Notas iniciais
Bem, não irei dizer muita coisa aqui. Então, boa leitura. Nos vemos lá embaixo.

2 de Setembro de 1963

Era o primeiro dia de aulas e Molly havia acordado bastante cedo para tomar o café da manhã e pegar os horários. Pelo menos fora essa a resposta que dera quando questionada por acordar aquele horário a verdade é que ela estava evitando uma pessoa. Ela simplesmente não queria encarar Arthur porque não conseguira dizer a ele que não iria tomar Estudo dos Trouxas.

Sua sorte foi que seria a primeira aula então isso lhe daria tempo para formular as palavras e saber o que iria dizer. Seria horrível ter que falar algo que pudesse vir a magoa-lo porque ela não queria decepcioná-lo ou fazê-lo triste.

Ela fora matriculada em Runas Antigas. Aparentemente Aritmancia era no mesmo tempo que Estudo da Magia Domiciliar e por mais que Muriel tivesse suposto em trocar essa matéria também Molly fora irredutível e apoiada pelo pai conseguira permanecer pelo menos em uma matéria que gostasse.

Ela buscara prestar atenção na matéria o que acabou por se revelar algo bastante fácil em teoria afinal eles iriam aprender a traduzir textos antigos e escrever os seus próprios com o auxilio de um livro guia nada tão complicado quanto imaginara inicialmente ao pensar. Pior seria se ela fosse tomar Aritmancia não conseguia imaginar-se lidando com números e seus significados mágicos ou qualquer que fosse a coisa que aquela matéria estudasse.

A professora liberara a turma e os alunos começaram a sair. Molly seguira com suas amigas rumo a torre para a aula de feitiços. Ela estava acompanhada de suas amigas que tomavam a mesma matéria que ela. Mary Elizabeth vinha ao lado dela porque por sorte a outra matéria que ela havia escolhido havia sido aquela, as outras garotas eram Clarissa Fawcett que dividia o dormitório com elas e por ultimo vinha Andrômeda Black a única que não era da Grifinoria.

_ Não é Runas Antigas algo interessante? – falou Andrômeda – Eu não sabia que ele tinha esse caminho tão estreito com Aritmancia pelo menos foi o que o professor disse em aula vou ver isso mais tarde quando tiver essa classe.

_ isso soa muito difícil – disse Clarissa – minha mãe queria que eu tomasse só que eu não aceitei porque para mim Runas Antigas já esta de bom tamanho e minha outra classe Adivinhação é apenas algo para relaxar.

_ eu não sei se tomaria Adivinhação mesmo que fosse para relaxar – disse Andrômeda – não é pelos meus pais acharem tudo isso idiotice, mas é que eu penso que tudo é armação não há como você conseguir ver seu futuro em folhas de chá ou em uma bola de cristal – ela apertara mais os livros contra o corpo quando cruzaram com um grupo de lufanos e Ted Tonks lhe dirigira um sorriso a fazendo parecer incomodada com aquilo – é simplesmente inaceitável algo assim mesmo que tenha gente que diz conseguir fazer isso.

_ você é doida de tomar Aritmancia e Runas Antigas por vontade própria – respondeu Mary Elizabeth – matemática em si já é algo complicado de natureza imagina misturar isso com essas coisas doidas de magia? É simplesmente inimaginável.

_ eu gosto disso – falou Andrômeda dando de ombros – eu que não ia tomar Estudos de Magia Domiciliar porque isso é simplesmente degradante afinal estamos em plena década de 60 e eles ainda estão com essa coisa sem fundamento de treinar as garotas para serem submissas aos maridos.

_ não é submissão é apenas aprender coisas que serão importantes quando tivermos nossa própria casa e família afinal você tem que aprender a lidar com isso – respondeu Molly – até porque nem todas nascem tendo ou irão ter elfos domésticos ao seu dispor para fazerem o que bem desejarem.

_ engraçadinha Mols – respondeu Andrômeda – mas ainda acho um curso idiota que deveria ser removido da grade escolar.

_ vai ser – disse Clarissa – ouvi minha irmã dizer que a professora falou que essa será a ultima turma dela e que o ano que vem já não abrem inscrições para esse curso.

