Moeda sem valor
11 Capitulo 11
A porta da carruagem abriu, estendeu a mão para Rolf, ajudando-a a descer enquanto levantava um pouco seu vestido cor de vinho, com detalhes preto e vermelho escuro, as tranças no cabelo dourado lhe encantaram com a perfeição que fora feita, incomodada com as longas luvas, por piorar a situação do nervosismo. Saiu da carruagem acompanhada por Rolf, por uma calça de pedras, entrando na propriedade do nobre, o pátio da frente do salão era muito simples, apenas um gramado sem variação de vegetação, acostumada a chegar em ir festa, onde o local era recheado com decoração. Olhar para aquele local humilde, quebrou sua expectativa, trazendo para realidade onde nem todos possuíam a riqueza a qual ela possuía.
Chegou na entrada, sendo recepcionada por um mordomo, abriu um sorriso amigável para ele cumprimentando com uma inclinação da cabeça, o mordomo respondeu com uma reverência em seguida estendendo a mão, Rolf puxou o convite do palito, entregando. O mordomo, abriu o envelope, retirando o cartão de dentro, lendo por alguns segundos, virando, girando analisando cada parte do convite. Não soube dizer se ela era suspeita para fazer algo assim ou o mordomo tinha desconfiança até da própria sombra, logo após toda a inspeção, guardou o convite dentro do envelope devolvendo para Rolf.
—Bem-vinda Lady Talita- estendeu a mão para a entrada- Tenha uma boa festa
—Muito obrigada- sorriu enquanto andava- Será muito divertido.
Passou por um longo corredor, chegando em uma porta dupla com cerca de três metros abertas. Enquanto passava pela porta podia ouvir o som dos músicos e as conversas das pessoas, isso deixou animada, primeira festa que se sentia animada e nervosa. Olhou em volta pelo salão, o chão esta polido a ponto de estar refletindo, decorações branca e dourada, deixando surpresa, as cores não representava as cores da família de nobre e sim da família real, algo comum nas festa, homenageava as cores da nobreza com intenção de trazer agrados, normalmente recebiam uma carta do rei agradecendo. As mesas cobertas com um manto branco, no centro uma bandeja de frutas com vinho na volta.
Sem conhecer absolutamente ninguém, foi em direção a mesa um pouco distante de todos. Rolf puxou a cadeira para que sentasse, essas etiquetas estavam acostumadas, então por enquanto se mantinha tranquila apenas com um pouco de nervosismo.
Enquanto beliscava as frutas, aproveitou para observar o local, todos aqueles nobres muito prováveis serviam seu pai, contudo não reconhecia nem um deles, nobres de baixa riqueza não chamavam sua atenção e quando aparecia um problema, resolvia apenas por cartas. Essa desvantagem a acabou favorecendo, assim ninguém tinha visto seu rosto, dificultando o reconhecimento. A vergonha de ser a única de não estar sozinha, sumiu quando notou outros nobres sentado em mesas acompanhado apenas de seus empregados. Algo curioso foi ver um nobre elfo, arregalou os olhos, elfos quanto mais distante de seu reino se tornava mais raro, os que se via nas cidades possuíam status de plebeu, nobreza tornava uma joia rara dentre as joias. Fez uma anotação, mental de um alvo impossível, deveria ser um nobre cujo cresceu sem auxílio de fora, preconceito por essas terras era grande, então devia carregar algum tipo de ódio de humanos.
Duas horas se passaram de festa, ninguém ousou chegar perto dela, lançaram apenas olhares estranhos enquanto cochichavam. Percebeu o gesto que Rolf fez, então ficou olhando de canto de olho.
—Agora seria uma boa hora de se levantar-sussurrou enquanto mexia os dedos, algo que odiava nos treinos era aprender códigos e diálogos secretos- Os nobres já começaram a andar e se levantar, uma boa hora para caminhar.
—Entendido- sussurrou enquanto confirmava com a cabeça.
