Money

23 Um Passo de Cada Vez


Notas iniciais
Luna e Noah passam um momento tranquilo juntos na escola. Em meio a conversas sinceras e silenciosas compreensões, ele compartilha com ela um bilhete com pensamentos profundos sobre perda e recomeço. O gesto emociona Luna. Pela primeira vez, Noah toca sua mão de forma intencional — um gesto simples, mas cheio de significado. Sem afastar, ela corresponde, marcando um novo passo no elo que os dois estão construindo.

Luna


Depois que Noah foi embora ontem, fiquei um bom tempo sentada sozinha, olhando para o céu.

Não sabia exatamente o que sentia, mas era bom.

Não era aquele tipo de felicidade que estoura e some.

Era uma coisa calma. Quente. Que vai tomando espaço.


Hoje, na escola, tudo parecia igual… até ele se aproximar no intervalo.


— Vai almoçar no refeitório? — perguntou, ajeitando a alça da mochila no ombro.


— Não estava com muita fome, mas… posso ir com você.


Caminhamos lado a lado, e eu percebi que não nos esforçávamos para ter assunto.

Era como se a presença um do outro preenchesse o que faltava.


Sentamos em um canto mais vazio do pátio. Trevor passou por nós com dois amigos e deu um meio sorriso provocativo. Noah revirou os olhos discretamente e voltou a olhar pra mim.


— Você parece mais leve hoje — ele disse.


— É… talvez eu esteja — respondi com sinceridade. — Tem dias em que dói menos, sabe?


Ele assentiu, como se entendesse cada palavra.


Ficamos em silêncio por alguns segundos. Depois, ele pegou uma folha dobrada da mochila e estendeu pra mim.


— É meio bobo, mas… escrevi ontem depois que cheguei em casa.


Peguei o papel com cuidado. Eram frases soltas. Pensamentos rabiscados. Coisas sobre luto, sobre recomeço, sobre encontrar paz em pessoas inesperadas.


Me emocionei. Porque ele estava ali, se mostrando.


— Você já pensou em escrever mais? Isso aqui é bonito — comentei, olhando pra ele.


— É mais fácil escrever do que falar.


— Eu entendo — sorri. — Eu acho que é por isso que gosto tanto de fotografar.


Nossos olhos se encontraram. E ele, pela primeira vez, tocou minha mão.

Dessa vez, não foi por acaso.

Foi um toque leve, tranquilo. Mas intencional.

Como se dissesse: “eu tô aqui”.


E, sem palavras, eu respondi ficando ali. Sem afastar.


Noah


Ver a Luna sorrir me dá uma sensação estranha.

Não é só alívio.

É esperança.


Quando toquei sua mão, não sabia se era o momento certo. Mas também não queria deixar passar.


Ela não se afastou.

E isso… disse mais do que qualquer resposta.