Money

36 Laços e Infiltrações



Naquela semana, Luna estava mais próxima da tia Marianne. As duas se entendiam bem — um tipo de silêncio confortável unia ambas nos momentos difíceis. Enquanto dobravam roupas juntas ou preparavam o jantar, Marianne comentava:


— Sua mãe sempre foi assim… decidida e cheia de vida. Você tem esse brilho, mesmo nos dias nublados.


Luna sorriu, com um nó na garganta. Ela sentia falta de ouvir alguém falar da mãe com tanto carinho.


Mais tarde naquela noite, do outro lado da cidade, Noah chegava em casa e encontrava a mãe sentada à mesa com uma pasta aberta e uma xícara de chá ainda fumegando.


— Tudo bem, mãe?


— Sim… hoje recebi uma visita inesperada. Um senhor educado, bem vestido. Disse que conheceu o Alex no banco. Estava mexendo com umas pendências e quis oferecer ajuda.


Noah se aproximou devagar.


— Ajuda?


— Sim. Disse que algumas documentações ainda estão paradas e que, como conheceu o Alex, sentiu que devia colaborar. Foi muito gentil. Me deu o cartão dele, mas não insistiu em nada.


Ela empurrou o cartão pela mesa, mas Noah apenas o olhou, sem tocá-lo. Havia algo que o incomodava, embora não soubesse dizer o quê.


— Você confiou nele?


— Ah, filho, não vi motivo para não confiar. Ele parecia sincero… e foi tão respeitoso. Me ouviu falar de você, do Théo, de como tudo tem sido difícil. Às vezes um estranho escuta melhor do que a própria família.


Noah tentou sorrir, mas não respondeu.


Mais tarde, quando ligou para Luna, contou da visita:


— Um homem apareceu na minha casa hoje. Disse que conheceu o Alex e ofereceu ajuda à minha mãe com documentos.


— Era o mesmo que encontramos?


— Acho que sim. Minha mãe gostou dele. Disse que parecia alguém confiável.


— E você?


— Eu não sei, Luna. É só um pressentimento. Mas algo não encaixa.


— Talvez ele só esteja tentando ajudar…


— Ou talvez ele só pareça.


Luna ficou em silêncio por alguns segundos.


— Vamos observar. Sem julgamentos, mas com atenção.


— É. E sem contar nada pra ninguém ainda.


Ambos concordaram.


Do lado de fora da casa, no escuro da noite, alguém acendeu um cigarro e observou discretamente a casa dos Collins. Um sorriso breve surgiu em seu rosto, como se tudo estivesse indo conforme o planejado.