Molly & Arthur

11 Visita da Tia Muriel


Notas iniciais
Olá minhas leitoras. O Nyah voltou e a fanfic também. Boa leitura.

20 de Agosto de 1963

Era uma sexta-feira à noite e como esperado por todos da casa dos Prewett seria aquele o dia em que receberiam a tradicional visita de Muriel para o jantar. Algo que com o aproximar das horas foi fazendo com que Molly tivesse que tomar as rédeas da situação e preparar seus irmãos para que tudo estivesse em ordem já que seu pai demoraria algum tempo antes de finalmente poder retornar para casa.

As situações na loja iam incrivelmente bem aquele mês o que o fez William ter de trabalhar até o anoitecer sendo que naquele dia antes de sair de manhã havia prometido que não iria se atrasar para a refeição já que ele sabia muito bem que as crianças não gostavam muito de ficar a sós com a tia.

Tia Muriel era o tipo de bruxa da alta sociedade e de longe a pessoa mais bem financeiramente da família sem contar é claro que se tratava da irmã mais velha do Sr. Prewett. Ela se casara há muito tempo só que nunca tivera filhos e seu marido morreu muito antes de Molly ter idade suficiente para poder se lembrar dele. Talvez fosse a solidão e a ausência de parentes próximos que a fizesse ter aquele ritual de visitar o irmão semanalmente e o fazia muito antes da morte da esposa de William.

Molly se lembrava de o como sua mãe parecia não gostar da cunhada mesmo que não admitisse a ninguém e talvez a garota compreendesse os motivos afinal um dos defeitos maiores que Muriel possuía era sem duvida alguma a língua afiada transbordante de veneno.

Talvez fosse por isso que a garota ficava ansiosa a cada visita dela porque queria que tudo estivesse em seu devido lugar para que a tia não tivesse o gostinho de poder criticar algo que ela ou algum de seus irmãos haviam feito de errado. Ela repetia o mesmo sermão ao ver os que os garotos ainda não haviam terminado de se arrumar.

_ oh Merlin, olhem para vocês... – disse Molly ao subir para o quarto deles trazendo as roupas secas que havia lavado aquela manhã — coloquem as vestes que separei para os dois se realmente pensam em descer para o jantar.

_ não entendo porque temos que nos vestir como se fossemos sair sendo que vamos simplesmente jantar em casa – falou Gideon para a irmã assim que alcançara sua cama na parte de cima do beliche.

_ você sabe muito bem os motivos para fazermos isso – respondeu Molly – quer mesmo que a Tia Muriel tenha alguma desculpa para poder criticar a gente na frente do papai?

_ talvez eu não me importe tanto com o que ela pensa – disse Gideon – afinal ela até deve ficar mais feliz fazendo essas criticas deve ser o ponto alto da semana dela.

_ em vez de deixarmos tudo perfeito devíamos fazer alguma coisinha para que ela nos critique – falou Fabian brincando e olhando para o irmão – talvez tomar sopa fazendo barulho ou colocar os cotovelos na mesa até quem sabe fazê-la criticar nossa postura enquanto estamos sentados?

_ acho que seria o ponto alto da semana dela – apontou Gideon e o outro gêmeo concordou.

_ vocês podem não se importar com o que ela diz porém eu me importo porque ela sempre diz que os culpados de serem assim somos eu e o papai não pormos limites nos dois – falou Molly colocando as mãos na cintura – não sei o que passa pela mente de vocês dois mas eu não gosto de ouvi-la falar essas coisas porque elas machucam muito e não estou falando de mim.

_ você sabe que não estávamos falando sério não é? – perguntou Fabian – quero dizer mesmo que não seja importante para nós não íamos fazer nada que fizesse com que papai ficasse mal... – ele olhou para Gideon que assentiu.

_ ou muito menos você – completou Gideon – pode deixar que nós vamos ser os gêmeos perfeitos enquanto ela estiver aqui se assim for fazer que papai fique feliz.

_ quem sabe puxar a cadeira dela quando for se sentar – sugeriu Fabian – ela iria gostar disso não? – o outro gêmeo fez cogitar a ideia do irmão antes de responder.

_ estamos falando de puxa-la e retorná-la não? Porque se só puxássemos não importa o quanto soe engraçado a cena acho que a Molly não iria aprovar – respondeu Gideon – não é mesmo Mols?

_ façam isso e irei garantir que vocês dois não irão para Hogwarts o ano que vem – repreendeu Molly num tom de falsa ameaça – e não é uma coisa boa antes que perguntem o que irá acontecer com vocês.

_ você está assustado Gide? – perguntou Fabian num tom evasivo – porque eu estou me sentindo assim – o outro gêmeo engoliu em seco.

