Money

41 Ecos e Disfarces


Fazia quase um mês desde a última pista concreta. Noah e Luna ainda guardavam recortes de jornais, prints de e-mails suspeitos, nomes em cadernos e pastas espalhadas entre o quarto dele e o de Alex — mas nada avançava. Era como correr em círculos em uma floresta de névoa.


A escola, por outro lado, havia se tornado um refúgio silencioso. Os dois andavam juntos pelos corredores, não chamavam muita atenção, mas para quem os conhecia, estava claro: havia algo forte nascendo ali. Nos olhares cúmplices, nos toques rápidos, nos sorrisos leves que surgiam entre uma aula e outra.


Noah, antes isolado, agora sorria mais — especialmente quando Luna o esperava na porta da sala de história ou dividia com ele um chocolate escondido na mochila. Os professores notaram, os colegas cochichavam, mas nenhum dos dois ligava. Havia um entendimento silencioso entre eles, e isso bastava.


Numa tarde ensolarada, após a aula de literatura, Luna e Noah foram juntos até um parque próximo da escola. Sentaram na grama sob uma árvore alta e ficaram ali, deitados de barriga para cima, observando o céu.


— Sabe o que eu gosto em você? — perguntou Luna, virando o rosto para ele.


— Que pergunta difícil… Meu cabelo bagunçado?


Ela riu.


— Isso também. Mas gosto de como você não força nada. Você simplesmente... é.


Ele sorriu, se virou de lado, e tocou levemente o rosto dela.


— Acho que gosto de tudo em você. Até das suas reclamações sobre o cardápio da cantina.


— Aquilo não é reclamação, é denúncia. Aquele hambúrguer tinha gosto de papel.


Ambos riram, e o riso se dissipou num silêncio bom. Os olhos se encontraram, e ali veio o beijo. Sem pressa, sem medo. Um beijo doce, firme, necessário.


Naquela mesma noite, a mãe de Noah reuniu os filhos na sala.


— Quero contar algo a vocês... Não é nada demais, mas achei que deviam saber.


Théo, curioso, arregalou os olhos. Noah, atento.


— Conheci alguém. O nome dele é Henrique. Ele tem me feito bem. E hoje... ele vai jantar conosco.


Théo vibrou, Noah engoliu seco. Luna, que estava ajudando com o jantar, sentiu o coração acelerar — não por ciúmes, mas por desconfiança. Aquela coincidência de nomes a incomodava.


Henrique chegou com um vinho, um sorriso no rosto e um blazer elegante. Conversava com todos com calma, fazia elogios à comida, contava causos engraçados. Era encantador.


— Eu soube da perda dos pais da Luna... — disse num momento mais reservado, olhando-a com gentileza. — Meus sentimentos. Se eu puder ajudar com algo, qualquer coisa, conte comigo.


— Obrigada — respondeu ela, ainda desconfiada.


Noah comentou, em voz baixa, sobre a estagnação da investigação. Henrique, com um tom prestativo, sugeriu:


— Se quiserem, posso dar uma olhada. Tenho conhecidos que trabalham com auditoria financeira. Talvez eu consiga algo que a polícia comum não alcança.


Luna olhou para Noah. Ele parecia mais aliviado. Ela hesitou, mas sabia que estavam sem alternativas.


— Tudo bem — disse ela, com um sorriso leve. — Toda ajuda é bem-vinda.