Correndo pelo beco segurando firme a mão da jovem, puxando ela com gentiliza suficiente para não lhe machucar e força necessária para andarem rápido, de vez enquanto olhava para trás para ver se estavam sendo seguidos porem só conseguia ver o rosto assustado e ofegante da lady, seu medo vinha da situação de ter sua casa invadida de repente e ter que sair pela janela, a forma que apertava a sua mão demonstrava que confiava em Sebas, e foi nisso que ele estava baseando sua atitude, tinha coração mole situações assim sempre lhe comovia, claro que uma invasão orc não acontecia sempre porem situações onde via em desespero e dependendo da sorte era apenas uma segunda feira para ele.

Depois de alguns metros que percorreram, estavam dentro do distrito comercial, Sebas procurou por alguma referencia para se localizar dentro do local, avistando uma loja que conhecia conseguiu criar um mapa mental e seguiu por um caminho um tanto que estranho. O caminho era apertado e muito sujo, tendo lixo espalhado pelo local, Sebas podia escutar os resmungos da jovem ao pisar em algo duvidoso, achou melhor acelerar o passo, ficar ali não era perigoso e sim nojento, para uma dama refinada como ela que nunca chegou perto de algo tão sujo como as sarjetas devia ser uma tortura. Chegando até uma porta com uma marcação de um circulo com triangulo no meio, Sebas puxou uma moeda de bolso e colocou na fechadura fazendo ela abrir, rapidamente colocou a jovem para dentro do local e antes de entrar olhou para os lados vendo se não havia ninguém por perto, notando que estava vazio, que chegava a causar solidão entrou dentro do local também e fechou a porta.

Podia ouvir a respiração da jovem no meio do escuro, enquanto caminhava pelo local indo até uma lamparina, acendendo ele em seguida que o quarto ficou iluminado começou analisar o seu esconderijo, tinha tantos que as vezes esquecia como era por dentro, mas nunca esquecia como chegar neles quinta regra da vida “tenha esconderijos e saiba como chegar neles!” essa salvou a sua vida muitas vezes, tantos cobradores que ele enganou apenas se escondendo. O local não era nada arrumado, havia caixas empilhada uma encima da outra, algumas cobertas com lençóis havendo apenas duas janelas no local que estavam pregadas com tabuas de madeira, mais ao fundo tinha uma escada com uma inclinação de cinquenta graus. Olhou para a jovem que segura as mãos perto do peito olhando para todo canto do local confusa, tentando achar algum conforto na situação, começou a acender outras lamparinas deixando o lugar mais visível para se andar, se dirigiu até uma caixa abrindo e revirando algumas roupas.


—Onde estamos? — Sua voz estava um pouco tremula porem demonstrava menos nervosismo que antes
—Estamos seguros- Sebas pegou algumas muda de roupa e entregou para a jovem- Vista isso, andar de pijamas pelas ruas e ainda mais com pijamas caros pode chamar atenção
—Mas?- Ela olhava para as roupa de couro e tecido- Porque tudo isso?
—Bom, eu não sou um guarda da sombra, escuridão, anônimo ou sei lá o que eu tenha falado- Sebas se sentou no sofá- Eu sou um ladrão que vive no submundo da cidade que deu azar de estar no lugar errado na hora errada
—Você mentiu para mim?- Ela ficou surpresa apertando as roupas contra o peito- Porque fez isso?
—Porque eu iria ser morto caso eu contasse a verdade- Sebas abriu os braços em desespero- E minha mentira foi que te salvou
—Mas isso não é errado?- Franziu o cenho olhando para o chão de mostrando dúvida e um conflito interno
—Não espero que você entenda, você nasceu em um berço de ouro e tem riquezas não é- Sebas ficou com um semblante mais sombrio- Pessoas como eu tem que utilizar de tais meios para sobreviver, eu minto para sobreviver
—Então você é um vilão?- Ela estava encarando ele
—Nunca fiz mal a alguém, sempre ajudei meus companheiros e pessoas que necessitam, nunca roubei alguém além de um nobre e nunca matei sem achar que fosse extremamente necessário- Sebas olhava nos fundos dos olhos dela- Certo ou errado, herói ou vilão é tudo questão de ponto de vista
—Como assim?- Seu rosto demonstrava nitidamente que estava em um conflito em sua cabeça, não apertava mais as roupas demonstrando que estava mais tranquila.
—A heroína Sera é uma heroína que todos admiram, mas é uma vilã visto a os olhos dos bandidos que ela matou sem pergunta por que eles faziam tal coisa, heróis devem mesmo derramar sangue? E não me entenda mal, eu admiro ela bastante adoro suas histórias- Sebas retirou uma moeda do bolso e começou a jogar para cima- Você me vê como vilão, mas os mendigos que eu ofereço comida e um pouco de dinheiro me vê como herói e vê vocês nobre como vilões retirando suas riquezas através de impostos
—Eu nunca parei pra pensar dessa forma- Ela encarava as roupas- Nunca fiz nada de errado
—Nada em seus conceitos, nascer rica é algo errado para algumas pessoas- Sebas pegou a moeda e começou a brincar passando entre os dedos- Use o segundo andar para se trocar.
—Tudo bem- Falou com uma voz meio triste e com um olhar longe, como estivesse divagando em seus pensamentos.