_ sabe às vezes esqueço o quanto nossa irmã consegue ser assustadora – respondeu Gide antes de rir sendo acompanhado pelos irmãos – será que pode nos deixar sozinhos para que possamos nos trocar?

_ claro – falou Molly se retirando do quarto e puxando a porta – se aprontem e desçam para me ajudar a colocar a mesa de jantar e Gide lembre-se de colocar o Sr. Bigodes para fora sabe o que a Tia Muriel é alérgica.

_ você podia colocar uns pelos de gato no meio do prato que vai ser a ela – disse Gideon – assim o jantar terminaria mais depressa e não teríamos que ficar fazendo sala para ela depois até que ela se decida em ir embora.

_ não podem estar falando sério – falou Molly.

_ lógico que não Mols – falou Fabian – eu ao menos não aprovo essa ideia porque é quase um plano de assassinato afinal imagina uma reação alérgica numa velha da idade dela é simplesmente pedir para ir para o cemitério – ele fez uma pequena pausa – claro que o Gide não sei se seria capaz disso.

_ sou jovem e bonito demais para Azkaban – respondeu Gideon – relaxa Mols nós sabemos os limites de nossas brincadeiras e isso nem seria tão engraçado se você quer saber.

_ é sem stress – pediu Fabian – parece que esqueceu que não precisa levar sempre a sério tudo o que dizemos.

_ é essa velha que simplesmente deixa ela assim toda afobada a cada visita – sussurrou Gideon, porém Molly ainda podia ouvir – pode notar que é só ela aparecer que o senso de humor da Molly evapora.

_ eu ainda estou aqui – falou Molly suspirando.

_ por quê? Nós não dissemos nada – falou Gideon – por que você não desce para terminar o jantar? Nós já estamos acabando de nos trocar para podermos ir arrumar a mesa.

Molly suspirou então descendo os lances de escada e atravessando a sala dando uma pequena parada para ajeitar as almofadas do sofá além de alguns porta-retratos que havia nos móveis e sobre a lareira. Ela sorriu para um deles em que havia a foto de sua mãe que devolvera o gesto ao lado de um mais jovem e sorridente William Prewett.

A garota ruiva não pode deixar de pensar o quanto as coisas seriam mais fáceis se ela tivesse sua mãe ali ainda com eles. Foi então que voltou seu olhar para o relógio não deixando de remover uma pequena manchinha que havia em seu suporte antes de notar as horas que pareciam estar simplesmente voando.

Molly então se encaminhou para a cozinha para terminar de fazer o jantar. Tivera de se lembrar de maneirar ao temperar a comida que preparava já que se estivesse com um pouco a mais seria motivo para Muriel lembra-la de sua idade avançada e que sal a mais do necessário iria fazer sua pressão arterial subir ou alguma coisa assim.

O mesmo valia para o açúcar que seria uma desculpa para ela fazer um escândalo sobre Molly querer lhe fazer atacar sua diabetes (coisa que nem ao menos ela tinha sendo mais uma de suas desculpas para infernizar a garota). O mais interessante era que Muriel não dispensava um licor depois das refeições.

Ela picara as verduras e legumes com cuidado as despejando no caldeirão do ensopado de rã. Feito isso mexeu com a colher até que eles se perdessem no caldo então acrescentando algumas ervas para dar um aroma mais adocicado. Molly então foi ver como estava a sobremesa e pode notar que seus bolinhos de abobora estavam prontos e os puxou do forno os colocando para esfriar a janela.

Não demorou muito para que os gêmeos descessem as escadas bem a tempo quando Molly já pensava em iniciar a arrumação da mesa sozinha. E enquanto os garotos arrumavam as cozinhas lá embaixo foi que a ruiva tivera tempo de subir para que pudesse trocar de roupa. E assim fez subindo os degraus apressadamente até seu quarto e colocando o vestido que havia separado sobre a cama.

Molly dava os últimos ajustes em suas meias e amarrava seus sapatos antes de se ver perfeitamente vestida no espelho que havia em seu quarto. Podia não ser a garota mais bonita porém ninguém podia dizer que ela não sabia se vestir bem quem sabe valesse até o elogio de alguém por sua beleza para variar no lugar de sua comida. Ela riu não era como se fosse se importar com algo dito por sua tia afinal não era como se soasse verdadeiro até porque não se importava muito com isso.

