Money

10 A Notícia (Parte 2)


Notas iniciais
Luna vive um domingo aparentemente tranquilo com a família dos tios, até ver na TV a notícia de um avião caído vindo da Índia. Inicialmente em negação, ela entra em desespero ao reconhecer o número do voo dos pais. Após ligações tensas, vem a confirmação: seus pais estavam na aeronave. A dor a consome, e, mesmo amparada pelos tios, sente-se despedaçada. Marianne a consola, prometendo que Luna sempre terá uma família ao seu lado — mesmo quando tudo parecer perdido.


Luna


Era domingo. Um daqueles dias que parecem longos e curtos ao mesmo tempo. O céu estava limpo, o sol atravessava as janelas da casa dos meus tios, e por um instante, tudo parecia calmo. Familiar, até.


Acordei um pouco mais tarde que o normal. Marianne estava na cozinha, preparando panquecas, e me ofereceu um sorriso gentil. Trevor estava no sofá, jogando no celular, e Britney... bom, Britney ainda dormia.


Fui para meu quarto, peguei o celular e liguei para meus pais. Caixa postal. Tentei de novo. Nada.


Tudo bem, pensei. Devem estar em trânsito. Eles disseram que teriam uma conexão longa hoje, saindo da Índia e indo para outro país da Ásia, alguma reunião importante com investidores. Meu pai parecia animado na última chamada. Minha mãe mais preocupada. Algo com movimentações no banco. “Gente demais ganhando o que não devia”, ela tinha dito. E depois riu, tentando disfarçar.


O dia seguiu lento. Arrumei meu quarto, respondi uma mensagem da Emily, brinquei com o cachorro dos tios no quintal. Tentei ignorar aquele nó no estômago.


Foi à noite que tudo parou.


Estava no corredor quando ouvi um barulho seco vindo da sala. Um copo batendo na mesa, talvez. Me aproximei. Meus tios estavam diante da TV, imóveis. A imagem: o rastro de fumaça, os destroços, a legenda em letras brancas no rodapé:


“Avião vindo da Índia sofre pane e cai próximo à costa. Nenhum sobrevivente.”


Eu parei ali mesmo. A respiração prendeu. Um segundo. Dois. Depois vieram os gritos.

— Não — minha voz saiu fraca. — Não é... não pode ser esse voo.


— Luna, querida, calma — disse tio Brian, levantando-se. — Pode ser outro voo, outra conexão.


— É o mesmo número — eu disse, sem conseguir respirar.


Tia Marianne se aproximou e me envolveu num abraço apertado. — Shh... vamos verificar. Não vamos tirar conclusões antes, tá bem? Pode ser outra aeronave.


Mas nos olhos dela já havia algo que dizia o contrário.


Brian começou a fazer ligações. Tentava contatos do banco. A embaixada. Alguém. Qualquer um.


A TV seguiu transmitindo imagens da queda. Os destroços no mar. Equipes de resgate. Nenhum sobrevivente.


Eu continuei de pé. As mãos tremendo, o coração descompassado. A mente negando o óbvio.


Demorou. Minutos que pareceram dias. Até que o telefone tocou.


Tio Brian atendeu. Seus olhos se fecharam, o queixo trêmulo. Ele assentiu algumas vezes, murmurou um "obrigado", e desligou.


Tia Marianne não perguntou. Ela sabia.


E eu também.


Caí de joelhos no chão. A dor veio inteira, sem aviso. Um grito que rasgou por dentro. Os braços da minha tia me envolveram enquanto eu soluçava sem controle, sem direção.


— Eu sinto muito, minha querida... — ela sussurrou, com a voz falhando. — Você perdeu seus pais... mas você não perdeu sua família. Estamos aqui. Sempre estaremos. Você ainda tem a gente. E você é forte. Vai conseguir passar por isso.


Mas naquele momento… eu não queria ser forte. Eu só queria meus pais de volta.


E eu?

Eu fiquei.

Com o coração rasgado.

E um vazio que nenhuma ligação vai preencher.