Money

6 Nova Escola


Notas iniciais
Luna encara seu primeiro dia na nova escola, cercada por incertezas e lembranças do que deixou para trás. Enquanto tenta se adaptar à nova rotina, cruza novamente com Noah, o garoto misterioso que conheceu no parque. Em meio ao silêncio e à sutileza, nasce uma conexão inesperada.

Parte 1 – Luna


Acordei com o barulho de um secador no corredor. Por um segundo, achei que estivesse em mais um hotel. Levei alguns segundos para lembrar que estava na casa dos meus tios. Nova cidade. Nova escola. Nova vida.


A Britney estava no espelho do corredor, terminando de arrumar o cabelo como se fosse desfilar na televisão. Me viu passando, jogou um “bom dia” distraído. Eu respondi. A convivência entre nós ainda era uma incógnita.


Desci, tomei um café rápido com a minha tia, que insistiu para eu comer mais. Trevor estava sentado na mesa, mastigando como se fosse atleta olímpico. Pietro — graças a Deus — não estava.


Pegamos carona até o colégio. Fui olhando pela janela, tentando não pensar em como seria entrar em uma escola de verdade depois de anos estudando sozinha com a Sra. Elizabeth. A verdade é que... eu estava nervosa.


O colégio era maior do que eu esperava. Pessoas por todos os lados, conversas, risadas, armários batendo, filas na cantina. Me senti pequena no meio de tudo aquilo. Me apresentei na secretaria, peguei meu horário e fui guiada até a sala. Algumas pessoas me olharam com curiosidade, mas logo voltaram para seus assuntos.


Sentei perto da janela. Uma garota simpática chamada Emily sorriu e puxou conversa. Me contou nomes, grupos, fofocas rápidas. Eu ouvia, sorria, fingia que estava mais confortável do que realmente estava.


No intervalo, fui andar pelo pátio. Precisava de ar. Passei por um caminho que levava até um pequeno parque que fazia parte da área da escola. Estava vazio, com algumas folhas espalhadas pelo chão e bancos de madeira cercando um laguinho.


Foi então que vi ele. O garoto moreno, sentado sozinho num banco de pedra, com fones no ouvido e um caderno aberto no colo.


Reconheci o rosto. Era o mesmo rapaz que vi no parque no domingo.


Ele não me viu. Mas eu o vi. E por algum motivo, não consegui desviar o olhar.



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Parte 2 – Noah


A maioria das pessoas que me cumprimentam no colégio só o fazem por educação. Ou por hábito. Eu respondo com um aceno de cabeça, e sigo. O único que tenta realmente conversar é o Theo, quando nos encontramos na entrada — mas ele é pequeno demais pra entender que, às vezes, a gente só quer silêncio.


O dia tinha sido como todos os outros até o intervalo. Me isolei no parque de trás da escola, onde quase ninguém vai. O som no fone me ajudava a não pensar. Ou pelo menos tentava.


Estava rabiscando algo no caderno. Nem sei o quê. Palavras que vinham. Que saíam. Que tentavam tirar o peso que sempre voltava. Até que senti alguém se aproximar.


Levantei os olhos.


Era ela. A garota do domingo. A nova aluna.


Ela parou a alguns metros, como se estivesse decidindo se ficava ou não. Parecia surpresa por me ver ali — talvez do mesmo jeito que eu me senti ao reconhecê-la.


— Oi — ela disse, depois de alguns segundos.


— Oi — respondi, sem tirar os fones, mas pausando a música discretamente.


Ela não disse mais nada. Nem eu. Mas por algum motivo... não foi estranho.


Ela olhou em volta, respirou fundo, e sorriu de leve.


— Bonito aqui — comentou.


— É o lugar mais calmo da escola — falei, fechando o caderno.


— Imagino.


Silêncio. Mas não o silêncio desconfortável. Era mais como... um intervalo.


— Bom — ela disse, dando um passo para trás. — Acho que já sei onde vir nos intervalos.


— Não costumo dividir o banco — brinquei, e foi a primeira vez em muito tempo que fiz piada com alguém.


Ela riu. Um pouco. Mas riu.


E então foi embora.


Ficou só o som da brisa, e um estranho alívio no peito.



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