Já queria levantar a muito tempo, o tedio era grande onde os seus esforços foram direcionados a não dormi. Até nas festas organizada por seu pai, costumava ficar sentada esperando os nobres virem, a situação agora era diferente, ela era a nobre procurando alguém para puxar o saco. Levantou deixando Rolf para trás, assim ditava as regras, andou sozinha com passos lentos, alguns nobres lhe cumprimentavam com acenos e mexidas na cabeça, ela respondia com largos sorrisos e acenos animados. Se distraiu enquanto olhava os vestidos de outras ladies, algumas não tinham menor senso de moda, cores não combinavam, detalhes desnecessários contudo outras se superavam, chegando ao nível da alta nobreza, por isso possuíam muitas pessoas na volta. Quando se deu de conta Ferrisiz apareceu no seu campo de visão, acompanhado por um nobre a qual não conhecia.
—Minha filha, não havia notado sua chegada- Pegou a mão estendida e beijou ela- Sou agraciado com sua presença.
—Eu agradeço pelo convite- Sorriu para ele enquanto reverenciava- gostei muito da decoração, o branco e dourado é muito belo.
—Não é mesmo, gosto de homenagear o nosso bom rei, sempre dando oportunidade para todos crescerem- Colocou a mão na barriga olhando em volta- oh! Deixe-me lhe apresentar senhor Ronin, ele é um nobre que vem direto da capital do reino.
—Ronnin Alazard, prazer em conhecer- Entregou sua mão para que ele a beijasse- Talita o seu nome?
—Exatamente, filha de Talis- cruzou os dedos aproximando do peito- somos novos na região estamos de mudança.
Ferrisiz escutou alguém de longe chamando o seu nome, fez uma pequena despedida sumindo entre os nobres. Se distraiu vendo-o se afastas, só percebeu que ainda mantinha numa conversa quando Ronnin pigarreou, olhando para seu rosto agora sério, como se fosse um predador olhando para caça, sentiu medo consumir seu corpo, treinamento não dizia nada sobre alguém assim, Sebas alertou a presença de alguém mal-intencionado. Não contava com a enorme pressão do olhar daquele homem.
—Poderia me dizer qual cidade você e seu pai são? — Colocou os braços para trás, levantando a cabeça um pouco para o alto, olhando de cima para baixo.
—Bom... nós viemos de Destriz...- Abaixou a cabeça, segurando os dedos da não.
—O senhor Ferrisiz me contou, sobre os negócios da sua família, venda de vinho não?- Quando abriu a boca pra responder, foi interrompida na mesma hora- Nunca ouvi sobre o vinho da sua família, nisso eu fico surpreso, sou especialista em vinhos faço questão de provar todos os tipos.
—Eu...- Olhou para cima, vendo seus olhos lhe encarando e percebeu algo, ele era exatamente como seu pai, estava tentando colocar para baixo e ficar em modo de defesa. Sentiu o seu coração bater forte, medo automaticamente virou raiva, como ele ousava falar assim com ela, a influência dele não chegava aos pés dela, levantou o rosto olhando nos olhos deles. Não permitiria ninguém falar assim com ela nunca mais, sorriu para ele demonstrando olhar mais desafiador. — Eu acho que o senhor pode estar enganado, pois minha família cresceu com venda de vinho e nunca ouvimos sequer falar sobre você, posso imaginar o engando cometido por sua parte, achando que sua influência é importante nos negócios de vinho- Colocou a mão na boca soltando uma risadinha, nem os Klasen onde os negócios eram voltados para venda de vinho devia conhecer esse homem. – Além do mais a minha chegada na cidade é recente, tenha certeza de provar os meus vinhos quando estiverem em todas as vitrines.
