Money
46 Entre Verdades e Silêncios
O tempo que Noah e Luna precisavam para se dedicar à investigação sobre o que realmente aconteceu com os pais dela e com Alex. Reunidos no quarto dele, espalhavam sobre a cama as poucas pistas que conseguiram juntar até ali — matérias antigas, extratos financeiros, nomes que apareciam e desapareciam, tudo o que pudesse levá-los a uma conexão concreta.
Mas era como seguir por corredores escuros — todas as pistas pareciam parar em becos sem saída. Ainda assim, não desistiam.
— Isso aqui... — disse Luna, mostrando um e-mail impresso com uma conversa truncada entre dois sócios do banco. — Essa sigla aparece em mais de um lugar. Pode ser algo, não pode?
— Pode... ou pode ser só outra distração — respondeu Noah, passando a mão pelos cabelos, frustrado. — Tem coisa demais parecendo "quase". Nada concreto.
Luna o observou em silêncio. Ele estava mais calado do que o normal, e ela sabia que, por trás daquela frustração, havia também o peso de tudo o que estavam carregando.
— A gente vai chegar lá, Noah... eu acredito — disse, tocando de leve sua mão.
Ele olhou para ela e sorriu com ternura. — Eu também. Só estou cansado de ver a verdade tão perto e ainda assim tão longe.
Para aliviar o clima, decidiram assistir a um filme. Theo já estava dormindo no quarto ao lado. Os dois ficaram no sofá, dividindo o mesmo cobertor, rindo de cenas bobas. A tensão parecia suspensa, só por um momento. No meio de uma das piadas do filme, Luna fez um comentário e os dois começaram a rir tanto que mal conseguiam respirar. Aquela piada boba acabou virando uma brincadeira interna.
— Acho que só você riria disso pra sempre — disse ela, encostando a cabeça no ombro dele.
— Que bom que é com você, então — ele respondeu, baixinho.
Houve um silêncio. Não desconfortável. Um silêncio cheio de significado. Noah virou o rosto devagar e encontrou os olhos dela. A troca de olhares foi o suficiente. O beijo veio com naturalidade, leve, como se sempre tivesse estado ali, apenas esperando o momento certo.
— A gente tá junto, né? — sussurrou ela, quando o beijo se desfez.
— Sempre estivemos — ele respondeu, sorrindo, puxando-a para perto.
Ali, entre verdades que ainda não sabiam e silêncios que não sabiam nomear, estavam construindo algo que talvez fosse o mais verdadeiro de tudo.
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