Money
24 O Peso das Entrelinhas
Notas iniciais
Luna
Desde ontem, sinto como se algo estivesse diferente.
Não no mundo… em mim.
O toque das nossas mãos não foi longo. Nem romântico. Mas foi real.
E agora, cada vez que vejo Noah, meu coração faz aquela coisa idiota de bater rápido, como se estivesse tentando me avisar de alguma coisa.
Na escola, tudo parece igual. As mesmas pessoas, os mesmos corredores, as mesmas conversas vazias.
Mas quando ele se aproxima, tudo ao redor fica um pouco mais... calmo. Ou talvez mais intenso. Ainda não sei bem.
Hoje nos sentamos juntos na aula de literatura. A professora pediu uma atividade em dupla. Ele apenas olhou para mim e levantou uma sobrancelha. Sorri. Sem precisar falar, já éramos dupla.
Trabalhamos em silêncio, como sempre. Mas entre uma frase e outra, nossos olhos se encontravam por segundos a mais.
Eu tentava me concentrar, mas minha mente voltava ao toque. À folha com as palavras dele. À forma como ele me olhou.
Quando a aula terminou, ele me esperou.
— Vai direto pra casa? — perguntou.
— Sim… por quê?
— Quer ir pelo caminho do lago?
Assenti com a cabeça.
Noah
Eu não queria que ela pensasse que aquele toque foi um impulso sem significado.
Mas também não sei como falar sobre isso.
Então levei ela pelo caminho mais longo. O mesmo em que costumava andar com o Alex.
O mesmo onde o silêncio não era desconfortável.
— Você anda escrevendo? — ela perguntou.
— Um pouco. Você tem tirado fotos?
— Algumas. Mas... nenhuma parece certa.
— Vai parecer, quando for pra ser — respondi. E ela sorriu. Aquele sorriso pequeno, mas verdadeiro.
Paramos perto do lago. As folhas balançavam com o vento leve, e a luz do fim da tarde deixava tudo meio dourado.
Luna olhou para a água, depois para mim.
— Noah, o que está acontecendo com a gente?
Respirei fundo.
Não sei responder.
Mas sei que não quero que acabe.
E sei que com ela, a dor parece menor.
— Eu não sei… mas seja o que for, acho que tá ajudando a gente a continuar.
— É… eu acho que sim também.
Ela encostou no meu ombro, sem dizer nada.
E eu fiquei ali, imóvel, com medo de que, se respirasse fundo demais, o momento sumisse.
Luna
Talvez ainda não tenha nome.
Mas o que está nascendo entre nós… importa.
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