Money

37 Rastros do Passado



A casa dos tios de Luna estava silenciosa naquela tarde nublada. Enquanto os primos estavam fora e Marianne descansava, Luna decidiu arrumar uma caixa com os pertences que seus pais tinham enviado à família pouco antes da viagem — objetos deixados no depósito quando decidiram viajar mais leves.


Entre as coisas, havia livros antigos, álbuns de fotos, uma caixa de joias e algumas pastas.


Ao abrir uma das pastas, ela encontrou anotações manuscritas do pai. Planilhas com nomes, contas bancárias e pequenos símbolos que ela não compreendia. Em meio aos papéis, um envelope pardo com a frase: “Confiar apenas em quem viveu isso ao nosso lado.”


Luna sentiu o coração acelerar.


Separou o conteúdo, tirou fotos com o celular e guardou tudo novamente, disfarçando bem. Sabia que precisava mostrar para Noah.


Do outro lado da cidade, Noah e Théo estavam jogando videogame. Pela primeira vez em dias, o irmão mais novo riu de verdade.


— A Luna vai vir aqui de novo? — perguntou Théo, casual.


— Talvez — respondeu Noah, meio distraído. — Por quê?


— Porque quando ela está aqui... você sorri. E a mamãe também. A casa fica melhor.


Noah se calou por alguns segundos. A inocência do irmão o tocou de um jeito novo.


Mais tarde, enquanto lavava as mãos na pia, Noah olhou para o espelho. Ele não sabia como proteger todos que amava, mas sabia que não deixaria mais ninguém sofrer por silêncio.


Seu telefone vibrou. Era uma mensagem da Luna:


> “Preciso te mostrar algo. Achei papéis do meu pai. Tem nomes e contas. Algo importante.”




> “Vem pra cá amanhã,” ele respondeu. “Vamos ver isso juntos.”




Na tela do celular de Luna, a mensagem foi lida, mas ela hesitou antes de dormir. As peças estavam começando a se encaixar. Mas a imagem ainda era incompleta.


E alguém, em algum lugar, torcia para que continuasse assim.