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19 Confusão Doce


Notas iniciais
Algumas semanas se passam, e Luna e Noah se aproximam de forma natural e constante. A conexão entre eles cresce, feita de silêncios compreendidos e gestos sutis. Luna começa a sentir algo por Noah, mas se vê confusa, sem saber se é amor verdadeiro ou uma forma inconsciente de preencher o vazio da perda. Já Noah respeita o tempo dela, oferecendo apoio sem cobranças. Ambos seguem se descobrindo, entre a dor e um possível recomeço.


PN. Luna


O tempo passou.


Não rápido. Nem devagar.

Apenas passou — como se os dias tivessem decidido seguir em frente por mim, mesmo quando eu ainda queria estar parada.


Já fazem algumas semanas desde o velório.

Desde que minha vida virou outra.

E, no meio disso tudo, eu me vi conversando cada vez mais com Noah.


Não sei exatamente quando começou.

Se foi no dia da feira, nas mensagens trocadas à noite, nas vezes em que ele me esperou na saída da escola...

Ou nos silêncios compartilhados que diziam mais do que mil palavras.


Tem sido bom.

Noah tem um jeito quieto de acalmar o caos.

Ele não tenta me animar com frases prontas. Não força sorrisos. Ele apenas está ali.


Presente.


E eu…

Eu comecei a gostar de estar com ele.


Hoje nos sentamos no banco do pátio da escola. Eu estava com frio, e ele tirou o casaco e colocou nos meus ombros sem dizer nada.

Ficamos em silêncio, assistindo os outros correrem de um lado pro outro, rindo alto.


— Você parece mais tranquila — ele disse, quebrando o silêncio.

— Às vezes. Mas é só por fora — confessei, olhando para frente.


Ele assentiu devagar.

— Eu sei como é.


E naquele momento eu senti vontade de segurá-lo pela mão.

Mas não fiz.


Não sei o que está acontecendo comigo.

Eu gosto da presença dele. Do jeito que ele me olha, como se enxergasse algo que nem eu vejo.


Mas toda vez que meu coração acelera, uma pergunta ecoa dentro de mim:


Será que eu gosto dele de verdade… ou estou tentando preencher o vazio que a dor deixou?


Essa dúvida me corrói quando estou sozinha.

Hoje, deitada na cama, com meu celular na mão e a última mensagem dele aberta, fico encarando a tela por minutos.


> “Se precisar fugir do mundo por uns minutos, me chama. Eu fujo junto.”




Fecho os olhos.


Quero responder. Quero dizer que sinto algo.

Mas ainda não sei o quê.

Só sei que, com ele, meu luto parece mais leve.

E isso… me confunde.


PN. Noah


Tenho andado com ela quase todos os dias.

E, mesmo sem muita conversa, sinto que a gente tem falado bastante.

Com os olhos. Com os silêncios. Com as ausências que entendem uma à outra.


Ela sorri mais agora. Mas nunca é um sorriso inteiro.


E tudo bem.

Eu também não sou inteiro desde que Alex se foi.