Moeda sem valor
3 Capitulo 3
Algo estava cutucando seu ombro, resmungando algumas palavras incompreensivas puxou o coberto cobrindo a cabeça, Natasha estava sentindo um pouco de dor de cabeça junto com um dor que domina o seu corpo. Novamente algo tocava seu ombro só que agora chacoalhava com força. Abrindo os olhos com dificuldade resmungando mais ainda, com sua visão turva conseguia ver Sebas em pé próximo a cama, olhou em volta do quarto tentando se lembrar de onde estava, aos poucos sua memória foi voltando sentiu um pouco de alivio em saber onde estava contudo foi cortado por uma aflição de não saber a situação de sua casa. Suas últimas memorias do dia anterior foi de trocar de roupa e ir direto para a cama, não lembrando de mais nada, e percebendo como o quarto era feio e mal decorado, com a poucas mobília que havia no lugar, a cama estava empoeirada oque gerando uma repulsa, logo deixou isso de lado a dor na cabeça e no corpo estava mais preocupante. Levantou ficando sentada na cama com a sua mão direita esfregava os olhos.
—Oque... que horas são? — Bocejou enquanto falava, olhando para a janela e ver que raios de sol inundava o quarto.
—Hora de princesas acordarem- Jogou um pedaço de pão no seu colo indo em direção a janela- Não são todas as mulheres que eu dou café da manha na cama.
—Você chama isso de café da manhã?- Olhou para o pão que parecia estar um pouco velho hesitando em morder, fazendo um esforço conseguiu dar uma mordida, notando que estava mais duro do que deveria ser – Isso aqui não vai me matar?
—Mas só escuto reclamação – Apoio o ombro na janela cruzando os braços olhando para fora – Esse tipo de alimento são os melhores, deixa o ser mais forte.
—Como uma coisa dessas pode deixar alguém forte? – Olhou revoltada para Sebas que estava rindo dela, começou a sentir um pouco de raiva dele, parecia que tudo que ele falava era para provocar ela.
—Quanto pior o gosto melhor o alimento – Saiu de perto da janela indo até um armário, quando abriu, Natasha viu uma montanha de roupa cair no chão, arregalando os olhos com tanta desarrumação, Sebas apenas balançou a cabeça pegando duas mudas de roupa jogando encima da cama – Vamos logo, princesas não deveria dormi até tarde.
Saiu do quarto sem dizer mais nada, voltou o seus olhos para as mudas de roupa que ele jogou encima da cama, notando que elas não lhe agravam nem um pouco, mesmo as roupas nobres não sendo do seu agrado também possuíam um certa beleza, contudo todas suas vestimentas oferecidas por Sebas não tinha nem um padrão aparente pareciam ser coisas simples escolhidas de modo aleatório. Pensando melhor talvez tivessem sido escolhidas aleatória, pensar nisso não ajudaria em nada resolveu estender os braços para pegar as roupas. Sentiu uma pontada de dor nos musculo das costas e nos braços voltando a posição original em um instante.
Depois de se trocar, desceu para a sala do primeiro andar agora as janelas estavam abertas deixando a luz do sol entrar no local deixando um pouco diferente, antes parecia um local abandonado agora estava mais para uma casa que estava sendo mobiliada. As paredes tinham uma pintura branca um pouco envelhecida com rachaduras, o chão era feito de madeira que rangia quando pisava sobre algumas tabuas. Sebas estava sentado no sofá com a cabeça para trás olhando para o teto, se aproximou dele porem não sabia oque falar, não tinha parado para pensar muito no assunto, mas não conhecia ele. Havia seguido um estranho por toda a noite sem questionar ao menos quem era ele, cruzou os dedos enquanto olhava para o lado tentando pensar em alguma forma de chamar sua atenção, começou ter uma vergonha repentina não sabendo de onde tinha surgido tal sentimento.
—Assim eu vou ficar com vergonha- Abaixou a cabeça olhando para o rosto de Natasha-Não fique encarando as pessoas, uma dica pra vida
—Eu... não estava te encarando- Se enrubesceu – Só queria saber sobre você.
—Agora mesmo estou com vergonha- Sorriu para ela enquanto se levantava- Uma princesa esta afim de mim.
—Nunca disse que gostava de você!- elevou a voz mais do que devia- E eu também não sou uma princesa, para de me chamar assim.
