Momentos
54 ... de Grandes Passos
Notas iniciais

Branco.
Para onde Kiba olhasse, tudo que ele via era o branco da neve.
Seus trajes não eram o suficiente para protegê-lo do frio.
Sua primeira missão na condição de jounin o levou ao País da Água, onde as estações aconteciam em épocas diferentes de Konoha. Quando saiu da Vila do Fogo, era final de primavera, início do verão. Comemorou aniversário com Shino e firmou um compromisso com o namorado.
Kiba sentiu um choque térmico, ali o rigoroso inverno começava e nem mostrara sua verdadeira face.
Missões jounin tinham ranking mais elevado e podiam ser executadas em conjunto ou não, dependendo da natureza da tarefa. Kiba seguia sozinho, estava apenas rastreando pistas sobre fugitivos remanescentes da guerra.
Três anos haviam se passado, mas nem todos os favoráveis a guerra haviam sido capturados. Então surgiu uma pista sobre um deles, que fugira de Konoha e surgira no Páis da Água. Ele só precisava confirmar a veracidade dos fatos.
Akamaru estava junto com ele. Eram inseparáveis. Assim como os insetos de Shino, que agora sabia carregar na gola da blusa onde quer que estivesse. Era uma garantia meio inútil devido a distância, mas que tranquilizava Kiba, por saber do cuidado e preocupação que os pequenos bichinhos representavam.
Enquanto investigava, Kiba acabou se perguntando quem seria o fugitivo, se entraria em confronto e o capturaria, se ele tinha algo a ver com a morte de Hana...
Era impossível não relacionar os acontecimentos. Desde que os conflitos se acalmaram, quando a irmã foi dada como desaparecida em combate, assim como dezenas de outros guerreiros... o medo intenso de que ela estivesse presa, sendo torturada, sofrendo... mas por baixo de todo esse receio, a esperança de que um dia Hana voltasse para casa. Talvez ferida, talvez magoada, talvez precisando de um longo período de recuperação.
Mas viva.
Os anos se passaram e um dia a verdade esmagadora.
Hana nunca mais voltaria para casa. E sim, as torturas que temiam que ela sofresse foram reais. Kiba descobriu ao ler escondido o relatório que mandaram para Tsume. Teve pesadelos por meses depois disso.
E tudo o que restou foi o desejo de justiça. Algo que beirava o ilusório. Quais as chances de descobrirem o culpado pela morte da irmã?
Animou-se com a possibilidade de ter uma pista. E não foi recompensando. Investigou a dica, passou dias percorrendo a neve indo atrás de informações, com discrição conforme treinou, mas com tenacidade. Era um engano. Nenhum foragido da guerra se escondia naquela região. Teve a certeza de cobrir cada rastro, para não falhar na primeira missão, bastava voltar de mãos abanando. Não queria carregar nos ombros o peso de uma investigação mal feita.
Não havia mais nada que pudesse fazer, a não ser voltar para Konoha.
No último dia naquele país, sentou-se em uma das estalagens, aproveitando uma refeição quente e decente, despedindo-se da esperança de encontrar um culpado e se preparando para voltar para casa, para o calor de Konoha.
E para o calor dos braços de Shino.
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