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12 Depois do Adeus


Notas iniciais
Nos dias seguintes ao velório, Luna se vê envolta em um luto profundo. A rotina parece distante, e a saudade dos pais aperta a cada amanhecer. Apesar da dor, começa a sentir pequenos gestos de acolhimento da nova família: os cuidados delicados de Marianne, a presença silenciosa de Trevor e Britney, e a companhia discreta de Noah, que aparece quando ela menos espera. Entre lágrimas e memórias, Luna começa a perceber que, embora a dor permaneça, ela não está sozinha. E ao receber uma fotografia marcante com uma mensagem assinada por Noah, seu coração se aquece pela primeira vez desde a perda.

Luna


Os dias seguintes passaram como se eu estivesse debaixo d’água. Tudo era abafado. Lento. Embaçado.


O sol nascia e eu mal percebia. As pessoas falavam e parecia que suas vozes vinham de longe. Eu acordava esperando uma mensagem da minha mãe, um bom-dia do meu pai, um aviso de viagem… mas só encontrava o silêncio.


Tia Marianne me tratava com todo o carinho do mundo. Nunca me obrigava a falar, mas também nunca me deixava sozinha por muito tempo. Toda noite ela batia na porta e perguntava se eu queria companhia, chá ou só um abraço. Às vezes eu aceitava, às vezes só fingia estar dormindo.


Trevor, de forma tímida, começou a perguntar se eu queria ver um filme ou ajudar a montar uma playlist nova. Ele não insistia quando eu recusava, mas ficava por perto. Era o jeito dele de mostrar que se importava.


Britney, surpreendentemente, passou a me evitar menos. Ela não sabia lidar com tristeza, eu percebia, mas vez ou outra deixava uma caixinha com esmaltes ou um doce em cima da minha escrivaninha. Pequenos gestos. A tentativa dela de me alcançar.


E, então, havia Noah.


Não era como se ele tivesse se tornado alguém constante, nem íntimo. Mas, de tempos em tempos, aparecia. Me encontrava sentada no jardim ou no fundo da escola, e apenas sentava por perto. Às vezes, trocávamos poucas palavras. Às vezes, nenhuma. Mas nunca era desconfortável.


Na primeira segunda-feira depois do velório, voltei a ter crises de choro à noite. Tentei sufocar os soluços no travesseiro, mas tia Marianne ouviu e entrou devagar. Sentou na beira da cama, me abraçou em silêncio e apenas disse:


— Você não precisa fingir força aqui, Luna. Nós somos sua família. E isso nunca vai mudar.


Fiquei abraçada a ela por um tempo, e, pela primeira vez desde o enterro, deixei meu corpo sentir tudo. A dor. A saudade. O medo. A culpa. Chorei até adormecer.


No dia seguinte, ao descer para o café, encontrei um envelope em cima do prato. Nele, uma fotografia: eu e meus pais sorrindo em frente à Torre Eiffel, tirada por mim na nossa última manhã juntos. No verso, alguém havia escrito:


“As memórias não se apagam. Elas sobrevivem com a gente.” — N.


Sorri, entre lágrimas.