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25 Nem Sempre é Fácil


Notas iniciais
No dia em que completa um mês da morte dos pais, Luna chega à escola visivelmente abalada. Noah percebe e vai até ela, oferecendo acolhimento silencioso. Em um momento íntimo e vulnerável, Luna desaba e compartilha sua dor. Noah se abre também, mencionando a ausência de Alex e a dificuldade de confiar novamente. Com um gesto simples — segurar sua mão — Luna mostra que também está ali para ele. Um passo pequeno, mas profundamente significativo.


Noah


Desde a conversa no lago, venho tentando entender o que estou sentindo.

A Luna entrou na minha vida sem pedir licença, mas foi ficando.

Foi se encaixando entre os silêncios, nas palavras ditas pela metade, nas lembranças difíceis.


Hoje, quando cheguei à escola, ela não estava no corredor.

Nem na sala.

Nem no pátio.


Pensei em mil coisas.

Será que está doente? Será que aconteceu algo? Será que se arrependeu de tudo que estamos construindo?


Só quando a vi entrando no segundo horário, com os olhos inchados, percebi que algo não estava bem.

Ela não olhou pra mim.

Sentou sozinha.


No intervalo, fui até ela.


— Luna, tá tudo bem?

— Tá sim — respondeu, sem me encarar.


Ficamos em silêncio. Ela mexia no suco com o canudo, sem beber.


— Você não parece bem — insisti.


Ela respirou fundo e me encarou.


— Hoje faz um mês. Um mês que eles se foram.


A dor nos olhos dela me acertou como um soco no estômago.

Eu entendi.

Porque já estive exatamente ali.


— Eu não quis falar antes, não queria estragar o dia de ninguém — completou, com a voz trêmula.


— Você não estraga nada. Pode doer, Luna. Não precisa esconder isso de mim.


Luna


Não queria chorar na frente dele.

Não queria parecer fraca.

Mas quando ele disse que eu podia deixar doer… eu desabei.


Chorei em silêncio. Ele não tentou dizer que ia ficar tudo bem, nem tentou me fazer parar.

Só ficou ali.

Sentado ao meu lado, me oferecendo um ombro, um silêncio confortável, e aquela calma que só ele consegue trazer.


Depois, nos afastamos um pouco dos outros. Sentamos sob a sombra de uma árvore, longe do pátio barulhento.


— Eu tô tentando ser forte — falei. — Mas tem dias que tudo o que eu queria era ligar pra minha mãe e ouvir a voz dela me dizendo que vai passar.


— Eu também — disse ele. — O Alex era quem fazia isso por mim. E quando ele se foi… demorou pra eu conseguir confiar em alguém de novo.


Ele me olhou de um jeito que fez meu coração apertar.


— Mas acho que posso confiar em você.


Não precisei responder. Só segurei sua mão.

Foi um gesto pequeno, mas ali, naquele momento, era tudo que eu conseguia dar.


E ele entendeu.