Sebas observou ela subir as escadas segurando as roupas no braço e uma lamparina na outra, começou a refletir sobre a conversa se questionando sobre ela nunca pensar sobre isso, viver como uma nobre deve ser algo tão entediante. Ouviu uma batida na porta, segurou na bainha da sua adaga e andou lentamente até a porta, em seguida escutou mais algumas batidas em um ritmo que já conhecia, soltou a mão do punho da adaga e abriu a porta com tranquilidade vendo um conhecido seu, que usava um manto preto sobre o corpo, junto com um capuz cobrindo a cabeça, que entrou no local sem demorar.


—Sebas como você está? — O homem e sebas apertaram as mãos
—Seni, vou bem, e você? — Sebas conhecia Seni dos tempos antigos, onde algumas vezes trabalharam juntos, e ele já forneceu informações valiosas, Seni era tipo de pessoa igual a Sebas, caso não fossem amigos estariam um caçando o outro
—Estou bem, vim ver se você não foi envolvido nessa situação da invasão orc- Seni retirou o capuz mostrando um cabelo curto, raspado dos lados e encima era descabelado, seus olhos era negros como a noite.
—Soube disso a pouco tempo, não sabia que havia se espalhado tão rápido- Sebas tentou disfarça sua surpresa para não deixar na cara que ele participou da intriga
—Praticamente todo o submundo já sabe, sendo um ato dos espadas vermelha então prevejo que daqui alguns dias a cidade vai entrar em um caos, onde os espada vermelha irão ser caçados tanto pela guarda da cidade quanto pelos outros grupos para se aproveita da situação- Sua voz era grossa e séria, Sebas sempre via presença em tudo que ele falava, até suas piada ela usava esse tom.
—Então estamos a beira de uma guerra do submundo?- Sebas coçou a barba pensando no tamanho que confusão que havia criado- Isso pode trazer vantagem alguma para nós?
—Depende de como você vai usar a situação- Seni olhava pelo local notando pegadas feita com barro da rua, porem seu tamanho era menor que o pé de Sebas- Esse conflito pode ser uma camuflagem para nós ou estaremos escolhendo um lado na guerra se formos descoberto, então a situação pode variar muito
—Entendo, não estava vendo a situação por esse lado, soube da notícia recentemente julguei que seria apenas um conflito passageiro
—Também achei que fosse- Seni cruzou os braço- Mas desde que eu soube da situação andei falando com alguns conhecidos de cada grupo, até os menores e cada um tem uma opinião diferente, mas todas tem ambição de querer tirar vantagem disso
—Então você veio saber minha opinião- Sebas olhou para Seni que mantinha uma expressão serena
—Também, mas estou verificando se meus amigos estão bem.
—Ei eu não sei- A jovem desceu pelas escada, agora vestida como uma calça de couro e uma camisa branca junto com um casaco que possuía diversas cintas na volta- Ah! Olá!
—Prazer- Seni olhou para a jovem depois olhou para Sebas
—Uma guria que eu estou pegando- Sebas deu uma piscada para Seni- Sabe como é, não estava sabendo dessa situação por causa de outras coisa se que você me entende
—Entendo- Seni se dirigiu até a porta- então irei me retirar
—Muito obrigado- Sebas sorriu para Seni enquanto ele fechava a porta, esperando que os passos dele se afastassem o suficiente-Você quase crio um problemão aqui em
—Mas o que eu fiz de errado?- Ela descia a escada confusa
—Deixa pra lá- Sebas se apoio numa caixa olhando para baixo pensando e analisando toda a situação melhor.
—Meu nome é Natasha- Falou com um certa timidez
—Ah, Natasha?- Foi despertado de seus pensamentos quando ouviu sua voz- As pessoas me chamam de Sebas
—Prazer em conhece-lo Sebas- Ela fez uma pequena reverencia de uma lady ao conhecer um cavaleiro
—Prazer? Em algum canto das leis dessa cidade pode considerar o que eu fiz como sequestro, ainda não sei como você ainda não está gritando por socorro- Sebas realmente não entendi como ela estava tranquila com a situação, comparou em ter a casa invadida por orc cheio de raiva ou seguir um estranho, percebeu que a situação era a menos pior, mas ela deu sorte de ter encontrado o vigarista mais bondoso da cidade toda a situação poderia ter sido pior do que uma invasão orc.
—Você não é como um ladrão qualquer- Natasha olhou pro sofá pensando em se sentar mas decidiu que não faria- Já vi diversos preso ou sendo julgados, todos estão com raiva ódio e tem personalidade tão deprimente.
—Maioria não é tão elegante como eu, ou carismático- Sebas mostrou um sorriso para ela enquanto fazia gesto com as mão, fazendo ela soltar uma risadinha, mas os pensamentos de Sebas era diferente de suas ações, imaginando a situação que seus companheiros estivessem para ter ódio ou raiva, ser preso nunca fazia bem para a personalidade- Vamos sair, temos que ir para um lugar.
—Para onde vamos?- Natasha fez um gesto que Sebas estava reparando desde que encontro ela, sempre que demonstrava insegurança sua mão esquerda segurava dois dedos da mão direita
—Para um taverna, você não quer ir embora?- Natasha confirmo com a cabeça- Então temos que saber a situação de sua pequena casa
—Tudo bem, eu acho- Sua voz tinha uma leve hesitação mas Sebas abriu a porta e olhou para ela que resolveu seguir ele

