Notas iniciais
Luna e Noah se encontram novamente no pátio da escola, e a conexão entre os dois se aprofunda. Em meio ao silêncio compartilhado e pequenas confissões, eles começam a reconhecer o sentimento que nasce entre eles — ainda sutil, mas verdadeiro. Luna revela nunca ter se apaixonado, e Noah, com calma e cuidado, mostra que está disposto a viver isso com ela, no tempo dela. Pela primeira vez, ambos sentem que a dor pode dar espaço a algo novo.

PV. Luna


Era estranho perceber que eu esperava vê-lo.

Noah.


Mesmo sem admitir, meus olhos o procuravam nos intervalos, no caminho da escola, nas sombras calmas do pátio.


Naquela sexta-feira, o tempo estava mais frio, o céu cinza combinava com tudo que eu vinha sentindo nas últimas semanas.

Depois da última aula, não queria voltar pra casa.

Então, fui até o lugar de sempre — a árvore nos fundos da escola.


E, claro, ele já estava lá.

Sentado no mesmo canto, com os fones pendurados no pescoço, o olhar perdido em algum ponto do chão.


Quando me viu, apenas deu um leve aceno de cabeça.

Me sentei ao lado dele, como se fosse natural.


— Você sempre chega antes — comentei.


— Talvez eu goste do silêncio. Ou de saber que você vai aparecer.


Meu coração pulou de leve.

Não era uma declaração. Mas, pra mim, foi mais do que qualquer frase bonita.


— E se um dia eu não aparecer?


— Eu espero. — Ele disse, encarando o céu. — Ou procuro.


Ficamos quietos por um tempo. Só o vento, algumas folhas, e o som dos nossos pensamentos.


— Você já... gostou de alguém? — perguntei, num impulso que me assustou depois de dito.


Ele virou o rosto devagar, me olhando de verdade.


— Já. Mas nunca foi como agora.


Senti o ar preso nos pulmões.

Não era um “eu te amo”. Não era precipitado. Era só sincero. E, por isso, doeu menos. E tocou mais.


— Eu nunca me apaixonei antes — confessei. — Não de verdade. Não de um jeito que fizesse sentido.


— Tudo bem — ele disse. — A gente não precisa dar nome agora. Só sentir. Um pouco de cada vez.


A forma como ele falou fez com que a culpa diminuísse. A tristeza se silenciasse.

E por um instante, o mundo lá fora desapareceu.


Naquela tarde fria, com as mãos próximas, mas sem se tocarem, algo nasceu.

Frágil. Mas real.


E pela primeira vez desde que tudo mudou…

Meu coração, ainda machucado, sentiu vontade de bater por algo novo.


PV. Noah


Tem dias em que eu só venho até esse canto da escola pra respirar.

Outros dias, venho porque sei que ela vem também.


Luna.


Ela carrega a dor no olhar, mas diferente de mim, não tenta esconder.

É como se o mundo tivesse despencado sobre ela e, ainda assim, ela tivesse coragem de continuar em pé.


Quando a vi se aproximando, meu corpo relaxou antes mesmo de perceber.

Era como saber que, por alguns minutos, tudo ia ficar mais leve.


Ela se sentou do meu lado, sem cerimônia, como se o espaço já fosse nosso.


— Você sempre chega antes — disse.


— Talvez eu goste do silêncio. Ou de saber que você vai aparecer.


É verdade.

Não sei quando começou, mas minha rotina passou a ter um pedaço feito só pra ela.

Talvez por isso o dia pareça mais longo quando não a vejo.


Ela me perguntou o que faria se um dia não aparecesse.

Respondi que esperaria. Ou procuraria.


Acho que nem percebi o quanto aquilo soou íntimo.


E então ela me perguntou… se eu já gostei de alguém.


Minha vontade foi rir — não porque fosse engraçado, mas porque a resposta me atravessou como uma confissão.


Sim, já gostei. Mas tudo era raso. Temporário.

Com Luna, era diferente. A presença dela acalmava minhas tempestades internas.


Respondi como pude:


— Já. Mas nunca foi como agora.


Vi os olhos dela se arregalarem levemente.

Ela disse que nunca se apaixonou antes. Não de verdade. E, de algum jeito, isso me fez querer cuidar ainda mais daquele sentimento que nascia entre nós.


— Tudo bem — eu disse. — A gente não precisa dar nome agora. Só sentir. Um pouco de cada vez.


Ela sorriu. Foi leve, pequeno. Mas real.

Naquele sorriso havia espaço pra esperança.


E pela primeira vez em muito tempo, eu senti que podia gostar de alguém sem medo.

Não para fugir da dor. Mas para seguir vivendo, com ela ao meu lado.