Momentos
73 ... Familiares
Notas iniciais

O jogo foi um massacre. Dava pena de assistir.
De um lado, o time favorito: seis adolescentes trajando uniformes pretos com detalhes em vermelho. Do outro lado, os desafiantes. Novatos uniformizados de branco. Se esforçavam, mas cada lance apenas aumentava a diferença no placar.
Basquete era um esporte dinâmico, de contato agressivo. E o jogador Az da partida parecia uma verdadeira pantera. Não apenas pelo tom exótico da pele escura, mas pelos movimentos sensuais, selvagens e precisos. Um predador sem misericórdia que roubava a bola na certeza de finalizar em lances de aspecto quase sobrenaturais.
O placar assinalava uma diferença inalcançável. O time que ganhava exibia pontuação de três dígitos.
Sim.
Um verdadeiro massacre.
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— Pega — Tsume arremessou a latinha de cerveja para Shino, que a pegou no ar com precisão. Não era sua bebida favorita, mas a oferta da futura sogra era irrecusável.
— Obrigado — agradeceu antes de abrir e tomar um pequeno gole.
Sobre a mesa, algumas tigelas com petiscos apetitosos serviam de acompanhamento para a diversão daquela tarde morosa.
Estavam na sala da casa de Tsume, assistindo a partida final de algum torneio intercolégios estrangeiro, exigência fervorosa de Kiba, que queria por que queria assistir essa final histórica.
O mesmo Kiba que ressonava alto deitado no sofá, usando as pernas de Shino como travesseiros. Pois foi só o time para o qual torcia começar e perder e todo o interesse do garoto na partida desapareceu. Dai a mergulhar no cochilo foi tá fácil quanto respirar.
Nem Tsume, nem Shino se importaram de mudar o canal. A intenção não era assistir algo, era apenas usufruir do momento em família, algo que não conseguiam de modo rotineiro, principalmente depois de ingressar na vida adulta. Kiba estava cada vez mais ocupado com as missões (precisavam urgente do dinheiro, construir consumia muito mais do que pensaram no começo), Shino se preparava para os estágios obrigatórios e Tsume mantinha o ritmo de sempre, que comumente a deixava apenas com as noites livres. Período no qual todos queriam (precisavam) descansar.
Aquela tarde de domingo, em que os três conseguiram sentar e aproveitar, devia ser considerada preciosa.
— A casa está bem adiantada — Tsume comentou enquanto pegava algumas batatas estilo chips de uma embalagem. Segurava uma cerveja gelada na outra mão.
— Sim, os pedreiros são comprometidos.
— Cêis vão ver dor de cabeça quando começar o acabamento — Tsume comentou. Alicerce, argamassa, paredes... tudo isso era a parte mais rápida de uma construção. O diabo morava nos detalhes.
Podia se lembrar de quando construiu aquela casa. Vivia com o primeiro parceiro, fizeram planos de uma família numerosa, muitos anos de relação. E de tais planos pouco restou.
— Contamos com sua experiência para nos ajudar com o acabamento.
— Ee? Bajulador — a mulher resmungou, afável. Não podia negar que a personalidade do rapaz Aburame a agradava.
— Seirin perdeu — Shino comentou distraído ao final do jogo, fazendo carinho nos cabelos do namorado adormecido — Kiba não vai gostar disso.
Tsume sorriu de leve. Sim, a personalidade daquele rapaz a agradava muito.
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