Ela ajeitou seu cabelo e colocou o arco para lhe enfeitar a cabeça então dando uma ultima checada para ver se estava tudo certo com o que vestia foi que finalmente saiu do quarto. Enquanto rumava pelos corredores deu de frente para com seu pai que subia as escadas e parou para recepciona-lo. Eles se abraçaram e Molly pode sentir o cheiro que o pai trazia da loja que era algo que ficava preso nele certamente vindo do vapor da ultima poção em que estivera trabalhando.

_ vejam só – sorriu William podendo ser notado que ele estava bastante cansado depois daquele dia duro de trabalho – estamos bastante elegantes não é mesmo? – ele dera um beijo singelo na testa da filha – esta muito bonita querida.

_ obrigada papai e é bom saber que o senhor chegou – falou Molly – o jantar já está quase pronto e ainda temos uma meia hora antes de Tia Muriel vir então ainda há tempo para um banho e se quiser posso separar alguma veste para usar esta noite.

_ bastante gentil de sua parte Molly só que pode deixar que eu mesmo faço isso – respondeu William dando-lhe um novo beijo na testa antes de prosseguir pelo corredor – alias passei pela cozinha e devo admitir que só o cheiro já esta incrivelmente delicioso.

Molly o viu então virar as costas e seguir até seu quarto antes que pudesse então descer as escadas e ir até a cozinha a ponto de conseguir salvar os bolinhos de abobora do bote do Sr. Bigodes que os encarava com seu olhar felino cobiçoso. A ruiva não tivera tempo de ralhar com Gideon sobre o gato já que o gêmeo se apressou em pega-lo e o levar para o lado de fora da casa.

A mesa estava pronta e o relógio da sala de estar marcava as oito em ponto quando o reconhecível som de aparatação foi escutado. Molly olhou uma ultima vez para os gêmeos como para ter certeza se tudo estava em ordem neles antes de se encaminhar para a porta da frente ao mesmo tempo em que via seu pai descendo os degraus tentando dar o nó em sua gravata sendo que ao ver que não conseguiria simplesmente a arrancou e se apressou a guarda-la no bolso.

Com um aceno do pai foi que Molly saiu do caminho permitindo que ele fosse atender a porta que soou algumas batidas antes que William pudesse atendê-la. Então a porta foi aberta dando a visão para a velha bruxa colocada ali fora.

Era uma senhora já idosa de aspecto meio magro e esguio. Ela tinha um nariz pontudo e olhos minguados meio avermelhados com uma expressão severa característica. Seus cabelos ruivos pálidos num tom quase róseo cacheado e volumoso tendo ao alto de sua cabeça o chapéu com plumas rosadas que juntos as suas vestes cor de pêssego lhe davam a aparência de um flamingo carrancudo.

_ boa noite meu irmão – falou Muriel cordialmente lhe estendendo a mão que foi aceita e beijada por William numa demonstração de respeito – vejo que as coisas permanecessem as mesmas por aqui que não fez muitas mudanças na decoração desde minha ultima visita.

_ sua ultima visita foi semana passada Muriel – disse William – não vejo o que poderia mudar nesse meio tempo – ele fechou a porta atrás deles.

_ talvez devesse dar uma olhada em suas telhas parece que vi algo como fadas mordentes lá talvez estejam criando um ninho e creio que isso não fosse muito bom para seus filhos que podem sofrer o ataque de alguma delas – falou Muriel e William pareceu sem jeito.

_ irei providenciar isso – respondeu William.

_ pois faça – insistiu Muriel – não quer que seus filhos tenham alguma reação caso sejam mordidos por alguma delas porque se isso acontecer quando você estiver trabalhando o que ira ser deles não é mesmo? – Molly teve uma vontade de dizer algo frente aquele comentário, porém decidiu se manter em silêncio afinal aquilo era apenas o inicio daquela noite.

_ boa noite Tia Muriel – falou Molly antes que a bruxa se aproximasse de si e lhe desse um par de beijos secos um de cada lado do rosto – é um prazer para todos nós revê-la em nossa casa.

_ devo dizer que estou bastante satisfeita com o mesmo – falou Muriel então olhando para a garota melhor – só que não nessas roupas afinal olha para o que você esta usando querida...

_ foi o vestido que me deu de natal – respondeu Molly – não creio que esteja tão ruim.

_ não me admira que não entenda tanto sobre moda Molly afinal não convive diariamente com alguém que lhe possa dar algumas dicas – falou Muriel – onde já se viu uma Prewett usando vestes de estações passadas é simplesmente deplorável.

_ desculpe-me? – pediu Molly.

_ você esta se tornando uma bela jovem apesar dos pesares – disse Muriel – tem que agir como as mulheres de nossa família e saber como se portar do contrario não irá ter muita sorte para ter um casamento respeitável.

_ casamento? Muriel ela tem apenas treze anos – alertou William rindo nervosamente – não sei se ainda é hora para pensarmos em coisas assim.

