Money
44 Ecos do Silêncio
As férias chegaram trazendo um misto de alívio e missão. Enquanto os amigos se distraíam com festas e viagens, Luna e Noah passavam seus dias revirando arquivos, anotações, recortes de jornais e e-mails antigos dos pais dela e do Alex.
Na base improvisada no sótão, haviam colocado um grande mural com fios de lã ligando nomes, datas e documentos que conseguiam reunir — pistas que pareciam incompletas, mas carregavam significados ocultos.
— Isso aqui… — Noah apontou para um contrato de parceria com uma empresa estrangeira — não bate com o que está nesse outro relatório. Tem algo apagado.
— A empresa foi desativada um mês depois da morte dos meus pais — Luna constatou, com a testa franzida. — E o Alex estava tentando descobrir sobre ela antes de…
— Antes do assalto forjado — Noah completou, engolindo em seco.
Sentados no chão, dividindo uma pizza fria e canetas marca-texto, eles seguiam as migalhas de pão deixadas por um passado distorcido.
Foi quando Henrique apareceu.
Com uma visita inesperada e gentil, trouxe cafés, doces e um sorriso acolhedor.
— Não quis atrapalhar, mas a Thalita comentou que vocês estavam se dedicando a entender o que aconteceu… — ele disse, com a voz pausada. — Se quiserem ajuda, eu conheço alguns contatos que podem dar acesso a documentos sigilosos, discretamente.
Luna o olhou, surpresa. Ele era educado, simpático, e parecia realmente querer ajudar.
— Sério? Você faria isso por nós?
— Claro — respondeu, com naturalidade. — Ninguém deveria passar por isso sozinho. E você merece respostas, Luna.
Noah trocou um olhar breve com ela e agradeceu com um aceno.
— Qualquer pista ajuda.
Henrique, então, entregou a eles um cartão com um nome de contato e um código de acesso a um diretório de documentos arquivados do banco onde Alex trabalhava.
Dizia que era de um antigo colega de confiança, mas na verdade, era um dossiê fabricado cuidadosamente para conduzi-los por caminhos falsos, plantados para afastar a verdade.
E assim, o casal começou a mergulhar ainda mais fundo — achando que estava se aproximando da verdade, quando, na verdade, cada passo os levava mais longe dela.
Luna, porém, sentia algo estranho. Não sabia o quê. Um desconforto leve que não conseguia explicar, mas também não sabia identificar.
Por enquanto.
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