—Tudo bem, herdeira do reino-Tinha se virado indo direção a uma porta, não podia ver seu rosto, mas Natasha sabia que ele estava sorrindo, começou a se pergunta porque ele a provocava tanto- Estou lisonjeado por querer saber sobre mim, o que gostaria de saber?
—Bom, quem é você?- Percebendo que ele abriu a porta dando direto para a rua, ficou um pouco brava por saber que tinha outra forma de chegar naquele local sem ter que passar por aquele beco sujo, em seguida começou a seguir ele. Vendo que a rua estava movimentada de pessoas, nunca havia ido as ruas do distrito comercial a noite, então tudo era tão diferente com um ar triste, por ao dia o local ser tão vivo cheio de pessoas andando para todos os lados, isso claro com base nas poucas viagens que fez até ali seu pai não permitia andar por muito tempo, sempre era mandado algum empregado caso precisasse de algo.
—Isso é uma pergunta muito ampla, mas acho que você não costuma ter conversas normais não é?- Caminhava com as mãos no bolso de forma relaxada e natural, olhava para ele tentando imitar sua postura mas não conseguia ficar da mesma forma, anos treinando como andar como uma dama falavam mais alta.
—Só com um amigo próximo- Lembrou de Serafim Bardini um rapaz dois anos mais velho que ela, que pertencia a família rival a sua, muitos anos atrás costumavam sair escondidos para ficar passeando pelos jardins do castelo, hoje em dia o seu contato com ele havia diminuído pela rivalidade entre as famílias- Mas não mude de assunto!
—Não queremos irritar a nossa princesa- olhando para ela de canto de olho com um sorriso largo- Eu sou apenas um ladrão, você conhece o grupo “Moeda sem valor”?
—Eu já ouvi falar, os nobre parecem não gostar deles- olhou para cima puxando na memoria das festa que ela foi, onde os nobre comentavam sobre, não conseguindo ter detalhes concreto contudo todos ficavam com raiva só de seu nome ser mencionado- Você faz parte deles?
—Deixo como primeira lição, se quiser saber, pesquise- Sebas olhava para frente, e quando passava na frente de uma banca de um comerciante ele automaticamente passava o olho pelos produtos-Digamos que eu me aposentei, so estou vivendo minha vida
—Podia ser menos vago- Cruzou os braços ficando brava, porque ele não dizia nada realmente interessante, e quando entra num assunto ele manda pesquisar.
—Porque assim eu não vou receber seus olhares de irritação- Soltou uma risada olhando para rosto de Natasha que estava tentando não olhar irritada para ele- Eu gosto de caminhar, sou sincero, lindo e humilde acima de tudo, porque alguém incrível como eu tem que possuir tal virtude não é mesmo.
—Não acho que isso faça sentido, como humilde e falar que é incrível depois pode ser humilde.
—Você é uma princesa muito entediante- chegando em uma praça movimentada, pessoas andando para um lado pro outro indo para direções aleatórias, carregando coisas que haviam acabado de comprar, no centro da praça havia um grande fonte esguichando agua criando um bela visão- Mas nossa aventura acaba aqui, se você seguir por essa estrada você chega em sua casa
—Oque? Mas já está seguro voltar? — Cruzou os dedos revirando eles um por cima do outro, enquanto olhava para os lados
—A guarda da cidade cercou o castelo e os orcs se entregaram livremente, o julgamento vai ser agora de tarde, mas a sua casa esta segura novamente- Se virando para ela abrindo os braços- e boas noticias os empregados foram mantidos como prisioneiros então ninguém foi morto apenas guardas
—E meu pai e meu irmão?- Ficando um pouco nervosa ao mesmo tempo criando esperanço.
—A eles- Seu tom de voz baixou novamente e o sorriso desapareceu- É, eles estão bem, os guardas se trancaram junto com eles no quarto então nem um orc conseguiu chegar perto.
—Estou tão feliz- Uma lagrima escorreu pelo seu rosto, ficando extremamente aliviada.
—Melhor se apressar para voltar, antes que surja inúmeras patrulhas de guarda para te achar.
Ela sorriu para ele, se virando lentamente enquanto não tirava os olhos dele, estava com receio de deixa-lo ao mesmo tempo queria ir embora para sua casa, pensando que a experiencia que passou com ele havia sido horrível, cada lugar era pior que outro, mas pela primeira vez sentiu o sentimento de liberdade teria sido melhor se não estivesse preocupada com sua casa. O local que tinha que voltar, suas responsabilidades, ficar trancada em algum quarto estudando e apenas existindo como um rosto bonito, para um dia servi ao seu marido. Com passos arrastados começou a caminha em direção a rua que Sebas havia apontado, seu coração estava acelerado. Então se virou.