_ bem, veja do modo que você quiser William para mim parece mais do que a hora para começar a pensar sobre isso – falou Muriel.

_ Tia Muriel não gostaria de tirar seu casaco? – perguntou Molly tentando soar gentilmente – tenho certeza que Gideon adoraria poder guarda-lo no armário ao lado da porta.

_ claro que sim até porque aqui dentro esta bastante quente – falou Muriel – essa casa é bastante abafada deveria deixar ventilar mais porque se continuar assim não será muito bom para as crianças – Fabian e Gideon a ajudavam tirar o casaco a essa altura além de poder ser percebível os dois a remendando a suas costas em caretas mudas das expressões faciais da tia o que fez com que Molly tivesse que se conter para não rir – vocês tenham muito cuidado com isso meus jovens não é como se tivesse custado barato então sejam gentis com ele.

_ pode ter certeza que seremos gentis com o seu casaco – disse Gideon – isso é claro se ele fizer por merecer – a bruxa continuou a encara-lo com uma sobrancelha levantada – foi uma piada.

_ entendo que foi – respondeu Muriel.

_ por que não acompanha a nossa Tia Muriel até a mesa de jantar Fabian? – pediu Molly ao irmão que assentiu estendendo o braço para a bruxa que o aceitou.

_ papai – falou Molly num sussurro – talvez pudesse combinar de jantar fora com ela na próxima sexta? Não sei se ela será capaz de nos criticar tanto assim em publico.

_ acredite em publico as coisas seriam piores – disse William – ela ainda pega leve conosco por sermos da família com os outros é pior ainda – o homem pode ver o olhar de surpresa da filha – que foi?

_ como pode dizer que ela pega leve? Em menos de cinco minutos ela foi capaz de poluir o clima dessa sala toda – respondeu Molly ao que William suspirou.

_ por favor... Querida tente entender – disse William — que é melhor aguentarmos calados do que rebatermos – ele envolveu seu braço ao redor dos ombros da garota – tente aguentar firme sei que você é capaz disso afinal não é a primeira vez.

_ eu sei papai só estou cansada – admitiu Molly e o homem esboçou a sombra de um sorriso antes de dar um beijo na cabeça dela.

Pai e filha se encaminharam então até a mesa da sala de jantar que raramente era usada sendo que Muriel era um dos maiores motivos por ainda manterem aquele espaço já que a bruxa simplesmente achava um cumulo a ideia de se realizarem as refeições na cozinha. Ao chegarem lá puderam ouvir a voz de Muriel.

_ com cuidado com essa cadeira Fabian – falou Muriel –eu tenho setenta e três anos e não posso me dar ao luxo de ficar caindo mesmo que os ossos possam ser restaurados eles nunca mais serão os mesmos se você pode me compreender bem.

Molly revirou os olhos para aquilo imaginando o quão longo aquela noite seria. Todos tomaram seus lugares a mesa enquanto Molly se dirigia a cozinha para trazer o jantar que foi servido a cada um deles antes que a garota pudesse tomar seu lugar a direita de seu pai e para infelicidade dela de frente para Muriel.

_ Então como tem passado minha irmã? – pediu William.

_ bem na medida do possível – falou Muriel – não há muito para se fazer quando se tem a minha idade e se mora naquela casa sozinha por sorte que o Maurice decidiu ficar como fantasma depois de morto do contrario não teria com quem conversar naquela casa e eu que não vou me rebaixar a falar com elfos domésticos mais do que o necessário.

_ e ele como esta? – perguntou William.

_ morto – falou Muriel — você sabe o mesmo de sempre – ela tomara um pouco de seu ensopado — não é como se tivéssemos conversas interessantes um com o outro na maioria das vezes ele apenas escuta o que digo e concorda não é como se me ouvisse realmente se você quer saber.

_ já perguntou dele sobre se irá alguma dia... Sabe... Fazer a passagem? – disse William a mulher ao seu lado – não me parece muito agradável a vida de fantasma.

_ e não é – falou Muriel então se virando para Molly – quanto de sal você colocou nessa comida? Sabe que eu não posso exagerar a menos que queira que eu... – ela foi interrompida pela ruiva.

_ apenas uma pitada – falou Molly – não muito até porque sei o quanto é importante para a senhora evitar o aumento da pressão arterial – ela nem ao menos olhara para a bruxa que ficou em silêncio por alguns segundos antes de retomar a conversa com o irmão.

_ não perguntei ao Maurice sobre a passagem porque quando pedi sobre o que lhe mantinha aqui ele simplesmente não quis responder – disse Muriel – dá para acreditar que ele simplesmente não consegue confiar em sua viúva sobre qual é seu assunto mal resolvido que o prende aqui?