Podia ver as veias da cabeça pulsarem de raiva, franziu o cenho demonstrando toda sua raiva. Segurou a risada por ver alguém mudar de cor tão rapidamente para vermelho, enquanto o nobre na sua frente segurava para não cuspir insultos. Sentiu a presença de alguém chegando por trás, virou-se para observa um jovem nobre com um terno militar com as cores verde e branco carregando uma taça de vinho, cabelos curtos castanho, olhos negros um típico militar, caminhando confiando e parando bem ao seu lado.
—Algum problema aqui? – A sua voz aveludada e doce, criando um contraste com a aparência de militar. Ficou furiosa percebendo o jeito da sua aproximação, estava achando que ela estava em perigo e vem ao resgate da princesa, quando abriu a boca para insulta-lo de forma indireta, calou-se e respirou fundo. Estava ali para caçar, viu sua primeira presa se aproximar, não iria perder essa oportunidade por nada.
—Senhor Ronnin fala sobre os vinhos da minha família serem desconhecidos- Olhou para baixo triste. – Chegamos recentemente na cidade e não temos aliados, esperava alguma ajuda de um bom entender de vinho, mas parece que não era a intenção dele.
—É mesmo? — Ele deu um passo para frente ficando cara a cara com Ronnin, o nobre encarava ela ficou ainda mais furioso- Devíamos demonstrar mais respeito para os convidados.
—Ela me insulta na minha cara e você a defender- Retirou um dos braços das costas com punhos cerrados.
—Acredito que temos o direito de defender a honra de nossa casa quando estamos sendo atacados- Se virou ficando ao lado de Natasha- Tente ser menos hostil da próxima vez, capaz de arrumar alguma companheira- Estendeu o braço para que Natasha segurasse- Me permite.
—Mas é claro- O jovem guerreiro havia conseguido salvar a princesa, pensou Natasha agora só precisava colocar todo o treinamento em pratica.
Os dois caminharam um pouco pela festa, indo até a mesa do jovem nobre, O qual estava sozinho também ao lado da cadeira vazia podia ver um mordomo velho igualmente a Rolf. Chegando a sua mesa, jovem puxou uma cadeira antes do mordomo, oferecendo o lugar, sentou-se alegremente agradecendo com um sorriso. Seu mordomo puxou cadeira colocando mais próximo de Natasha, sem parecer muito ousado, ele havia entendido a situação que o seu jovem nobre tinha conseguido uma acompanhante.
—Eu não cheguei a me apresentar devidamente- Colocou a mão no peito se inclinando um pouco para frente- Me chamo Robert Tay, herdeiro da casa Tay filho de Afonso Tay.
—Me chamo Talita Wine herdeira da casa Wine filha de Talis Wine- Fechou os olhos enquanto sorria, abrindo lentamente.
—Um honra conhecer uma dama tão bela quanto você Talita- Pegou sua mão e beijou- Acredito a situação a qual está se compare a minha, nossos pais estão ocupados de mais para festas.
—Aposto que sim, estou de mudança para essa cidade então meu pai trabalha até a noite.
—Mudança é? Isso realmente demanda um certo esforço, ter de transporta toda mercadoria para novo local – Se apoiou na mesa enquanto olhava para rosto de Natasha, notou que ele admirava sem perde um segundo- Meu pai só não gosta desses tipos de locais, cresceu em meio de batalha e campo de guerra.
—Campo de guerra- Colocou a mão na boca fingindo surpresa- Deve ter sido difícil para ele conseguir crescer nesse meio, um homem valente.
—Muito valente- Estufou o peito orgulhoso- Com sua visão sabia, percebeu que o sucesso está na venda de armas, então começou a vender todo tipo de armas que achava e negociava.
—Suspeitei sobre o negócios da sua família fossem de armamento, seu uniforme meio que entrega- Riu junto com Robert- Quais tipo de arma seu pai negocia?
—Ele não se limita a nem um tipo, espadas, machados, lanças, arcos e principalmente equipamento para cerco. São da melhor qualidade possível.
—Vendem para outros nobres?