O som de seus passos ecoava pelos becos, a bota batendo nas pequenas poças de água no meio da calçada era que incomodava mais Natasha, o lugar era tão apertado que não entrava sol suficiente para evaporar, provavelmente essa poça já estava a muito tempo. Sebas podia ver o desconforto no rosto de Natasha, desde que trouxe ela para uma parte mais pobre da cidade percebendo que ela olhava para todos os cantos, talvez se perguntando porque tudo era tão sujo e mal cuidado, Sebas até se questionou se ela agia assim nas sarjetas como ela iria reagir ao andar pelas favelas ou as indústria.

Colocando os pensamentos de lado, seguia atento andando pelos os becos, para sua surpresa não encontrou nem um mendigo ou ladrão simples o que ele estava evitando a todo custo, praticamente todos no submundo se conheciam, rostos novos sempre traziam inquietação e duvidas e Natasha chamaria mais atenção que um farol pegando fogo, pela sua beleza atraindo os psicopatas e para os curiosos que adoram meter o nariz em qualquer canto descobriria que era uma nobre. Saindo de um beco chegaram até uma rua maior, onde civis andavam durante o dia com alegria e sem preocupação nem uma, entretanto a noite a rua se mantinha vazia, raramente podia ver alguém usando um manto e capuz andando para algum destino desconhecido, Sebas sabia que esse tipo de gente era perigosa porem as mesma pessoa achavam o mesmo dele então nem um dos dois lados entravam em intrigas. Mais alguns minutos andando pelo distrito comercial, cercado pelos prédios de dois andares de cada lado da rua avistaram um local iluminado com sons de voz, porem não era nada de festa apenas conversas simples resolveram acelerar o passo, ficar na rua era perigoso para Natasha.