_ é... verdadeiramente é uma grande surpresa – sussurrou Fabian para Gideon.

_ sim, que ele tenha preferido ficar por aqui – respondeu Gideon sarcasticamente – talvez ele não tenha tido escolha tendo sido feito ficar aqui com ela como punição – o gêmeo riu fazendo o irmão se engasgar com o que bebia.

_ isso é cruel demais – cochichou Fabian – eu que não queria algo assim para mim.

Molly dirigiu aos irmãos um olhar de censura enquanto tornava a se voltar para o pai e a tia que não parecia ter escutado o que os gêmeos haviam dito. A conversa e o jantar seguiram bem terminando com os adultos tendo indo para a sala enquanto Molly e seus irmãos tiravam a mesa e lavavam os pratos ao modo trouxa.

_ vocês dois o que falei sobre se comportarem? – repreendeu Molly enquanto os irmãos haviam ficado sozinhos com ela – e se ela escutasse o que disseram? Tem noção da sorte que tiveram de nossa tia nem o papai terem os ouvido?

_ oh, por favor... Mols nem foi tão grave assim – respondeu Gideon revirando os olhos – de toda a forma ela não escutar mesmo ou você não notou que ela esta ficando meio surda já? – a ruiva suspirou.

_ mas vai me dizer que você não concorda com o que dissemos? – perguntou Fabian enquanto a irmã secava as mãos no avental então as levando para trás e o desamarrando.

_ vou lá servir um chá para eles – avisou Molly se dirigindo até a chaleira e a retirando do fogo enquanto depositava saquinhos dentro da xicara e despejava a agua quente – vocês dois terminem de arrumar as coisas por aqui e depois subam para o quarto.

_ Mols – falou Gideon – você resta fugindo de responder a pergunta.

Molly acabou por fazer de conta que não escutara aquilo então saindo da cozinha levando a bandeja com o chá e alguns biscoitos caseiros. Chegando na sala pediu licença antes de entrar e depositar a badeja na mesa de centro.

_ por que não se junta com a gente um pouco Molly? Deixe que seus irmãos terminem sozinhos e fique – falou Muriel – seu pai estava me falando de você afinal.

_ estava? – perguntou Molly enquanto tomava um lugar numa das pontas do mesmo sofá em que estava sentada a tia – o que vocês falavam a meu respeito se posso perguntar?

_ apenas coisas boas, minha querida – respondeu William em sua poltrona. – eu disse a sua tia sobre o quão bem você tem se dado nas aulas em Hogwarts – ele bebeu um gole de chá.

_ você tem muita sorte sabia querida? Há alguns anos as famílias mais tradicionais de puro sangue costumavam proibir suas filhas de frequentarem a Hogwarts – disse Muriel – eram poucas as que estudavam na escola sendo que os pais preferiam educa-las em casa, você sabe por que disso?

_ porque aparentemente bruxas que se destacassem tanto na magia e superassem os bruxos não conseguiam um bom casamento – falou Molly — sendo que a verdade também era que garotas que frequentavam Hogwarts na maioria das vezes eram mestiças e nascidas trouxas e a maioria das famílias não queria que suas filhas se misturassem com esse tipo de gente – a ruiva parecia enojada em dizer aquilo porque a ideia de tanto preconceito simplesmente lhe dava náuseas.

_ isso sem dizer nos mestiços e nascidos trouxas – completou Muriel – manter as bruxas longe de Hogwarts era uma das estratégias para fazer com que o sangue permanecesse puro porque aparentemente por nós mulheres sermos românticas isso era um grande perigo – a bruxa deu um pequeno gole de seu chá – consegue imaginar isso? Um grande perigo se apaixonar? Uma tremenda falta de liberdade o que é esperado das famílias tradicionais.

_ Tudo uma tremenda bobagem porque quem teme esse tipo de coisa é muito ignorante só não diga isso perto dos Blacks... – falou William — você sabe que eles são alguns dos adeptos disso até que a família começou a ter mais garotas e tiveram de mudar de ideia as deixando frequentar Hogwarts.

_ acha que não teria coragem de dizer isso enfrente ao nosso irmão e sua esposa? – perguntou Muriel então rindo azedamente – Ignatius concorda com meus pensamentos apesar de saber que ele tem que colocar o rabinho entre as pernas e baixar as orelhas quando esta perto daquela família.

_ sempre achei sem fundamento as famílias de puro sangue como a Black proibir as garotas de irem à escola – falou William — ainda bem que por Merlin nós nascemos em uma que tem pensamentos flexíveis e permitiu que você frequentasse Hogwarts.