—E quando eu vou te ver novamente? — Seus olhos estavam com um brilho especial e ansiedade, mas logo ela ficou um pouco corada e olhou para baixo.
—Eu costumo ouvir muito isso-Soltou uma risada cruzando os braços- Sempre dizem isso quando eu peço dinheiro emprestado.
—Você faz isso sempre? – Ficou decepcionada com a atitude dele.
—Se você quiser me ver acenda uma vela na janela, ou coisa assim- Dando os ombros com indiferença- Agora vá logo, sei que está tentando enrolar para não ir embora.
—Não é verdade- Ficando brava, já que tinha um pouco de verdade na sua afirmação. Decidiu seguir seu caminho sem olhar para trás mesmo querendo não ir para casa, mas também não queria ficar nesse mundo sujo. Entrando em conflito qual dos dois mundos era menos pior.
Como esperado a sua chegada no castelo foi recebida com um alvoroço todos os guardas correndo de um lado para outro enrolando com suas tarefas pararam imediatamente, então atenção voltou para a sua presença, cada um perguntando como ela estava, onde ela estava. Mantendo em silencio entrando dentro do castelo, na área principal o tom de vermelho domina o lugar, um tapede comprido que ia da grande porta até a escada no fundo do local, os quadros com pessoas pintadas que Natasha sabia o nome de todas, cada uma teve uma mínima importância para a família, os cômodos eram marrom com leve tom de vermelho. Agora em vez de estar cercada de guarda foi cercada por empregados, assustados com a aparência dela, seu cabelo não estava penteado as roupas de plebeu e sujas. O Jarbas o mordomo chefe afastou os empregados que estavam na volta chamando um guarda, sussurrou algo em seu ouvido então o guarda saiu correndo.
—Aposto que seu pai vai quere lhe ver- Seu terno impecável, rosto fino e comprido olhava de cima para baixo para Natasha com olhos cerrados.
—Sim- Apenas abaixou a cabeça, depois Jarbas começou a andar em direção a escada.
Depois de subir dois andares de escada, chegaram até o andar que era reservado para seu pai, um grande corredor bem largo e comprido abrigando diversas portas, cada sala tinha algo que seu pai gostava, seja para guarda coisas que ele admirava ou para alguns hobbies. Já havia feito essa caminhada diversas vezes, andar por esse longo corredor sempre que tinha que falar com seu pai e toda as vezes ficava apreensiva e com certo medo de prosseguir. Jarbas bateu na porta, ficando em silencio Natasha cruzou os dedos enquanto aperta enrolava os dois indicadores encarando o chão, não demorando muito para que uma voz grossa pudesse ser ouvida de dentro da sala, dando permissão para que entrassem.
Entrando na sala, era ampla mas um pouco apertada pelo numero de decorações que havia no local, armaduras extremamente ornamentadas, espadas pendurada na parede cada uma com algum detalhe em especial, quadros de guerreiros importantes possuindo até uma obra de Sera, oque lhe chamava atenção já que era a única guerreira contemporânea, o resto era apenas guerreiros do passado e de histórias alguns até fantasiosos. Na parada oposta a porta ficava a mesa em formato de U onde seu pai estava sentado lendo algum livro, ao lado da mesa havia duas grandes estantes lotadas de livros, Natash nunca havia ao menos lido um desses livros, seu pai não permitia que ela tocasse neles, sempre mandando buscar livros na biblioteca do castelo.
—Senhor Fliard, sua filha retornou para casa- Sua postura rígida enquanto estava com uma mão nas costas e outra estendida em direção a Natash.
—Hum? – Tirou os olhos do livro como tivesse notado a presença dos dois só quando Jarbas mencionou Natasha, Seus cabelos negros penteados para trás com brilho de algum produto que havia passado para mantê-lo assim, todos seus irmãos tinham cabelo igual ao seu pai, Natasha fora a única que nasceu loira como a sua mãe, sua roupa com um estilo militar, uma barba cheia e bem feita muito bem desenhada.- Que roupas são essas?
—Elas são...
—Não tivemos tempo de preparar algo melhor para a senhorita usar, a trouxe imediatamente assim como o senhor ordenou.
—Isso não importa mesmo- Ignorando tudo que o mordomo falou, colocou as mãos encima da mesa, pegando uma pena e tinta começando a escrever em documento- Ainda bem que está viva, isso me arranjaria muitos problemas se não te encontrasse, agora já pode se retirar
—Como o senhor desejar- Se virou para Natasha.