Dentro do local haviam dois grupos de pessoas, onde um deles era inteiramente composto por homens grandes e musculosos com seus braços a mostra coberto por cicatrizes, sua arma na cintura indicavam que não era boa companhia, todos bebiam sem pensar no amanhã as garrafas de cerveja e vodka se acumulavam encima da mesa e no chão e suas canecas nunca estavam vazia. O outro grupo tinha uma aparência mais amigável, sete pessoas composto por três mulheres e quatro homens, seus músculos não tão grande como o primeiro grupo indicavam que era aventureiros, suas roupas demonstrava mais sua personalidade pelos detalhes a mais como cintos pela roupa e cores diferenciada, e pelo humor mais amigável que transmitiam, suas armas não estavam em suas cinturas e sim a o seu lado encostado na mesa algo que no submundo dizia que você não estavam procurando briga porem não vai deixar qualquer provocação passar, o primeiro grupo mantendo as arma na cintura dizia que estavam procurando briga com qualquer um que olhar errado para eles. Havia outras pessoas sentadas sozinhas nas mesas bebendo sozinhas, talvez afogando alguma magoa ou alimentando os seus vícios, no balcão tinha cinco pessoas, vendo suas costa Sebas julgou que fossem cidadãos simples procurando a proteção do taverneiro, pois ninguém puxa briga na frente do taverneiro, uma regra estabelecida pela guilda dos ladrões já que eles dominavam o distrito comercial.

Andou até uma mesa um pouco afastado dos dois grupos, não podia pegar uma distante pois queria escutar e chamaria atenção dos demais, sentando na cadeira de forma relaxada, esticando as perna soltando um suspiro aliviado por ter conseguido chegar tão longe sem arrumar mais problemas dos que já tinha nas costa, Natasha sentou como uma verdadeira lady colocando toda sua etiqueta em pratica fazendo Sebas se preocupar, ninguém no submundo costuma sentar assim em uma taverna, lembrou de uma pessoa que costuma fazer isso porem isso fazia parte de sua personalidade e era para fazer piadas com os nobres. Em seguida que Natasha sentou Sebas puxou sua adaga, mas não a que estava na cintura e sim uma que escondia em seu pulso menor que da cintura porem era especial sua lamina era dourada e bateu a ponta da faca na mesa cravando nela, era quase a mesma coisa que o grupo de aventureiros não buscava briga, porem a diferença era que você aceitaria algumas ofensas antes de iniciar um conflito. Fez um sinal com a mão, levantando o dedo indicador sinalizando que gostaria de uma cerveja e depois levantou o indicador e o médio mostrando que era para servi em dois copos, o taverneiro fez positivo com a cabeça e se virou pegando uma garrafa e dois copos. Sebas deu uma rápida olhada pelo local vendo que ninguém estava olhando para ele com suspeita ou mostrado interesse de causar alguma intriga, se inclinou para frente apoiando os braços na mesa.

—Fique mais relaxada, tente imitar a postura das outras pessoas- Sebas olhou rapidamente para o grupo de aventureiro e Natasha entendeu o que ele estava falando mudando sua postura deixando mais desleixada.
—Mas porquê? – Sua expressão estava confusa e todo momento olhava para os lados com certo tipo de nervosismo.
—Ninguém aqui teve aula de etiqueta com algum professor da alta nobreza- Sebas abriu um sorriso sedutor, fingindo que aquele papo era apenas uma trova entre um casal.
—Entendo, e o que vamos fazer agora? – Natasha se aproximou de Sebas e sussurrou
—Tente ficar tranquila, beba um pouco e deixe o resto comigo- Nisso o taverneiro trouxe duas canecas cheia de cerveja e colocou na mesa.

Sebas tomou metade da caneca em apenas um gole, Natasha encostou os lábios na bebida e já revirou o rosto de desprazer por um breve momento achou que ela vomitaria ou ia começar a chorar no pior dos casos os dois e ainda sairia correndo, mas ela não fez nada disso apenas fechou os olhos e forçou a tomar a cerveja, algo tão fraco não deixaria ela bêbada então serviria até descobrirem algo sobre a invasão. Alguns minutos se passaram onde Sebas se concentrava na conversa das pessoas, conversas triviais e algumas histórias e lendas a qual se contavam, ouviu uma história sobre a Sera que era famosa no reino central, já havia passado pelo reino e foi o suficiente para colocar seu nome na boca de muitas pessoas, ouviu histórias que julgava ser mentira como de dragões entre outras criaturas entre todas que achou mais mentirosa foi de uma mulher de cabelos brancos que andou do reino central até o reino superior sem destino e sem fazer pausas, gostaria de ter soltado uma risada mas se segurou. Até que um dos homens brutos que estava ali começou a falar com seus companheiros algo que chamou sua atenção.


