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20 Entre Confissões e Silêncios


Notas iniciais
Noah leva Luna até um lugar especial que costumava frequentar com o irmão. Lá, eles compartilham memórias, dores e silêncios cheios de significado. Luna mostra uma caixinha com lembranças da mãe, e o gesto simboliza a confiança crescente entre os dois. Sem precisar de palavras grandiosas, eles se aproximam de forma verdadeira, construindo um vínculo sólido, silencioso e acolhedor.


P.N.Luna


Fazia frio naquela tarde, mas não era o tipo de frio que incomodava.

Era um frio que combinava com o céu nublado e com meu humor silencioso.

Noah me chamou para dar uma volta — sem um motivo específico, como sempre.


Caminhamos lado a lado por uma trilha tranquila, atrás da escola. Um lugar que ele disse gostar quando queria silêncio.

Era a primeira vez que eu ia lá.


Nenhum de nós falava muito. Mas nunca me senti desconfortável com o silêncio dele.

Na verdade, o silêncio com Noah tem som.

Tem presença.


— Aqui — ele disse, apontando para uma árvore mais grossa que as outras.

Havia marcas esculpidas no tronco. Letras. Iniciais. Datas antigas.

— Eu e o Alex costumávamos vir aqui. Quando ele queria conversar sem que ninguém escutasse.


Fiquei em silêncio, respeitando o espaço que ele abria.


— Às vezes, ele falava muito. Outras, só me fazia companhia. Ele entendia quando eu não queria explicar nada.


Me sentei ao lado da árvore. Ele também.


Peguei minha mochila e, depois de hesitar um pouco, tirei de lá uma pequena caixinha de madeira.

— Isso era da minha mãe — sussurrei.

Noah olhou para mim com atenção.

— Ela guardava coisas importantes aqui. Pequenas coisas. Cartas, fotos, bilhetes.


Abri a tampa. Tirei dois envelopes.

— Às vezes eu leio como se ela ainda estivesse aqui. Me ajuda a lembrar do som da voz dela.


Ele não disse nada. Só me olhou. E isso foi suficiente.


— Acho que estou começando a lembrar com menos dor — confessei, com a voz falha.


— Isso é um bom sinal — ele disse.


Ficamos ali por um bom tempo, dividindo memórias, saudades e o silêncio.

Em algum momento, Noah encostou levemente o ombro no meu.

Não era um gesto romântico. Era… acolhimento.


E, pela primeira vez, senti que estava segura.

Que, mesmo sem entender tudo o que estava acontecendo comigo, eu podia contar com ele.


E isso… foi mais forte do que qualquer palavra.


P.N. Noah


Luna não fala muito do que sente.

Mas hoje, quando tirou aquela caixa da mochila, entendi que ela estava me deixando entrar um pouco mais no mundo dela.

No lugar onde ela guarda a dor.


Ver a coragem nos olhos dela me fez admirar ainda mais quem ela é.

E, mesmo sem dizer nada, quis dizer tudo com aquele gesto simples.


Você não está sozinha.