Money
42 Um Entrego de Almas
A noite havia chegado sem anúncio — as luzes da casa dos tios haviam se apagado, e só restava o suave farfalhar das árvores lá fora. Luna e Noah permaneciam no sótão convertido em “base de operações”: pilhas de papéis, laptops abertos e canecas de chá espalhadas pelo chão. Seus ombros se tocavam enquanto revisavam pela enésima vez um documento com nomes riscados.
De repente, Luna suspirou e encostou a cabeça no ombro dele.
— Hoje foi demais — murmurou, a voz macia de quem já não tinha mais forças.
Noah lhe ofereceu um cobertor e a puxou para o centro do pequeno sofá.
— Vem cá — convidou, ajeitando Luna de modo que ficassem frente a frente, os joelhos entrelaçados.
Os olhos de Luna brilharam sob o lampião fraco. Ele tocou seu rosto com o polegar, seguindo a curva suave da bochecha.
— Está tudo bem sentir cansaço — disse ele. — Deixe-se repousar em mim.
Ela correspondeu, pousando as mãos nos braços dele. No ar, havia um calor silencioso, carregado de cumplicidade. Seus rostos se aproximaram sem pressa, até que os lábios se tocaram num beijo terno.
No beijo, havia todo o tempo do mundo. Primeiro, um ensaio delicado — o encontro de bocas cobrindo medos. Depois, um arrepio sutil, quando Luna permitiu que o beijo afundasse em sua vontade de sentir-se protegida. Noah a envolveu pela cintura, puxando-a gentilmente para seu colo.
Ela tremeu, não de frio, mas de emoção e desejo contido. Seus dedos exploraram o peito dele, sentindo o pulsar firme, o calor forte. Ele suspirou contra seus lábios, com ternura e reverência.
— Você é… — Noah sussurrou, a voz embargada — é única, Luna.
Ela se perdeu naquele momento, esquecendo mapas e pistas. Só havia eles, o frio do sótão e o calor de seus corpos tocando-se pela primeira vez de verdade.
Quando deslizaram para debaixo do cobertor, foi como se descobrissem um universo em que não precisassem planejar nada. As mãos dele seguiram a curva da lombar dela, os beijos desceram pelo pescoço, e Luna, ainda virgem, permitiu-se confiar: seus olhos se fecharam, a respiração acelerou e o medo se desvaneceu por completo.
Cada movimento foi gentil. Cada suspiro, uma promessa. A intimidade cresceu em ondas lentas, e, no ápice da entrega, ambos se encontraram num êxtase de silêncio e gratidão. Era a primeira vez de Luna, mas ele guiou-a com respeito, perguntando em cada toque se estava tudo bem.
Quando finalmente repousaram, os corpos suados e entrelaçados, Luna ergueu o rosto para Noah.
— Obrigada por me fazer me sentir segura — sussurrou.
Ele a beijou de leve na testa.
— Sempre, meu amor.
E naquele instante, mais do que um passo no romance, eles haviam selado um pacto: juntos, compartilhariam cada descoberta, cada medo e cada sonho — de mãos dadas, até onde o coração permitisse.
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