_ isso é uma pena – falou Molly – não esperava que fosse pertencer a ultima turma dessa matéria é algo que parece tão triste.

_ Molly adora essa matéria mesmo antes de ter tido uma aula que for – falou Andrômeda – dá para acreditar nisso? – a sonserina riu levemente – mas entendo você me sentiria da mesma forma se fossem tirar alguma que eu gostasse.

­­_ sobre Runas, alguma de vocês pode me dar uma explicada sobre a matéria de hoje mais tarde? Não entendi muito bem o que o professor falou em sala – disse Mary Elizabeth.

_ Claro, mais tarde nós vemos isso – falou Molly para a garota que sorriu.

_ obrigado Molly – disse Mary Elizabeth — é uma grande amiga sabia que poderia contar com você – a ruiva assentiu sorrindo – Eu acho que essa matéria vai ter um monte de coisa para estudar.

_ Sei o que quer dizer Mary Elizabeth – disse Clarissa – Eu acho que não é algo que eu possa querer levar até o nível de NIEM.

Mais para frente no corredor foi que Andrômeda se despediu delas indo então para as masmorras para a aula de transfiguração. Enquanto as grifinorias prosseguiram o caminho conversando sobre coisas triviais como matérias escolares ou algo que havia acontecido nas férias.

Ao chegar à sala ela pode avistar Arthur sentado em uma das mesas do meio para o fundo que ao vê-la lhe acenou e chamou por seu nome. A ruiva sentiu-se dividida entre ir até ele ou não se lembrando do seu plano de evita-lo até que tivesse chance de falar com ele a sós. A garota então resolveu se sentar ao lado de Mary Elizabeth numa das mesas da frente.

Ela passara toda a aula de feitiços sentindo Arthur a observando pelo menos era isso que percebia nas poucas vezes em que se virara para olha-lo parecendo que ao perceber que ela o encarava ele tentasse sorrir ou lhe fazer alguma pergunta só que se calava conforme via o professor Flitwick o olhando e dizendo para que prestasse atenção no feitiço que ele estava ensinando.

E a aula terminou e os alunos foram liberados com Molly se apressando para ser uma das primeiras a sair da sala. Porém ela não teve sorte em despistar Arthur que a seguiu e as suas amigas pelo caminho que tomavam até o salão principal.

Antes que ela fosse entrar no salão principal foi que notou o ruivo se aproximando aparentemente ele havia apressado o passo para alcança-las. Molly o deixou se aproximar dela dessa vez talvez porque quisesse evitar que ela o abordasse enquanto estivessem almoçando.

_ Hei Molly – falou Arthur assim que se vira frente às meninas.

_ Oi Arthur – disse Molly – como você esta? – ela realmente não sabia por onde começar aquela conversa até porque as meninas ainda estavam ali e talvez ele não fosse perguntar mesmo que aquilo fosse algo realmente difícil de acontecer.

_ eu vou bem – respondeu Arthur parecendo confuso talvez estivesse percebendo a tensão nela – e quanto a você? Não te vi em Estudo dos Trouxas hoje – ele colocou as mãos no bolso – eu guardei seu lugar só que você não apareceu.

_ É... Sobre isso... – disse Molly então se virando para olhar as garotas num olhar mudo e compreensível fez com que elas se afastassem os deixando a sós ali enfrente ao salão principal — bem é que nos temos que conversar.

_ você perdeu o horário ou estava se sentindo mal? Não se preocupe eu tomei todas as anotações da aula e posso te emprestar – falou Arthur já puxando a mochila das costas e a abrindo em busca de algo – você perdeu uma grande aula sabe? O professor fez um bom discurso sobre a importância que a relação bruxo e trouxa tem para o equilíbrio da... – ela então o interrompeu.

_ Arthur, eu não faltei por ter dormido demais ou estar doente – falou Molly sentido o peso em seu peito ao dizer aquelas palavras ainda mais por conta do olhar que ele lhe lançara parecendo não compreender o que ela quisesse dizer.