_ acha que eu não me sinto honrada disso? – falou Muriel – apesar de que quando fui para Hogwarts esse tipo de coisa já estava acabando e com razão afinal... – ela bebera seu chá.

_ o que isso tudo tem haver comigo Tia Muriel? – questionou Molly após ter visto que a conversa havia desviado de rumo grandiosamente e ela estava ali em silêncio escutando aquele.

_ nada – disse Muriel – apenas estou destacando que antigamente os bruxos tinham medo de que nós bruxas os superassem sendo que hoje em dia estamos cada vez mais próximos de uma igualdade entre nós não apenas socialmente como profissionalmente.

_ nós já somos iguais – respondeu Molly.

_ quanta inocência – falou Muriel acariciando a mão branca e fofa da sobrinha com a sua esquelética e de unhas grandes – me lembro de quando falei palavras parecidas com essa, a verdade é querida que homens tem a maioria das coisas de mão beijada enquanto nós mulheres temos que batalhar para conquistar nosso espaço ou você acha que foi fácil para mim fazer sucesso e fortuna sozinha?

_ não, claro que não – falou Molly — eu entendo o que quer dizer tia.

_ então minha querida Molly – falou Muriel — você esta indo para seu terceiro ano é o momento de começar a pensar em como será seu futuro.

_ meu futuro? – questionou Molly.

_ ora, vamos você entende o que quero dizer – disse Muriel – o que você pensa em fazer da sua vida? Tem que ter algum sonho a querer realizar minha sobrinha e se quer ser alguém importante é agora que deve começar com planejamento e dedicação.

Molly escutara atentamente e se surpreendera, pois pela primeira vez parecia que sua tia estava falando algo que prestasse e não servisse apenas para ferir as pessoas. Ela estava lhe questionando sobre o futuro de uma maneira tão predisposta e sincera que lhe surpreendia.

A verdade era que para Molly era difícil se imaginar no futuro porque tudo parecia ser vários caminhos diferentes a se seguir. Como se não fosse algo tão definido ainda afinal iria se tornar uma terceiranista naquele ano tendo ainda mais quatro anos até finalmente se ver pronta para encarar a vida de um adulto com esse tipo de preocupações.

_ eu não faço ideia ainda do que penso em fazer – respondeu Molly parecendo encabulada apesar de estar sendo sincera com o que dizia.

_ ora, vamos não pensa em desperdiçar sua vida inteira sendo uma reles dona de casa – falou Muriel – afinal você tem que fazer algo a mais da sua vida do que simplesmente se contentar com tão pouco.

_ eu seria uma dona de casa caso isso fosse me fazer feliz – respondeu Molly – eu não vejo nada de mal nisso afinal minha mãe foi uma ótima dona de casa enquanto estava viva.

_ não estou falando mal sobre a memoria de sua mãe – respondeu Muriel – apenas quero o melhor para você porque eu meio que sou o mais próximo de uma que você tem agora – ela parou por alguns segundos parecendo analisar a reação da sobrinha que parecia impassível –sabe o que quero dizer Molly? – a bruxa então suspirou antes de continuar – a verdade é que você é uma jovem com muito potencial minha querida e não deve desperdiça-lo.

– não sei talvez um trabalho no ministério – falou William chamando a atenção da filha e da irmã – você é bastante responsável e esperta além de que seria um grande orgulho meu vê-la um dia quem sabe ser a chefe de um dos departamentos afinal você é capaz disso.

_ escute seu pai – disse Muriel sorrindo de um jeito que lhe expunha os dentes amarelados – ele tem mais visão que você o que é um pouco esperado até porque ele conhece mais da vida e sabe as dificuldades que uma pessoa pode passar.

_ eu não sei – falou Molly – nunca me imaginei trabalhando no ministério da magia simplesmente não parece ser algo para mim – ela parecia incomodada querendo se levantar.

_ tudo bem, vamos ver quais matérias você tem se dado melhor em Hogwarts? – perguntou Muriel – talvez isso facilite um pouco em você decidir.

_ ah, Poções... Transfiguração e Feitiços – disse Molly – também sou um pouco boa em Defesa Contra a Arte das Trevas só que não é algo que eu goste muito.

_ bem, é um começo quem sabe possa conseguir uma vaga no Grigontes – respondeu Muriel – tenho meus contatos no Banco e seu pai também tem suas amizades com alguns funcionários que eu sei.

_ o Grigontes... Eu não sei afinal o que eu faria lá? – perguntou Molly.

