Caminhando com passos lentos e glamurosos, cuidando para que seu vestido não tocasse o chão ao mesmo tempo que não perdia o passos elegantes, sendo acompanhada por mais três empregadas que seguiam olhando para baixo sem vontade alguma, compartilhava desse sentimento sua única “diversão” era ir até lojas e olhar os produtos, usava isso como desculpa para conseguir andar pelas ruas, porem odiava a parte de ficar horas escutando os lojista descrevendo como um simples pedra azul poderia ser valiosa e linda. Não se importava com o que eles tinham a dizer só gostava de andar aproveitado a pequena brisa que sobrava pelo seu rosto. Depois que andou pelo distrito comercial começou a reparar que o distrito nobre era sem vida, todos que andavam ali estavam em pequenos grupos, alguém importante sendo seguido por empregados, de vez enquanto passava uma carruagem muito bem enfeitada com cores vibrantes.

Distrito comercial era onde a maior parte do comercio se concentrava, contudo, as lojas que ela podia frequentar era exclusiva do distrito nobre, lojas onde só a alta classe podia entrar, tipo de local onde o resto da cidade mal sonhava um dia chegar perto. Algum tempo caminhando divagando em suas memorias uma das suas empregadas parou na sua frente estendendo a mão para o lado, percebendo que havia chegado em seu destino. Seu pai havia pedido para que lhe comprasse um vestido novo, como forma de deixar sua filha “feliz” após a invasão na sua casa, ela realmente achava os vestidos lindo, mas não era isso que ela queria, arrogância do pai em achar que dar um vestido pode resolver algo.

Entrou primeiro na loja, logo de cara tinha um homem por volta dos 38 anos, usando um terno vermelho com uma calça preta, ele esfregava as mãos com um sorriso no rosto. Adentrou o local com passos curtos lentamente enquanto olhava para os vestidos, a diversidade e cores não lhe chamava atenção, tinha tantos que estava ficando sem graça, tudo em sua vida estava começando a perde a graça. Uma das suas empregadas começou a conversa com o senhor, mas estava tão perdida olhando para a rua pela janela que não prestava atenção. Fazia três dias que havia acendido aquela vela na sua janela, havia ficado feliz por ter sentido esperança, “um caminho onde ela pudesse escolher”.

Um toque em seu ombro, a sua empregada mais nova Silicia, cabelos curtos chegando até o ombro e escuro usava um vestido de empregada simples seus olhos eram castanho escuro com um rosto fino e pele tinha um tom médio puxado para o moreno. De todas essas era a mais nova e mais empolgada, por algum motivo ela gostava de ir junto quando ia visitar alguma loja, devia ser um ano mais nova, o sorriso da jovem enquanto apontava para um vestido vermelho.

—Esse é muito bonito minha senhora- Se aproximou do vestido, pegando na saia passando o dedo sobre o tecido- Esse aqui é muito bom.
—Você acha? — Se aproximou, sua expressão era de desanimo, pegou na saia sem vontade alguma- Esse algodão não parece ser de tanta qualidade.
—Mas eu achei tão lindo- De repente ela olhou para o lado percebendo que a empregada mais velha olhava para ela com repreensão, ela tinha acabado de contrariar a sua senhora e não havia notado, Natasha não se importou porem as regras são muito duras envolvendo a nobreza, não podia ir contra – Mas eu concordo com a senhora... não é tão bom...
—Tudo bem- Esboçou um pequeno sorriso, enquanto fechava os olhos de forma gentil- Ele tem sua beleza, fique tranquila.

Silicia não respondeu apenas sorriu andando em direção as outras duas empregas que estavam conversando com o mordomo da loja. Voltou a encara a rua pela janela observando as pessoas andando, enquanto permanecia com uma expressão triste com olhos quase se fechando, apenas esperando.

Havia passado varias horas, agora se encontrava dentro do seu quarto, passar tanto tempo dentro da loja de vestido tinha retirado seu ânimo de caminhar então pediu para retornar para a fortaleza, puxou a cadeira da sua escrivaninha, olhando encima da mesa diversos poemas que ela escrevia quando tinha algum tempo, pegou um deles com um sorriso no rosto, realmente gostava de fazer aquilo, gostaria de ter mais tempo para escrever mais, os estudo que era imposto diariamente e treinamento para servi como esposa impedia ela de ter qualquer tipo de tempo para continuar escrevendo. Silicia entrou no quarto com as mãos próximas a cintura segurando um envelope, a empregada ainda estava um pouco abalada pela situação na loja, sentiu um pouco de pena dela. Ela não havia culpa em ter uma opinião diferente da sua, contudo não podia ir contra as regras. Ela depositou o envelope encima da mesa e fez uma reverencia, e começou a se retirar do quarto.