_ Então, o que aconteceu? Você não é do tipo que mata aula ainda mais no primeiro dia – disse Arthur e a ruiva suspirou começando a andar para longe da porta até próximo das escadas e sentando nos degraus.

_ quer sentar aqui comigo? – falou Molly apontando para o espaço ao lado dela — Eu vou te explicar o que aconteceu.

_ É algo com sua família? – perguntou Arthur se sentando ao lado dela parecendo preocupado — Seu pai e irmãos estão bem? — a ruiva pegou nas mãos dele o que fez com que ela pudesse vê-lo se calar enquanto ela segurava suas mãos firmemente.

_ Não — falou Molly – Arthur me escute a verdade é que eu não vou fazer mais Estudos dos Trouxas – o ruivo pareceu chocando não acreditando no que escutara então a garota continuou – eu estou tomando Runas Antigas.

_ por que me contou só agora? – perguntou Arthur – você sabia disso ontem por que não me disse antes para que eu não bancasse o bobo hoje? Eu te esperei e fiquei preocupado atoa.

_ me desculpe – falou Molly — eu não queria é que eu não sabia como te contar.

_ bem, poderia ter feito do mesmo jeito que fez agora só que ontem a noite quem sabe? – disse Arthur então suspirando – você não fez a matricula não foi? Nunca quis fazer Estudo dos Trouxas comigo.

_ não, eu fiz a matricula só que meu pai mandou uma carta ao diretor pedindo que me transferisse para o curso de Runas Antigas – respondeu Molly.

_ Pensei que seu pai fosse pró-trouxa – falou Arthur.

_ Ele é – falou Molly permitindo um tom cortante em sua voz – você sabe disso — Ela não gostou das insinuações de Arthur especialmente quando elas foram feitas ali onde as pessoas nos corredores as escutarem e agora pareciam ter parado para escutar – apenas decidiu depois de escutar o que minha tia disse a ele.

_ e o que ela falou? – questionou Arthur ironicamente.

_ que seria melhor para mim se eu preenchesse meu horário com algo que fosse ser um uso mais produtivo do meu tempo – respondeu Molly e pode ver Arthur lhe lançar um olhar descrente.

_ você concorda com eles? – perguntou Arthur.

_ não – disse Molly – eles que decidiram isso Arthur não eu.

_ você não se impôs – falou Arthur cortante.

_ eu tentei, mas eles não me levaram em consideração – respondeu Molly.

_ E depois diz que seu pai não tem culpa – falou Arthur sarcástico – se é assim então por que ele a ouviu e tirou você de Estudo dos Trouxas assim? Isso me parece bem ruim como se ele estivesse eu não sei... Envergonhado?

Molly não pode acreditar no que ouvia. Arthur estava sugerindo exatamente aquilo que ela estava ouvindo? Não ele não podia estar. Molly se levantou tão rápido sua mão cega pela raiva que as palavras que o rapaz falara lhe atingiram assim como sua palma fez com a face de Arthur fazendo com que seus óculos lhe voassem do rosto e quicassem no chão.

Arthur a olhou surpreso enquanto massageava a área que havia recebido o tapa. A garota se levantou logo depois sendo que sua expressão parecera por alguns segundos igualmente surpresa, porém foi algo que se modificou novamente conforme ela se lembrou do motivo de ter lado o tapa.

_Como você se atreve em insinuar esse tipo de coisa — disse Molly quase gritando para ele — Você não precisa saber tudo sobre os trouxas para ser solidário com eles, Arthur Weasley.

_ n-não foi isso que eu quis dizer – sussurrou Arthur parecendo intimidado ainda sentado nos degraus da escada – Molly... – ela o interrompeu.

_ É o que você disse, e isso conta para alguma coisa — disse Molly -Eu não posso acreditar que você iria dizer algo assim – ela urrava furiosa e podia sentir seu rosto queimar certamente devia estar vermelho – você não conhece minha família... – ela ergueu o dedo e lhe balançou em frente ao seu rosto como se fazia com uma criança desobediente — não sabe como somos então você não tem direito algum de dizer algo contra qualquer um deles especialmente do meu pai.

