Money
43 Depois de Nós
O sol filtrava preguiçoso pelas cortinas do quarto de Noah. Luna despertou devagar, sentindo o calor da pele dele ainda colado à sua. Estavam entrelaçados sob o cobertor, a respiração sincronizada, como se até o sono tivesse aprendido a andar junto.
Ela não se moveu. Ficou ali, ouvindo o bater do coração dele como se fosse o som mais seguro do mundo.
— Você sempre acorda assim? — Noah murmurou, os olhos ainda fechados, mas com um sorriso preguiçoso no rosto.
— Assim como? — ela perguntou, com um tom suave, acariciando de leve o ombro dele.
— Com esse olhar de paz... e de bagunça.
Luna riu baixinho, escondendo o rosto na curva do pescoço dele.
— Ontem à noite foi... — ela começou, mas a frase morreu na garganta. Como dar nome àquilo?
— Foi nosso — ele completou, como se lesse seus pensamentos. — E a melhor coisa que me aconteceu em muito tempo.
Ela ergueu o olhar, emocionada. Noah a puxou para perto e encostou a testa na dela.
— Não se preocupa. Não precisa prometer nada, nem entender tudo agora. Só… fica aqui.
— Eu quero — Luna disse, com sinceridade. — Eu me senti inteira com você. Pela primeira vez, desde que tudo aconteceu, não me senti quebrada.
Ele a abraçou com mais força.
— Você nunca esteve quebrada, Luna. Só estava tentando carregar o mundo sozinha.
Passaram o resto da manhã deitados, rindo baixinho, falando bobagens. Criaram ali sua primeira piada interna: Luna achava que Noah parecia um urso quando acordava — "todo desajeitado e com cabelo de filhote" —, enquanto ele dizia que ela era uma tempestade disfarçada de calmaria.
Mais tarde, quando desceram, fingiram normalidade — ninguém desconfiou, e eles também não precisavam anunciar nada. Os olhares e os sorrisos cúmplices falavam por si.
Aquele dia foi leve. Sem pistas. Sem mapas. Só eles e o início de um amor que agora carregava história, entrega e uma nova certeza: o mundo podia ter desabado ao redor, mas entre eles… algo estava sendo reconstruído.
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