—Obrigada Silicia- A empregada parou no meio do caminho, e olhou para trás
—É um prazer. – Respondeu com um sorriso animado, a empregada tinha bastante energia e ficava empolgada muito facilmente. Em seguida ela continuou para fora do quarto deixando Natasha sozinha novamente.

Pegou o envelope notando que tinha o selo da sua família, achou estranho seu pai e seu irmão do meio estavam na fortaleza, qualquer tipo de mensagem poderia ser entregue através de um empregado, já que não conseguiam ir pessoalmente falar. Retirou o selo, puxando o papel dobrado de dentro notando a caligrafia de seu irmão mais velho. Reir tinha saído faz dois anos para aumentar a influência da sua família em outra cidade e nunca havia recebido uma carta dele, o seu pai costumava receber alguns relatórios de seus avanços com a nobreza local.

Desdobrou o papel com cautela, notando que cheirava muito bem a carta o papel era de boa qualidade a caligrafia de seu irmão era impecável, cada letra parecia um desenho perfeito. “ Familia Klasen, venho por essa carta pronuncia meu retorno dentre alguns dias para minha cidade natal e fortaleza que eu cresci, desde que eu recebi a noticia sobre a invasão a nossa casa, meu coração pesa em preocupação, devo estar presente com meus ente queridos para protegê-los quando for necessário. Reir Klasen”.

Por um breve momento tinha achado que a carta era exclusiva para a sua pessoa, como sempre estava errada, uma carta genérica que provável que seu pai e tombes tinha recebido se que ele realmente tenha escrito a carta mesmo. Algo começou a chamar sua atenção, um barulho estranho parecia alguém mastigando, o som vinha da sua cama.

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Sebas automaticamente abriu um sorriso, ao ver a expressão confusa de Natasha, ele sabia que ela não esperava por sua presença, podia simplesmente passado pela janela e dito apenas um “oi”, tocado em seu ombro. Optou por ficar deitado na cama enquanto comia uma maça, sexta regra da vida “Faça apresentação mais incrível que conseguir, se não funcionar faça mais estranha possível”. Observou que Natasha ainda estava confusa, sua expressão ficava variando de confusão para raiva, devia ser porque estava comendo encima da cama dela, deu uma mordida na maça, ou talvez seja as botas suja de barro.


­-Você é pouco receptiva- Retirou o sorriso do rosto e mudou para algo chateado- Venho lhe visitar e você apenas fazendo essa cara feia, achei que estaria com saudades.
—Você demorou três dias!- Se levantou com raiva, batendo o pé no chão cerrando os punhos, enquanto encarava com ferocidade, Sebas ficou surpreso com a explosão, parecia que ela também tinha ficado, em seguida mudou toda sua postura para algo mais elegante- Eu achei que você estava me enganando.
—Eu? Por que eu faria algo assim? — Colocou a mão no peito fingindo que estava ofendido, depois mordeu a maçã novamente.
—Porque o seu trabalho é exatamente esse, enganar nobres- Franziu o cenho e bateu o pé no chão novamente, ela sentou na cadeira colocando a mão na cabeça.
—É verdade, as vezes eu esqueço isso- Abriu um sorriso, mudou a postura e sentou na cama- Você esta meio abatida, uma princesa não pode ficar triste.
—Não é nada- Retirou a mão da cabeça e repouso na mesa, estava desanimada podia notar facilmente no seu olhar aparentemente cansado, a desmotivação que levava nos braços- Por que demorou tanto?
—Você não viu como a segurança na sua fortaleza aumentou, eu normalmente demoraria meia hora para conseguir invadir- Terminou de comer a maçã, fez uma pausa para mastigar- Me deu um pouco de preguiça, por isso eu demorei
—Preguiça?- Arregalou os olhos, apertando os lábios com raiva- Você é irritante.
—Assim você pode ofender meus sentimento- Se levantou, bateu a mão nos panos que usava enrolado em volta da camisa, passando a mão na calça com várias remandas e costuras. Queria retirar a sujeira nobre que estava na sua roupa. – Fiquei surpreso, achei que não acenderia a vela.
—Eu decidi – Observou que a mão esquerda dela segurou os dois dedos da mão direita – Digo, disposta a escutar... Seguir o que você tem a dizer.
—Entendo- se aproximou dela, se apoiando na mesa cruzando os braços – Diga a frase “Isso não é seu”
—Como?- Ela olhava com um olhar confuso, os gestos com a mão, olhar desviando em confusão, notando que ficava nervosa sempre que fazia uma pergunta que ela não entendia
—Diga a frase, “isso não é seu”
—Isso não é seu- Observou o jeito que ela falava, não estava levando a sério e isso era um fator muito importante, ela queria aprender mas não sabia oque queria aprender.
—Você tem dez moedas de ouro e quer comprar algo que custa no mínimo trinta moedas, oque você faz?- Olhava sério para ela
—Eu acho que não conseguiria comprar, talvez eu buscasse mais dinheiro – Ela fez uma pausa, o seu nervosismo tinha sumido ficado apenas a confusão, colocou as mão sobre a mesa enquanto seus olhos procurava algo para lhe auxiliar na resposta.
—E como conseguiria?
—Voltaria para minha casa, eu acho- Retirou os olhos da mesa, e voltou a prestar atenção.
—Tudo bem- Ela era nobre até os ossos, crescer nesse meio ser ensinada nesse meio, não conseguiria pensar soluções fora desse meio Sétima regra da vida “Pense em uma coisa e faça tudo"- Seu caso vai ser complicado
—Como assim?- Voltou a segurar os dedos como sempre fazia, apertou os lábios de leve enquanto o nervosismo voltava lentamente em seus olhos.
—Normalmente, treinamento para ser um ladino acontece com alguém que não tem nada, cresceu nas ruas, sem amor ou qualquer tipo de felicidade- Olhou ao redor do seu quarto, notando como cada mobília era bem feita e custava uma fortuna – Não teve qualquer tipo de piedade, ensinamos ele a ser um nobre para que ele possa sentar na mesa com outros nobre e assim rouba-los no futuro.
—Você já ensinou alguém?- Ela tinha mudado suas expressões para curiosidade, talvez não notou as indiretas que havia mandado.
—Assim que me ensinaram, eu e meus colegas- descruzou os braços apoiando na mesa- Mas isso não vem ao caso, você já é uma nobre, terei que fazer o caminho inverso
—Caminho inverso?- Olhou para baixo confusa- Isso não faz sentido
—Terei que te ensinar a ser uma pessoa das ruas- Viu que ela ficou mais confusa ainda- Mas isso não é para agora, temos primeiro que resolver essa seu jeito, você tem muitas manias e é facilmente lida, temos que lhe ensinar a ser outra pessoa, para depois avançar.