Arthur ergueu o rosto podendo deixar a mostra a marca vermelha que fora deixada marcada por ela além dos olhos dele se encontrarem lacrimejantes. Ela, no entanto não sentia remorso algum naquele momento no que ela fizera. Ela olhou para as pessoas no corredor podendo ver o rosto de algum de seus amigos só que não fez contato visual com nenhum deles.

_ Eu não estou mais com fome – falou Molly e depois subiu os degraus da escada passando ao lado de Arthur que ainda estava imóvel e parecia não fosse encara-la. Ela continuou andando até que ela estava dentro do salão comunal da grifinoria e subiu apressadamente para seu dormitório então ela caiu em sua cama e se dissolveu em lágrimas.

Molly abraçara seu travesseiro e então liberou todos os soluços e lágrimas que estava aguentando até ali. As palavras dele ainda vinham contra si claramente dentro de sua cabeça e o momento se repetia mais uma vez depois da outra. O tapa e os óculos voando vinham repetidas vezes e então o olhar dele depois daquilo a fazendo se sentir a pior pessoa do mundo.

Ela não podia acreditar que Arthur tinha ficado tão chateado porque ela não estava em sua estúpida classe de Estudo dos Trouxas. Ele havia cruzado a linha ao falar aquilo sobre seu pai porque ele não tinha qualquer direito de dizer qualquer coisa a respeito de sua família. Arthur havia errado com ela só que ela também tinha seu grau de culpa em tudo aquilo.

A sua maior certeza era apenas uma de que ela não iria se desculpar. Não iria procura-lo para pedir perdão pelo que acontecera porque não havia cabimento naquilo. Ele era tão culpado quanto ela talvez ainda mais. Afinal ela não sabia que Arthur pensava aquelas coisas a respeito de seu pai, o que será que ele tinha na cabeça quando dissera aquelas palavras? Se seu pai fosse preconceituoso uma das primeiras coisas que faria seria proibi-la de ter amizade com um Weasley. Isso ele não via. Ele simplesmente estava com raiva porque ela não lhe contara a verdade e talvez Arthur tivesse a razão afinal o que Molly tinha a temer? Ele seria compressível se tivesse sido algo aberto e direto sem que tivesse de descobrir daquela maneira.

Ela estava errada assim como Arthur. Só que ainda assim o que ele havia dito ainda machucava e a ruiva não sabia se poderia vir a perdoa-lo tão fácil. Talvez com o tempo as coisas se acertassem, porém ela sabia que não seria tão cedo assim que os dois voltariam a ser amigos. Se é que voltariam.

...

Arthur aquela noite ficara até mais tarde no salão comunal da grifinoria depois que todos os alunos já haviam subido para seus dormitórios. A verdade é que o ruivo não estava com sono ou fome mesmo que tivesse perdido o jantar. Naquele momento parecia que nada mais importava porque afinal parecia não haver mais motivo para isso.

Ele não queria mais nada naquele momento além de ficar ali em silêncio apenas fitando o fogo que queimava a lareira e sentindo o calor que o cobertor sobre seus ombros trazia a ele. Ele se sentia vazio como se algo houvesse fugido dele. Como se estivesse quebrado no mesmo instante em que recebera aquele tapa de Molly.

Ele ainda podia sentir o som da palma dela em sua face assim como a dor e a vermelhidão que ficara naquele local por horas. Porém nada havia doído mais do que a expressão que ela ficara depois que fizera aquilo. Era raiva. Molly estava sentindo raiva dele e o pior é que ela tinha esse direito.

Por que as coisas tinham que ser tão complicadas? Se ao menos ela lhe tivesse contado antes o que havia acontecido em vez de fugir dele e evita-lo. Talvez nada daquilo tivesse acontecido se ele soubesse antes afinal não havia problema nenhum em ela não fazer a aula, certo que Arthur sabia que ia ficar chateado com aquilo, porém não tanto quanto ficara com aquela discussão que haviam tido.

