Money
15 Raízes Silenciosas
Notas iniciais
Luna
Eu não sabia dizer o que era pior: a ausência dos meus pais ou a sensação de não pertencer a lugar nenhum.
Os dias seguintes ao velório foram nublados, lentos.
Mas, aos poucos, algo foi mudando. Não com pressa. Não com promessas.
Foi no jeito que minha tia Marianne batia na porta do meu quarto antes de entrar, perguntando se eu queria ajudar no jantar.
Foi quando meu tio Brian me levou até a garagem para me mostrar uma bicicleta antiga que, segundo ele, foi da minha mãe quando era adolescente.
Eu sorri de verdade naquela hora.
Britney, ainda um pouco distante, apareceu um dia com esmaltes espalhados pela cama dizendo que precisava de uma “opinião externa”. Era a forma dela de se aproximar, talvez.
E Trevor, entre um comentário sarcástico e outro, me ofereceu ajuda com um dever de matemática — apesar de se enrolar todo com os números.
Nada disso apagava a dor, mas criava pequenas rachaduras na muralha que eu tinha erguido.
Naquela noite, jantamos todos juntos. Minha tia falava sobre receitas antigas, meu tio contava histórias embaraçosas da juventude. Eu ri. Pouco, mas ri.
Quando fui para o quarto, senti o peito mais leve. Pela primeira vez desde que tudo aconteceu, eu não chorei antes de dormir.
Talvez eu ainda estivesse machucada demais para florescer, mas percebi algo importante:
Mesmo longe das minhas origens, eu estava começando a criar novas raízes.
E talvez, com o tempo, elas pudessem me sustentar.
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