_ desfazedora de feitiços? É... Eu sei que parece um cargo bastante masculino assim falando, mas tem estado em alta ultimamente além de que o salário é algo bastante tentador – falou Muriel – o que faz com que me lembre de perguntar: que matérias você escolheu para esse ano?

_ irei fazer Estudo de Magia Domiciliar e Estudo dos Trouxas – respondeu Molly e Muriel pareceu engasgar com o ar porque tossiu algumas vezes após escutar o que a sobrinha lhe dissera.

_ desculpe-me querida, mas escutei errado me pareceu ouvir que você disse que vai fazer Estudo dos Trouxas – falou Muriel.

_ não Tia Muriel, a senhora ouviu direito porque eu vou fazer Estudo dos Trouxas sim – falou Molly e a velha bruxa desviou os seus olhos rosados em direção ao irmão como se esperasse que ele desmentisse.

_ você concorda com isso William? – questionou Muriel.

_ por que não concordaria? Eu acho nada demais afinal é apenas uma classe como qualquer outra – respondeu William — não há nada de errado em ela fazer Estudo dos Trouxas.

_ oh, há algo muito errado se você pensa realmente que é uma boa ideia que ela desperdice seu tempo aprendendo sobre os Trouxas – falou Muriel então se virando para a sobrinha – não me entenda mal querida não sou uma anti-trouxa ou algo do gênero apenas acho que você deveria buscar algo mais interessante e importante que irá fazer diferença para o futuro.

_ eu não vou mudar de classe se é isso que esta pensando – falou Molly ríspida.

_ Molly... Por favor, ninguém está dizendo para você trocar essa matéria – respondeu William.

_ não vejo por que não afinal isso é algo que precisa ser revisto – falou Muriel – talvez possa fazer algo e escrever uma carta ao Diretor Dippet, eu e a filha dele fomos colegas de quarto em Hogwarts e sempre fui uma grande amiga para a família quem sabe nós não consigamos fazer com que você possa cursar outra matéria?

_ Eu não quero outra matéria – falou Molly se levando – eu não vou mudar de classe porque isso é uma decisão minha e eu quero tomar Estudo dos Trouxas.

Arthur esperava que ela cursasse Estudo dos Trouxas. Ela não poderia decepciona-lo e o fato de sua tia pensar e fazê-la mudar de matéria simplesmente era algo que a irritava porque aquilo fora uma decisão que ela tomara e não outro. Porque se havia algo que Molly detestasse era que alguém lhe obrigasse a fazer algo ou não respeitasse sua opinião.

_ por qual motivo você quer cursar essa matéria afinal? – falou Muriel se levantando – nunca pareceu demonstrar interesse neles antes – a garota ficou em silencio enquanto via a tia sorrir – então se fosse escolher entre alguma matéria como não sei... Aritmancia ou Runas Antigas qual delas você escolheria?

_ você não vai dizer nada papai? – disse Molly recorrendo ao pai que até então estava em silêncio e o bruxo pouso sua xicara de chá na mesa de centro antes de levantar – diga a ela que eu não quero fazer nenhuma dessas matérias.

_ Molly, vá para seu quarto e me deixe falar com sua tia – falou William seriamente e a garota assentiu então seguindo rumo as escadas e subindo os degraus apressadamente.

Molly ficou lá em sua cama agarrada ao travesseiro. Seus irmãos bem que quiseram lhe perguntar o que estava havendo, porém ela não abrira a porta. Ela não queria conversa com os gêmeos por mais que soubesse que eles poderiam animá-la tinha medo de ser grosseira com eles tamanha era a raiva que estava naquele momento. Ela pensou em escrever para Arthur e desabafar com ele só que desistiu da ideia por achar algo muito pessoal para se dizer assim afinal não havia motivos para ele saber até porque seu pai iria resolver tudo.

_ posso entrar? – a voz de William soou do outro lado assim como algumas batidas curtas na madeira da porta – estou sozinho... – ele fez uma pausa como se esperasse alguma resposta — seus irmãos já estão na cama e sua tia acabou de ir embora.

_ pode entrar – respondeu Molly — a porta esta destrancada.

A porta se abriu um pouco e o rosto de seu pai pode se revelar pelo espaço que havia sido criado. Ele então entrou pela passagem e se caminhou até a cama onde sua filha se encontrava sentada abraçada ao travesseiro.

_ então você disse a ela? – falou Molly – conseguiu convencê-la de que eu não vou mudar de matéria só porque ela quer que seja assim? – o ruivo suspirou e lançou a filha um olhar de pena que fez a garota transformar sua expressão em uma de surpresa no momento em que compreendeu o que acontecera – não... Diga-me que o senhor não concorda com ela.