—Mais um grupo de orc apareceu- O homem falou em seguida virou seu copo de bebida
—Onde? — Um companheiro próximo falou num tom curioso, pois sua afirmação tinha sido muito vaga.
—Na fortaleza, dos nobres, aqueles, como é o nome mesmo? — O álcool já estava fazendo efeito.
—Caden? – Assim que falou seus companheiros começaram a rir e empurrar o homem que falou o nome errado- Dane se o nome desses filha da puta, que grupo de orc apareceu la?
—Não soube? Porra, tiveram a fortaleza invadida por orc, logo que dominaram o local apareceu mais um grupo de orc para defender o local, a situação parece complicada
—Então os nobres foram todos mortos? – O seu tom demonstrava deboche e felicidade
—Isso ai eu não sei dizer, tomara né menos um desgraçado nessa cidade- Virou o copo com bebida de novo em apenas um gole- Parece que o último andar está com a escada obstruída assim os orc não chegaram até o grandíssimo filha da puta
—Não caralho- Um amigo seu do outro lado da mesa bateu a mão na mesa- Estão trancado no quarto, os guardas e o verme se trancaram e colocando armário na frente impedindo a entrada dos orc
—Vocês estão bêbados!- O maior de todos que estava de braços cruzados tomando sua bebida lentamente falou- Um grupo de orc invade o local e vocês acham que vão deixar sobreviventes?
—Isso é verdade, mas ouvi falar que nem todos estavam no castelo, o herdeiro saiu para caçar e resolveu acampar- o mesmo que bateu a mão na mesa falou
—Mas o que isso me importa? So sei que os guardas vão preparar um batalhão inteiro para retomar a fortaleza de volta, e o duque da cidade está furioso com a comunidade orc na cidade- O que puxou o assunto falava com um tom de despreocupação -Achei que orc iriam abandonar, assim poderíamos saquiar, mas os orc estão firmes no local.
—Julgou certo, mas não o suficiente- Maior de todos tomou um pequeno gole.

Isso era tudo que Sebas precisava ouvir, gostaria de ter mais informação exatas sobre a situação como sobreviventes mas informações colhidas dessa forma nunca era de confiança, teria que procurar algum informante de confiança e um saco de dinheiro grande suficiente para descobrir tudo com mais exatidão, contudo não tinha tempo para isso e saber que os guardas iriam retomar a fortaleza já bastava para Sebas pois ela teria uma casa para voltar amanhã.

Ficaram mais algum tempo ali bebendo, notando que Natasha não tinha terminado sua primeira caneca e já estava com um olhar diferente, decidiu ir embora, pegou sua adaga colocando dentro da manga e jogou duas moedas de prata encima da mesa com o dedão, em seguida fez sinal com a cabeça para que Natasha a seguisse. Ela se levantou rapidamente e seguiu como se fosse um cachorro perdido, Sebas estava começando a sentir pena dela, essa situação toda estava sendo uma tortura para ela, tendo que se esgueirar por becos e entrar em tavernas que provavelmente você pegaria alguma doença, mas era a única coisa que ele poderia fazer por ela, algo que ele percebeu que quando estava perto dela, sentia mais a vontade, porem a sensação não estava ligado a ela ser bonita ou algo do tipo, já tinha visto isso antes onde ela conseguia deixar as pessoas mais maleáveis apenas com sua presença, nunca parou para estudar esse fenômeno mas tinha uma prevê ideia que estaria ligado a magia, onde alguns tem uma aura melhor que outras, já viu sua contra partida onde pessoas conseguiam deixar as outras em péssimo estado só estando ao seu lado, e nisso começou a pensar profundamente sobre essa sensação.

