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21 Quase Sem Perceber


Notas iniciais
Noah e Luna passam um tempo juntos após a escola, indo até uma livraria. A convivência entre eles se mostra leve e natural, cheia de pequenas trocas que reforçam a conexão. Um toque acidental entre suas mãos desperta sentimentos confusos em ambos, revelando que algo está crescendo entre eles — ainda sem nome, mas impossível de ignorar. A dúvida e a esperança passam a coexistir no coração dos dois.

P.N. Luna


Não sei exatamente quando comecei a esperar pelas mensagens dele.

Ou quando os silêncios passaram a fazer falta.


Às vezes, penso que ainda estou perdida no luto. Outras, percebo que, com Noah por perto, é como se a dor tivesse um lugar seguro para existir.


Hoje voltamos juntos da escola. Trevor e Britney seguiram por outro caminho, como sempre fazem quando não estão interessados em companhia. Noah e eu ficamos em silêncio por alguns minutos, até que ele perguntou:


— Quer passar na livraria? Preciso buscar um livro que encomendei.

— Claro — respondi, sem pensar duas vezes.


O caminho até lá foi tranquilo. Conversamos sobre um autor que ambos gostávamos.

Rimos de um funcionário desastrado que quase derrubou uma pilha de livros.

Foi simples. Natural. Bom.


Mas o que ficou mesmo foi o momento em que nossos dedos se tocaram por acidente, ao mesmo tempo em que pegávamos o mesmo livro da prateleira.

Não durou mais que dois segundos.

Mas senti.

Como se um arrepio tivesse atravessado meu braço até o coração.


Afastei a mão rápido, e ele também.

Nossos olhares se encontraram por um breve instante.

E então desviamos.


— Pode levar, eu já li — ele disse, tentando soar casual.

— Obrigada.


Na volta, caminhamos mais devagar.


Eu queria dizer que estava confusa. Que não sabia o que sentia.

Mas não disse.

Porque talvez ele também não soubesse.


P.N. Noah


Ela sorriu de um jeito diferente hoje. Um riso leve, que fez até a dor dentro de mim ficar em silêncio por um momento.


E quando nossos dedos se tocaram, por um segundo, me perguntei se ela sentiu o mesmo que eu.

Não era só um toque.

Era uma confusão boa. Um sinal de que algo estava crescendo ali, quase sem perceber.


Não quero apressar nada.

Mas também não quero fingir que não está acontecendo.


Luna é... diferente.

E, mesmo sem dizer nada, está mudando tudo dentro de mim.