Arthur se achava um estupido por se deixar levar pelo sentimento de traição e raiva que sentira naquele momento. Ele havia apenas pensado nele que nem ao menos tinha escutado com atenção e tentado compreender o lado dela. Tudo que vira foram as cenas anteriores dele a aguardando descer do dormitório aquela manhã para que pudessem ir juntos ou no modo como ficara confuso quando ela não aparecera para tomar o café. Ou o jeito que ficara ansioso guardando o lugar dela ao seu lado na aula de Estudo dos Trouxas e o pior o modo como ficou preocupado com seu atraso e pior ainda quando ela não aparecera para a aula.

Ele ficou preocupado com que ela não estivesse se sentindo bem. Caso fosse isso iria vê-la mais tarde na enfermaria e levaria suas anotações da aula. Não imaginava que alguma vez ia ficar ansioso para parar de ouvir sobre os trouxas como fora naquele primeiro dia.

Não que fosse diferente do que esperava. não que o assunto não fosse interessante ou o professor fosse ruim porque era tudo dentro de suas expectativas se não muito melhor. Quer dizer, não como esperava porque não havia alguém ali que queria que estivesse. A ausência de Molly fora tão grande que ele ficara pensando nela a maior parte da aula mesmo enquanto anotava o que estava escrevendo.

Então Arthur a encontrou em feitiços. Ela estava com as amigas e parecia bem e o garoto bem que tentara falar com ela só que o professor os impedira fazendo com que tivesse de aguardar mais um pouco. Só que aquele sentimento de duvida o estava perturbando afinal Molly o estava evitando? Ele fizera algo de errado? Se ela estivesse com raiva dele, o ruivo não sabia que motivo poderia ser por mais que quisesse acreditar que estava errado e tudo não passasse de alguma ideia idiota que estava na sua cabeça era difícil para ele se convencer do contrário.

Então ocorreu dela lhe contar sobre ter mudado de matéria. E veio a raiva e o sentimento de traição além de toda aquela revolta de ter sido feito de bobo por ela. Ele não conseguira se calar e aceitar aquilo como teria aceitado aquela manhã se ela tivesse vindo diretamente e falado a verdade. Porém, ele fora cruel com as palavras e acusara a família dela de algo tão horrível que Arthur sabia que não tinha como ser verdade. Eles tiveram a primeira briga em três anos em que se conheciam.

Houve o tapa e ela correndo dele e desaparecendo rapidamente pelas escadas enquanto ele ficava ali olhando estático para algum ponto do nada. Porque em sua mente a cena estava se repetindo tão rapidamente quanto o vermelho que fora provocado pela mão de Molly.

Então lá estava ele de novo sentindo os olhos queimarem com as lagrimas que ameaçavam vir. Sua visão se borrara enquanto ele ainda via o fogo da lareira crepitar em suas chamas. Arthur removera os óculos e esfregara as lágrimas grossas que escorriam com os pulsos. Ele tentara lutar contra o choro, porém não havia como porque novamente sentia seus olhos se enxerem das lagrimas e vir a transbordar mais uma vez.

Cruzando os braços sobre os joelhos ainda sem os óculos continuou a olhar para o fogo desta vez tudo que via era um borrão de um clarão meio alaranjado e vermelho. Então o rapaz escutou o som do quadro que guardava a entrada se movendo só que nem ao menos se importara em virar para ver quem poderia ser também não importava.

Então escutou alguém se aproximando do sofá em que ele se encontrava. Arthur fora rápido em reconhecer mesmo que indistinta a imagem de Billius afinal não havia como não conseguir distinguir o cabelo ruivo de sua família.

_ Hei maninho – cumprimentou Billius se sentando ao lado do seu irmão – você está bem?

_ não te contaram sobre o que aconteceu? – disse Arthur meio choroso – pensei que todos já estariam sabendo a essa altura – ele pegou os óculos e limpou as lentes ainda evitando olhar o irmão – acho que leva mais tempo para as fofocas se espalharem.

_ Eu sei da discussão que houve entre você a Molly – respondeu Billius solidário – como você se sente? Quer dizer, sei que está mal afinal acho que qualquer um pode perceber isso. Só que eu não sei como começar isso sabe? Não é sempre que eu tenho que consolar alguém.

_ Eu vou ficar bem Bill – falou Arthur colocando seus óculos enquanto limpava o nariz e fungava – não se preocupe comigo – então puxando o cobertor mais para junto de si.