—Até logo meu senhor- Fez uma reverencia para seu pai.
A noite já tinha dominado os céus e a lua se encontrava no topo apenas observando todos. Natasha estava sentada em uma cadeira em frente a sua janela, havia passado a tarde inteira se arrumando, nem um empregado saiu da sua cola até que ela estivesse no mínimo limpa, suas empregadas pessoais passaram um longo tempo penteando seus cabelos, as roupas foram escolhida a dedo por elas também, diziam que era perfeita para se colocar em comemoração à o seu retorno. Olhando a cidade e a noite estrelada, finalmente estava tendo paz sem ninguém a sua volta dizendo o que fazer, passando entre os dedos a moeda de Sebas, onde teve um enorme desafio de manter ela consegue sem ninguém notar. Só agora tinha notado como a cidade era tão grande, e o mundo que ela vivia era pequeno, o bairro nobre em questão de tamanho não se comparava com o resto, o distrito comercial possuía metade do tamanho do bairro, e na volta ainda havia outros distritos, percebendo que mal conhecia a cidade que vivia.
A porta se abriu, não se virou para trás apenas escutou os passos se aproximando, o vento assoprava seus cabelos para trás estava tão cansada que não queria conversa com ninguém. Mas os passos foram até sua cama, ouviu algo sentar nela, soltou um suspiro e se virou, vendo seu irmão do meio sentado, ele era um pouco gorducho, cabelos curtos e desarrumado sua roupa não condizia muito com o ambiente que vivia, tentava ser rebelde deixando o cabelo desarrumado e usando roupas exóticas, já apareceu com estilo élfico uma vez. Agora usava um casaco do reino do norte com uma camisa do reino das ruinas, essa atitude dele era só para chamar atenção, já que tinha muito medo de seu pai e sempre obedecia a suas ordens sem pensar duas vezes. O seu pai sempre mantinha interesse no irmão mais velho e na Natasha, a atenção focada no seu irmão mais velha era mais que justificada já que ele iria herda a toda a economia da família, então sempre estava recebendo aulas direta com seu pai e sempre era mandado para outros lugares para fazer acordos, ou aumentar a imagem da família. Natasha tinha atenção de seu pai por apenas ser mulher e um dia casaria com alguém importante crescendo o poder da família Klasen, então sempre estava de olho nela para que tivesse educação a altura para conseguir atrair um bom pretendente.
Seu irmão cruzou as pernas com um sorriso no rosto enquanto olhava para Natasha, ela não queria falar com ele, mas seria muito pior ignora-lo.
—Sim Tombes- Cruzou os dedos- O que te traz a meus aposentos
—Que bom que perguntou minha irmã- Olhava para os lados analisando o quarto- Só estou aqui para saber como você está e porque o quarto está tão escuro?
—Estou bem, obrigador por perguntar- Fechou bem a mão para esconder a moeda sem que ele visse- Gosto assim, já que estou indo dormi.
—Sabia que fiquei a noite inteira trancado no quarto com o pai nos escondendo dos orcs- abriu os braços escandalosamente- Tinha vários deles, mas ainda bem que havia guardas para nos proteger.
—Fico feliz em saber que você está bem meu irmão, meu coração não aguentaria perde você- Um sorriso gentil surgiu em seu rosto, mas Tombes apenas revirou os olhos.
—Você escapou como?- Encarando Natasha friamente, como seus olhos fossem duas facas.
—Um guarda me ajudou a fugir pela janela, depois me escondi na cidade.
—E você retornou- O tom da sua voz soou como estivesse decepcionado- Achei que você não fosse sobreviver, fique tão triste sabe, seria uma pena, muito trágico.
—Sim, seria – Apertou os lábios, tentando controlar sua frustação.
—Mas você retornou, agora está pronta para seguir as ordens de nossa pai- Se levantou indo até a porta.
—Antes de você sair pode me passar aquela vela- Apontou para um cômodo que possuía diversas coisas encima dela, várias joias, pentes e etc.
—Claro- Foi até o local pegando a vela bufando um pouco, logo indo até Natasha- Se vais dormi porque vai precisar disso?
—Para fazer minha escolha- Pegou a vela encarando a janela olhando para a cidade toda lá fora notando como era misteriosa, vendo um mundo novo para conhecer. Tombes deu os ombros e seguiu para fora do quarto.
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