Andando pela rua, agora estava indo por um caminho diferente de antes, onde buscava o seu esconderijo mais confiável, o trajeto que seguiram era complemente vazio, Sebas havia mapiado todas as rotas até esse esconderijo e conseguiu traçar um caminho mais rápido e seguro ao mesmo tempo, Natasha continuava com sua expressão de desgosto do local contudo já estava se acostumando onde agora não fazia mais uma cara tão feia a o ver uma lata de lixo revirada ou cachorro comendo lixo.

De longe já podia avistar a entrada de seu esconderijo, sentindo um aliviado por ter conseguido chegar ali sem ter nem um tipo de problema, costuma levar um tempo para conseguir passar pelos becos sem ter nem um encrenqueiro como ladrão ou um valentão querendo provar sua força com qualquer um. Talvez a invasão tenha causado um caos maior que estivesse esperando, atraindo olhares de todos, mas isso também era ruim, por criar uma grande fumaça deixando cego sem saber onde o perigo pudesse estar. Olhando para pontos que pudessem abrigar algum tipo de olheiro, ou interesseiro todo cuidado é pouco.

Entrou num beco apertado se encolhendo um pouco, os passos de Natasha logo a suas costas pararam de repente. Olhando para trás para ver o que estava acontecido, percebendo que ela estava parada na entrada do beco olhando para as paredes com as mãos juntas próximo ao peito com um olhar apreensiva.


—Esse é o único caminho? — apertando os lábios olhava para os cantos da parede.
—Sim, algum problema? – Tendo que se contorcer para pode olhar no rosto dela. – Essa entrada é segura não precisa ter medo.
—Não é esse problema, esse local inteiro não parece ser seguro, mas isso aí é meio nojento – Estendeu a mão e passou o dedo que ficou automaticamente preto, logo que viu fez uma cara de nojo.
—Sério? Acho que de todos os problemas da noite, sujeira não o pior deles, venha lá dentro você pode se limpar – Se virou e continuo andando até chegar na porta no final do beco. – Poderá até descansar.
—Tudo bem – Fechou os olhos abaixando a cabeça soltando uma respiração longa.

Vendo-a se espremer no beco de olhos fechados indo mais rápido que ela conseguia, chegando até a porta ela olhava para as roupas que não era algo acostumado a vestir ainda usar algo tão sujo estava fazendo ela fazer algumas expressões que Sebas achava hilário. Passando pela porta, dava de cara para direto um jardim, e logo ao fundo estava uma casa. Natasha parece que havia esquecido toda a situação por estar impressionada com o quanto o jardim era belo, com um arbusto lotado de flores no meio, e logo na volta tinha uma estrada de pedra em circulo que vinha da porta do beco ia direto para a casa no fundo, e nos cantos havia quatro bancos e atrás um gramado baixo. Sebas caminhou tranquilamente, Natasha ficou um tempo olhando em volta até começa a seguir.


—Que lugar lindo! – Parou diante o arbusto passando a mão numa flor amarela – Você mora aqui?
—Aqui? – Olhou em volta como se fosse um lugar simples- Não exatamente, é apenas um dos esconderijos que eu tenho.
—Mas esse lugar é incrível, porque não morar aqui? – Olhou incrédula para Sebas, colocando as mãos na cintura – é desperdício! É como ter uma obra de arte e deixar no deposito!
—Não acho que concordo com isso, mas eu não me importo muito com esse detalhe- Segui andando até chegar na porta da casa- Pra mim o esconderijo tem que ser pratico, ser bonito é detalhe descartável, inclusive esse não é muito bom por ser muito grande.
—Não entendo, meu castelo é grande e é bem seguro – Inclinando a cabeça para o lado com um olhar de dúvida.
—Depois dessa noite eu tenho todos os argumento para provar que sua afirmação está errada- se agachou para pegar uma pedra retirando uma chave de baixo – Invasão orc seguido por minha presença, e ainda consegui enganar seus guardas, são pontos importante.
—Você está certo – Abaixo a cabeça juntando as mãos enquanto sua voz ficou mais baixa – Estou preocupada!
—É compreensível sua preocupação – Levantou abrindo a porta – Minha opinião, acho que melhor não criar expectativas orc não costumam ter piedade
—Então você acha...- Seus olhos se arregalaram os lábios estavam tremendo ficando levemente pálida.
—Muito provável, mas sempre a esperança não é mesmo? – Abriu um sorriso largo e entrou dentro da casa.

