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48 Entre os Muros da Verdade


Depois que Henrique foi embora, Noah e Luna passaram horas mergulhados nos documentos entregues. Havia nomes, registros, datas… tudo perfeitamente ordenado. Talvez perfeitos demais.

— Isso aqui… — Noah disse, apontando para uma das páginas. — É um dossiê completo sobre um ex-funcionário do banco que teria trabalhado com Alex. Mas por que ele nos daria isso agora? E como ele teve acesso?

— Ele disse que conhecia alguém da segurança — lembrou Luna, embora sua voz não soasse muito convicta.

— Um funcionário da segurança não teria tudo isso em mãos. Isso é coisa de alguém muito mais acima… — Noah olhou para ela, sério. — E alguém que sabe exatamente o que quer que a gente veja.

O clima entre eles oscilava entre a tensão da descoberta e a intimidade de quem, mesmo no caos, se tornava abrigo um para o outro.

— Você está com medo? — Luna perguntou, a voz baixa.

— Estou. Mas não do que vamos encontrar. Estou com medo de a gente estar sendo guiado pra longe da verdade.

Eles ficaram em silêncio por um instante. Até que Noah pegou a mão dela por impulso. Não havia mais barreiras entre os dois — não desde que se entregaram um ao outro. A dor ainda existia, mas agora tinha companhia.

— A gente vai descobrir, Luna. Mesmo que tudo tente confundir a gente, mesmo que estejam nos manipulando… eu vou até o fim por você. Pelo Alex. Pelos seus pais.

Ela apertou a mão dele com força, os olhos marejados.

— Eu também vou. E eu confio em você.

Um leve toque na porta os interrompeu. Era a mãe de Noah.

— Vocês dois estão bem?

— Estamos — Luna respondeu, tentando disfarçar o turbilhão de emoções.

— Henrique perguntou se vocês precisam de ajuda para entrar em contato com o advogado da herança dos seus pais, Luna. Ele conhece um. Disse que pode agilizar.

Luna e Noah trocaram olhares.

— A gente agradece — disse Luna, tentando manter o tom neutro. — Mas... podemos ver isso com calma depois?

— Claro, sem pressa. Só achei gentil da parte dele.

A mãe de Noah se despediu e fechou a porta.

Noah suspirou.

— Gentil demais.

Luna voltou a olhar para os papéis.

— Vamos investigar tudo, mas dessa vez... vamos deixar ele pensar que está nos guiando. E a gente guia ele também.

Um novo plano começava a nascer. E com ele, a certeza de que a verdade exigiria mais do que coragem: exigiria inteligência e sangue frio.