_ claro... Esta bem, até parece que eu vou acreditar mesmo – falou Billius – escuta, mesmo que diga isso não vai fazer-me deixa-lo assim tão fácil. Eu sei quando alguém esta para baixo e a pior coisa que tem é ficar sozinho nesse momento. Sei que não quer ver ninguém só que isso é muito pior se quer saber, isolamento não vai te fazer ficar melhor porque isso só irá te deixar pior enquanto fica ai se lamuriando pelo que aconteceu.

_ Eu e Molly brigamos e estou me sentindo horrível por isso – respondeu Arthur – eu queria que não tivesse acontecido entende? Somos amigos há tanto tempo e então vem isso e faz com que pareça que seja o fim de tudo. Eu sei que não é assim que vai acabar pelo menos eu espero só que não há nada que me faça pensar o quanto fui um idiota.

_ Você tem que compreender algo Arthur – disse Billius – não tem como algo ser totalmente perfeito em relacionamentos. Seja amizade ou algo a mais sempre haverá momentos em que será inevitável uma discussãozinha ou outra mais séria. Porém, as coisas podem se acertar o que eu tenho certeza que acontecerá basta acreditar nisso.

_ Sim, pode ser só que acredito que não será logo não? – falou Arthur então suspirando – você não conhece a Molly tão bem quanto eu então não sabe o quão teimosa ela pode ser e mesmo que eu me desculpe será que ela aceitará isso?

_ Não sei, entenda que é bem recente ainda – disse Billius – por isso irmãozinho sei que pode parecer difícil, mas o melhor que tem a fazer é ter paciência e esquecer o tempo esfriar um pouco toda essa discussão antes de tentar fazer alguma coisa.

_ Obrigado – respondeu Arthur – por tudo Bill, eu não sei como agradecer por ter você aqui comigo nesse momento – o outro ruivo sorriu enquanto passava o braço ao redor dos ombros do caçula.

_ Sei que posso não ser a maior parte do tempo tão próximo a você quanto poderia ou mesmo demonstrar o quanto eu te amo Artie – disse Billius – porém você tem que saber de uma coisa que é que independente do que for sempre pode contar comigo porque eu sempre estarei lá para você.

O sextanista então pegara a outra mão e fizera um cafuné no irmão o despenteando e o fazendo rir. Em seguida o rapaz foi surpreendido quando Arthur simplesmente se esticara e o abraçou fortemente. Não era um ato muito comum entre eles de se abraçarem para ser sincero Arthur nem ao menos conseguia se lembrar da última vez em que fizera aquilo. Depois de alguns momentos de hesitação ou talvez choque que Billius retribuíra o abraço.

_ Sabe de uma coisa? – falou Billius quando se separaram – há uma garrafa de fire whisky no meu malão o que você pensa se nós tomarmos um pouco? Estava guardando para algum momento especial que melhor seria se não ajudar meu irmãozinho se alegrar?

_ Desde quando você precisa de um motivo para beber? – questionou Arthur ao que o mais velho sorriu fazendo com que o ele risse.

_ Eu estou sendo gentil em te oferecer a honra de beber comigo e é assim que retribui? – disse Billius brincalhão enquanto se levantava do sofá – se não quiser é melhor avisar agora.

_ Pode ir buscar então – disse Arthur com um sorriso leve no rosto enquanto Billius começava a subir os degraus que levava para o dormitório masculino sendo que parou alguns degraus antes de completar o percurso.

_ Sabe, agora que eu percebi uma coisa – disse Billius se voltando para o caçula – você teve a sua primeira discussão com uma garota e irá beber o seu primeiro copo de bebida ao que parece meu maninho Artie esta crescendo rápido demais – então retornou a subir enquanto o garoto que ficara no salão comunal ajeitara seus óculos e retornara a fitar a lareira.

Notas finais
Sabe, não vou dizer para comentarem apenas digo que gostaria disso porque são trinta e sete acompanhando fora cinco pessoas que favoritaram. E muitas vezes eu tenho só um ou dois comentários não sei se vocês sabem o quanto isso me desanima entendem? Enfim, espero que tenham gostado do capitulo.