Escutando seus passos lentos entrando pela porta, olhava para o local que era totalmente diferente do jardim sendo muito mais simples, com poucos moveis e tendo alguns cobertos por cobertores por cima, muito parecido com o esconderijo anterior. Sebas foi até em frente de um móvel e puxou o lençol mostrando um grande sofá, fazendo uma reverencia para Natasha apontando pro sofá. Ela andou lentamente até o sofá e sentou sua expressão ainda era de medo com um olhar fixo.


—Eu estava pensando ainda não entendi quando você falo que eu sou errada que sou uma vilã pôr os outros terem inveja de mim- cruzando as mãos encima do colo
—Sim, todo eles estão lá fora sofrendo de fome e morrendo de pobreza sem agua- Foi até um lamparina e ascendeu ela- tem inveja de você, porque você nasceu rica, você não nasceu no lugar deles e se tornou rica, por isso eles tem inveja porque eles não nasceram no seu lugar
—Isso não é minha culpa, nunca pedi para nascer onde estou- cerrou os punhos olhando dando um levo soco no braço do sofá
—Você escolheria nascer no lugar deles?
—Eu não... não disse isso- Sua voz parou de repente pensando em algo para dizer
—Ninguém nunca diz, você não escolhe entre seu confortou ou miséria a resposta é óbvia, mas todos temos inveja não é mesmo?
—Não concordo, porque eu sentiria inveja de algo, você mesmo não disse que eu tenho tudo que eu quero- Balançou os braços por um momento elevando a voz
—Você tem tudo que eles querem, por isso você é vilã, você tem e eles não, você tem inveja dos que tem liberdade não é mesmo? As histórias dos aventureiros, da Grande Sera Lâmina negra ou a elfa Sasha Dragão impiedoso, Jon A tempestade, não é? Como eles fazem o que querem
—Não...- As palavras dele atingiram ela de uma forma que ela não esperava. Nunca havia pensando dessa forma porem sentia que algo faltava dentro dela
—Não? Então prefere manter sua rotina dentro do quarto depois vai para outro quarto estuda vai para outro quarto vestir roupas depois volta pro seu quarto ter conversas triviais com suas aias que tem medo de desapontar- Encostou na parede puxando uma moeda de ouro jogando para cima pegando quando caia repetindo a ação-Veja eu não julgo quem tem inveja, sonho ou desejo seja qual nome você usar, eu nasci como eles lá embaixo porem eu fiz meu próprio destino, eles depende da caridade dos outros, alguns até lutam de forma honesta, mas você depende dos outros também, depende do que vão te mandar vestir de que festa você vai, quem você vai se relacionar.
—sim...- Olhando fixamente para o chão, respondeu no automático enquanto suas palavras passavam por sua cabeça, tudo que ele dizia era verdade, sua vida era baseada nisso, obedecer seu pai, amizades falsas.
—Para uma nobre você tem um orgulho bem baixo, pelo menos você não inibe seus sonhos, eu posso te mostrar um mundo novo, você tem apenas um mundo, um destino traçado mas eu posso te dar algo que ninguém ofereceu, uma escolha, uma caminho onde VOCE vai escolher seguir ou não e depois que seguir nele você vai decidir qual rumo tomar
—eu não sei... meu pai...- Seu pai era seu grande medo, um homem extremamente controlador e a única coisa que se importava era com a reputação da família, sendo capaz de fazer de tudo para conseguir poder.
—Entendo, as correntes não estão em seus braços e sim em sua mente, quando quiser sabe como me chamar- Então jogou a moeda com o dedão em direção a Natasha
—Eu vou pensar...- A moeda caiu em seu colo, ela deu um pequeno salto de susto, mas depois pegou ela com as duas mãos, notando que não era uma moeda normal, ocupava a palma da mão e tinha um X marcado no centro
—Olha nascer rico ou pobre não tem nada de errado, o que está errado é se você não faz nada sobre isso, lute mesmo que você morra tentando, pois você vivera com orgulho de ter tentado ou morrera com arrependimento no coração- Ele se virou e apontou para uma caixa- ali dentro tem roupas razoavelmente limpas, e no segundo andar tem uma cama que você pode usar.