Momentos
55 ...Entre Sogra e Genro
Notas iniciais

Shino nunca se incomodou com a gola alta que encobria seu rosto. Sempre esteve confortável com ela, bem adaptado. Isso até ir jantar com Inuzuka Tsume, mãe de seu namorado, a sós... tal encontro mudou um pouco as coisas.
Estavam sentados a mesa, partilhando a refeição, um gesto de atenção. Kiba estava realizando sua primeira missão jounin. Afastou-se de casa e deixou a mãe sozinha! O garoto ficou preocupado por isso e pediu que Shino verificasse as coisas até que ele voltasse. Talvez a missão não demorasse muito, mas Kiba queria a segurança de saber que sua mãe tinha Shino por perto.
Tsume parecia não pensar assim. Estava claro nas íris atípicas como as herdadas pelo filho.
— Então aqui está você, Shino-kun, fazendo papel de babá — ela falou num tom agressivo, geralmente o mesmo usado para tudo, mas que deu vontade de Shino puxar a gola e afastá-la do pescoço, para poder respirar melhor...
— Não exatamente, Tsume-san.
— Aa — ela falou mais alto — Tem razão. Está no seu papel de genro... não se preocupe — e deu um gole no sake, antes de continuar comendo a refeição que o namorado do filho lhe trouxera.
Divertia-se com o jeito angustiado de Shino. A expressão sempre indiferente escondia bem os sentimentos, mas ela era experiente em ler pessoas. Viu fácil o que aqueles dois pretendiam. Bem... não precisava ser um gênio para descobrir que por trás do gestos de gentileza que Kiba vinha fazendo, havia algum interesse oculto! Ele tentou cozinhar para a mãe durante uma semana antes de sair em missão. Ganhou cortes nas mãos. E Tsume o inicio de uma gastrite, pois o filho cozinhava mal.
Kiba também vinha jogando no ar questões sobre crescer, amadurecer, sair do ninho...
Sair do ninho!
Nesse momento Tsume quis arrancar as orelhas do filho, por ele ser tão cheio de “não-me-toques” para contar que queria sair de casa. E aparecer com uma aliança no dedo não depunha em favor dele, claro.
Ela apenas entrou no jogo, fazendo-se de desentendida e pondo lenha na fogueira.
Era divertido.
Ela jamais iria contra a união daqueles dois. O casal estava junto desde que podia se lembrar. Kiba fazia tão bem para Shino quanto Shino fazia para seu menino. Que tipo de mãe seria se colocasse empecilhos na decisão de ficarem juntos? Seria difícil no começo, claro. Estava tão acostumada a presença barulhenta de Kiba...
O silêncio que viria era de assustar. Porém, ainda assim, muito bem vindo. Melhor perder um filho para o amor do que para a guerra. E amor era o fator de ligação naquele casal, inegável e de uma profundidade que ela nunca viu antes. Se existisse “almas-gemeas” nesse mundo, Aburame Shino e Inuzuka Kiba era um testemunho vivo desse mistério.
— Amor é uma arte — ela deixou escapar, pensativa.
— Desculpe-me? — Shino indagou com o hashi cheio de lamen parado no ar.
Tsume apenas sorriu, de um jeito normal, e dispensou explicações.
Amor era uma arte. Insana, porém linda. Sentia-se feliz por seu filho a encontrar.
Fale com o autor