Momentos
74 ... de Realidades Ruins
Notas iniciais

A neve dificultou a missão, mas foi um treino fantástico. Não era a primeira vez que Kiba investigava lugares ermos, mas era a primeira vez que tinha a companhia de Hayate-sensei, agiando como ninjas companheiros de time.
Isso o orgulhava, porque mostrava seu aumento de nível, a ponto de receber missões mais perigosas, de ranking elevado.
Hayate ensinou a prática de rastrear inimigos através da neve branca, ensinou truques de sobrevivência ao frio intenso e mostrou como montar uma tocaia infalível.
Tudo isso para que fossem bem sucedidos e capturassem mais um grupo de remanescentes fugidos da guerra. Encher-se de esperanças por qualquer informação a respeito da morte de Hana já era lugar comum. Kiba não podia evitar que a mente alimentasse o desejo de encerrar aquele capitulo da vida de sua família. Sentia como se a alma da irmã não fosse ter descanso enquanto não trouxesse a verdade a tona.
Por isso cada fracasso doía sempre com a mesma intensidade.
Ajudou a prender criminosos, embora nenhum deles tivesse relação com Hana.
E esse nem foi o pior ponto da viagem.
Presenciaram uma cena terrível na estalagem em que pernoitaram, logo após entregar os prisioneiros para a autoridade da vila. Quando estavam sentados no salão das refeições para tomar uma sopa quente.
O clima gelado não afetou os outros clientes que usufruíam do restaurante. A maioria de homens vestindo grossos casacos, toucas de lã peculiar e aparência grosseira. Seguravam grandes canecas de cerveja espumante e conversavam em grupos pequenos.
Até que o silêncio se espalhou de forma gradual. Tanto Kiba quanto Hayate perceberam o fato e pararam de comer para prestar a atenção. Não foi preciso mais do que um olhar para entender: três grandalhões cercavam um casal de estrangeiros, dois homens. E pareciam prestes a bater em ambos.
Em meio as risadas uma palavra destacou-se.
E ferveu o sangue de Kiba.
— Veados! – os grandalhões debochavam.
O garoto fez menção de se levantar e enfrentar os covardes. Mas Hayate o segurou pelo braço e impediu, o que aumentou a raiva de Kiba. Eram ninjas treinados! Podiam dar conta do recado. E justamente por isso notou o movimento veloz do pulso do ex-sensei e as kunai cortando o ar, sem que ninguém mais se desse conta. As laminas afiadas foram certeiras nos alvos: cortaram os cintos das calças dos valentões e eles ficaram de cuecas no frio intenso! De provocadores passaram a piada, fugindo dali depressa.
Kiba apreciou o gesto, ainda que tivesse preferido acertar uns sopapos nos malditos. Observou pesaroso o casal de vitimas que preferiu se refugiar no quarto a continuar a refeição que faziam.
O mundo era um lugar tão injusto.
Kiba ronronou, acalentado pelo carinho em seus cabelos. Vagamente ouvia a televisão narrando o jogo final da temporada de basquete. A voz de Shino e Tsume soavam de fundo. O colo do namorado estava tão quentinho...
Acabou adormecendo de novo, tranquilo.
O mundo era um lugar injusto e cheio de desilusões, mas ainda valia a pena.
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