_ tente entender Molly – disse William – eu apenas quero o melhor para você e Estudo dos Trouxas pode sim ser uma classe ótima – ele suspirou — porém não há tantas oportunidades de trabalho para pessoas que o exercem bem diferente de Runas Antigas ou Aritmancia.

_ eu não quero ouvir – falou Molly – vá embora.

_ querida, sabe que eu não gosto de vê-la chateada e tento sempre pensar em você antes de tudo – falou William a garota então o interrompeu.

_ então por que não se impôs? – bradara Molly — Por que não falou por mim? Eu nunca lhe pedi para fazer nada do tipo antes sendo essa a primeira vez e você falhou.

_ eu sinto muito se a decepcionei – disse William – eu tentei falar por você e juro que fiz o possível só que sua tia me mostrou que talvez pudesse estar enganada em decidir ter essa matéria que seria um erro seu e meu se permitisse isso.

_ ela odeia os trouxas – falou Molly interrompendo o pai – faz muito sentido alguém como ela os odiar afinal ela é desprezível por si só apenas mais uma coisa para completa-la.

_ ela não odeia – respondeu William.

_ sim, ela odeia e você também – falou Molly e o pai pareceu chocado com o que a filha dissera ficando sem palavras ou reação apenas a encarando por alguns segundos antes de desviar o olhar.

_ não diga essas coisas Molly – falou William com uma voz triste – sua tia não odeia os trouxas nem eu o faço, acredite que se fosse assim não teria nem ao menos pensando em permitir que você cursasse essa matéria antes.

_ desculpe-me, eu sei que o senhor não os odeia papai é que apenas estou irritada com tudo isso – respondeu Molly – mas se tia Muriel não odeia trouxas qual outra explicação para a reação dela?

_ apenas que ela se preocupa com você – falou William – pessoas que fazem Estudo dos Trouxas geralmente tomam essa matéria por considera-la fácil ou porque as vagas para os outros cursos já foram preenchidas sem falar que você pode ser mal vista por algumas pessoas.

_ como assim? – falou Molly confusa – eu não entendo isso.

_ não sei se mudou – disse William – mas na minha época quem tomava essa classe era perseguido por outros alunos e debochado para não dizer coisa pior porque era como assinar um atestado publico de ser um amante de trouxas – a garota parecia horrorizada – eu sei porque um dos meus amigos de dormitório cursava a matéria e foram tantas as vezes que ele chegou com alguma marca ou machucado no final do dia.

_ Eu... Não sabia disso – respondeu Molly e por sua mente veio a imagem de Arthur sendo infernizado por outros alunos e espancado por eles – mas as coisas devem ter mudado agora não? – ela tentava afastar os pensamentos que lhe vinham em mente.

_ Merlin queira que tenham – respondeu William – eu sempre odiei qualquer tipo de violência contra pessoas apenas porque elas pensam ou são diferentes do que algumas pessoas acreditam ser o ideal.

_ Eu também sou assim – falou Molly.

_ sim, eu sei que é – falou William sorrindo tristemente – eu apenas quero que você fique bem e tenha o melhor então por isso acabei aceitando a ideia de sua tia porque acredito que seja algo que vá fazer diferença no futuro.

_ e quanto ao que me faz feliz? Isso não importa? – disse Molly e mais uma vez o ruivo ficara em silêncio e lhe olhara tristemente – me desculpe, eu não quis fazer parecer como se... – ele a interrompeu.

_ tudo bem – falou William – você esta irritada e eu entendo isso só que quero que saiba uma coisa querida que não maior coisa para mim que me faça me sentir mais realizado que saber que você e seus irmãos estão felizes – pode parecer errado o que estou fazendo certamente é... Mas tente entender que, eu estou fazendo isso para o seu bem.

_ eu sei que esta – respondeu Molly.

_ você ainda esta brava comigo? – perguntou William.

_ sabe que eu não consigo ficar brava com você por muito tempo – falou Molly e seu pai sorriu levemente o que a fez se sentir melhor mesmo que não fosse muito ou pudesse ser considerado um sorriso de verdade já era algo que lhe fazia se sentir bem – boa noite papai – ela o abraçara e ele retribuiu fortemente.

_ boa noite Molly – disse William beijando o topo da cabeça da filha enquanto o abraço era desfeito – durma bem – o ruivo se levantou e caminhou até a porta do quarto então saindo e fechando a porta atrás de si.

Notas finais
A fanfic era para ser maior só que eu decidi dividir o capitulo então... Espero que tenham gostado e deixem seus reviews. Deem uma passada na minha nova fic sobre a família Weasley: Seven. http://fanfiction.com.br/historia/502449/Seven/ Até a próxima.