Começou a coçar a sua barba enquanto olhava fixamente para o chão, tinha que pensar como poderia treinar ela, estava diante um grande desafio uma nobre querendo entrar para o submundo. Ter alguém desse nível como aliado sempre é bom, contudo ter alguém assim como parceiro era sempre um desafio, tal pessoas não tempo para sair em teatros por aí se esgueirar por casas ou negociar com ladrões e grupos inteiros.

Mas não houve um desafio que ele tenha voltado atrás, começou a ficar empolgado as ideias começavam a pular em sua mente, fazia anos que não ficava tão animado para um esquema desse nível. De repente notou que Natasha estava ali sentado, por um momento havia esquecido sua presença, analisou, sua postura então teve uma ideia.


—Você está sabendo da festa que vai acontecer daqui uma semana? — Olhar de Natasha ficou mais claro, sua postura ficou ereta colocando as mãos sobre a perna, ficando alegre por tocar em um assunto que entendia.
—Faz três semanas que eu sei que essa festa vai acontecer- Virou para o lado abrindo uma gaveta, depois de alguns segundos revirando alguns papeis, puxou um deles, entregando na mão de Sebas.
—Interessante- Ele so tinha descoberto essa festa faz duas semanas, esse tipo de atraso antigamente teria deixado em maus lençóis, entretanto não se importava. Agora teria que voltar a se importa, e pensar em algo muito rápido- Aposto que estão lhe obrigando a ir
—Sempre...- Ficou ligeiramente triste, encarando a mesa- Não é tão importante assim parece a festa, são nobre de baixo nível que estão organizando para se juntarem e formarem aliança, meu pai quer minha presença lá apenas para dar moral a nossa família.

Festa feita por nobres pequenos acontecia para todo o lado, quase toda semana aparecia uma, eles estão sempre tentando se fortalecer para fazer disputa de igual com nobres maiores. Não á muito sentido na presença dela nessa festa, apenas se seu pai está tentando atrair nobre menores como aliado ou é feito de arrogância a ponto de querer demonstra poder sobre os menores.


—Mas fiquei tranquila, você não vai ir- Novamente ela ficou confusa, encarando- Quem vai ir vai ser a... bem... eu não pensei no nome ainda para sua personagem.
—Mas como assim!?- Ficou espantada, apertou forte a saia que estava usando- Nunca que vou poder fazer isso!
—Você disse que queria que lhe ensinasse, então confie em mim, já estou planejando, pelo menos boa parte- Começou a coçar a barba novamente, teria que fazer algum tipo de distração, como poderia enganar todos nos castelo que ela não poderia ir, e não ficar na fortaleza, não tinha a menor ideia do que ia fazer- Eu já sei o que fazer! Amanhã tente dormi cedo, mas não durma eu irei aparecer e vamos sair.

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Observou Sebas indo em direção a janela, não estava entendendo totalmente oque estava acontecendo, um pouco de medo batia em seu coração, contudo ainda queria continuar em frente. Ir por esse caminho podia ser um pouco maluco porem estava determinada a tentar, queria mudar, precisava mudar não queria mais sentir o tédio que sentia todas as noites.