Money

45 Sombras no Arquivo


O sótão virou rotina.

Noah e Luna passavam a maior parte do tempo ali, cercados por papéis, anotações e arquivos digitais trazidos pela tal “fonte confiável” que Henrique indicara.

A cada documento analisado, sentiam-se mais mergulhados num quebra-cabeça torto — como se as peças até encaixassem, mas o desenho final ainda não fizesse sentido.

— Esse nome aparece de novo — Noah apontou para a mesma empresa offshore que já haviam visto no contrato anterior. — Só que agora com outro endereço.

— E com um responsável diferente — Luna completou. — Tem sempre um elo solto nesses documentos.

Mesmo com os avanços, Luna sentia que algo ali era… organizado demais.

— Já percebeu como essas informações surgiram fáceis? Como se estivessem esperando por nós?

Noah parou por um segundo. Ele também sentia isso, mas não queria alimentar mais desconfiança do que já existia em suas vidas.

— Talvez seja só sorte — disse, não muito convencido.

Luna sorriu fraco.

— Não acredito muito em sorte desde que perdi meus pais.

Silêncio.

Ele se aproximou e segurou a mão dela.

— Mas pode acreditar em mim. Eu não vou parar até a gente entender tudo.

— Eu sei. E é isso que me dá forças.

Ali, no meio da papelada, dos olhares atentos e dos toques leves, havia algo crescendo além da investigação: a confiança real, o amor paciente e cúmplice.

Mas, fora do sótão, o mundo seguia se moldando ao jogo de um manipulador.

Henrique jantava com Thalita naquela noite. Sabia exatamente o que dizer, como elogiar Noah, como parecer um padrasto moderno, gentil, quase perfeito.

— O Noah está diferente — ela comentou. — Desde que começou a andar com a Luna, parece mais... leve.

Henrique sorriu, tomando um gole de vinho.

— Às vezes tudo o que a gente precisa é de alguém que veja o que ninguém mais vê.