvido nesse esquema... e ele morreu.


O homem hesitou. Seus olhos brilharam de medo.


— Eu não posso falar disso. Não me envolvam — ele balançou a cabeça. — É maior do que vocês imaginam.


— Está com medo de quem? — Noah insistiu.


O homem não respondeu. Apenas fechou a porta devagar.


Na volta, Noah e Luna se sentaram na escadaria da praça central, em silêncio. A frustração era palpável. As peças estavam ali, mas faltava coragem — ou alguém disposto a revelar tudo.


Foi então que um carro preto parou à frente. Um homem alto, com um sorriso simpático, desceu e se aproximou.


— Vocês são os jovens Collins e Barros? Me chamo Henrique, trabalho com questões jurídicas ligadas ao banco. Fiquei sabendo que estão passando por momentos difíceis... Sinto muito pelas perdas.


Ele estendeu a mão. Tinha um jeito calmo, elegante, a voz baixa e cordial.


— Se precisarem de ajuda com qualquer documentação, estou à disposição. Sou um amigo antigo da família Collins.


Luna, confusa, agradeceu.


— Obrigada. Eu... não lembro de ter ouvido falar do senhor.


— Isso é normal — ele sorriu. — Eu era mais próximo dos bastidores. Só quero ajudar a manter o legado de seus pais vivo.


Ele os deixou com um cartão de visitas.


Quando ele se afastou, Noah olhou para Luna.


— Não sei... tem algo nele que não bate.


— Eu achei ele gentil — disse ela, embora não conseguisse explicar o arrepio leve que sentiu ao apertar sua mão.


Henrique entrou no carro e olhou pelo retrovisor. Seu sorriso desapareceu, substituído por um olhar frio, calculista.


Eles estavam mais perto do que deveriam.