Money
47 Sinais no Silêncio
Era início da tarde quando Luna e Noah sentaram-se novamente à mesa da cozinha, rodeados por folhas impressas, mapas de conexões e hipóteses que se multiplicavam, mas não se firmavam. Estavam há semanas cruzando dados, e mesmo com as "ajudas" de Henrique, tudo parecia… fácil demais.
— Você já parou pra pensar que essas pistas que a gente anda seguindo... aparecem rápido demais? — perguntou Noah, franzindo o cenho enquanto analisava um novo relatório que Henrique tinha enviado naquela manhã.
Luna ergueu os olhos.
— Você acha que estão facilitando pra gente de propósito?
Ele hesitou.
— Não sei. Talvez seja paranoia. Mas a maioria das trilhas que a gente segue acaba em nada. Ou pior: em pessoas que já morreram, mudaram de nome ou sumiram do mapa. Como se... alguém estivesse alimentando nossa investigação, mas sem deixar a gente chegar a lugar nenhum.
Luna ficou em silêncio por alguns segundos, absorvendo as palavras dele. Estava prestes a responder quando Théo entrou na sala, com um caderno de desenho na mão.
— Noah, olha só! Fiz um mapa igual o seu, só que o meu é de pirata. Mas tem um baú aqui... — ele apontou — ...mas toda vez que eu chego nele, tem um buraco. Igual no seu, né?
Os dois ficaram imóveis. Aquela frase ecoou de maneira estranha. Luna olhou para Noah, que agora parecia mais sério.
— Exatamente, Théo... exatamente isso.
Antes que pudessem continuar a conversa, Henrique apareceu na porta com um sorriso afável.
— Interrompendo um momento importante?
— Não, imagina — respondeu Luna, recolhendo algumas folhas da mesa.
Henrique entrou, com duas pastas na mão.
— Consegui com um antigo conhecido que trabalhou com a segurança interna do banco. Ele me devia um favor. Acho que isso pode ajudar vocês a entender melhor quem Alex estava investigando. Só... cuidado, vocês vão se deparar com nomes poderosos.
Ele depositou os documentos com cuidado na mesa, como quem entrega algo precioso. Seus olhos passaram por Noah e depois por Luna. Um olhar simpático, sereno. Inofensivo.
— Vocês são corajosos. E merecem a verdade.
Depois de um breve sorriso, Henrique se despediu com a mesma tranquilidade com que chegou. Quando ele saiu, Noah pegou a pasta.
— Isso aqui está com cheiro de armadilha.
Luna assentiu. O comentário de Théo, as facilidades, e agora mais um “empurrão” vindo de Henrique. Tudo isso estava formando um quadro, ainda borrado… mas desconfortável demais para ser ignorado.
A verdade parecia próxima. Mas talvez próxima demais para ser verdadeira.
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