—Não quero me gabar, mas vendemos diretamente para o Lorde Klasen- Abriu um sorriso humilde, porem mentiroso. Sabia exatamente que seu pai não comprava armas de nem um nobre e sim fabricava. – Ultimamente estamos entrando em negócio com uma companhia de mercenários, porem meu pai não me disse nada sobre eles.
—Vender diretamente para o Lorde! — Ficou espantada, olhando para o seu rosto com admiração, deixando com vergonha.
Estava mais surpresa em ver a sua atuação funcionar perfeitamente, notava também que ela já estava atraída por ela, mesmo tendo conhecido rápido demais. O resto da noite havia sido apenas conversa com Robert escutando sobre os negócios da sua família, e ver a falsa humildade cujo tentava passar, mas não se segurava na hora de se gabar, conversando com ele notou como a nobreza realmente gostava de sempre se sobre sair de alguma forma. Seus anos de festa do seu pai e reuniões recebendo visitas, tinha deixado esse detalhe passar, olhando para o passado viu que todos eram iguais.
—--
A carruagem balançava ao passar pela estrada de pedra, usando um caminho menos suspeito e movimentado, tinham de evitar as principais ruas por terem saído junto com todos os nobres, assim não encontrariam ninguém. De braços cruzados olhando para a noite a fora, pensando na festa que havia sido simples porem divertida. Atuação se provou ser um trabalho o qual gostou muito, aplicar ele em um ambiente hostil, deixava tudo mais emocionante o ruim daquilo era não pode cometer nem um erro, cada detalhe deixado para trás poderia se torna mortal no futuro, por algum motivo isso era divertido. Desfez as tranças nos cabelos, saindo da personagem respirando fundo, deixando os braços cair encima do estofado, o cansaço consumiu seu corpo lembrando a subida cujo teria de subir para o quarto.
Um forte barulho encima da carruagem assustou, pulando da cadeira. Com o coração acelerado abriu a janela olhando para o teto vendo absolutamente nada. Congelou quando escutou a porta da carruagem abrir, virando em desespero olhou para a figura sentada com os pés para cima do banco. Colocando a mão na testa decepcionada ao perceber Sebas comendo uma maça, na outra mão empunhava uma adaga.
—Se me permiti entrar princesa- Inclinou a cabeça para frente, imitando uma reverencia.
—Idiota! Como você faz essa barulheira toda! — Cruzou os braços com raiva, desviando olhar- Quase morri do coração.
—Uma jovem princesa não estar suscetível a um ataque do coração- Mordeu a maça, depois abriu a janela jogando ela fora- Eu posso estar velho a ponto de ter um, então não me assuste.
—Você que me assustou! O que passa pela sua cabeça cair encima da carruagem assim? — Queria socar a sua cara, escolheu manter sua postura, respirando fundo.
—Eu escorreguei, não me julgue- Balançou as mãos- Isso não vem ao caso, me fala sobre a festa, não vomitou em ninguém?
—Cale a boca, eu me sai bem, pode pergunta para o Rolf mais tarde- Se recostou no acolchoado do assento da carruagem, lembrando da festa- Consegui me aproximar de um nobre Robert Tay.
—De primeira? – Sentou-se direito, se inclinando para frente pegando um papel em seu bolso- Realmente fosse bem, eu lembro desse nome, marquei ele como importante- Desdobrou passando o olho por alguns segundos para apontar do nada alegremente- Aqui está, era um dos seis nobres que possivelmente se aproximariam.
—Você já sabia que algum deles iria se aproximar?- Olhou surpresa para Sebas concentrado na sua leitura- Porque não me disse no treinamento?
—Porque fazia parte do treinamento- Olhou em seus olhos sério- Dizer esses nomes podia causar algum tipo de interferência, fazendo você procurar por eles na festa, ignorando todos os outros.
—Entendo- Queria contestar, mas ele tinha razão não conseguiria atuar por causa da preocupação de achar seus alvos.
—Esse nobre, é interessante- Viu Sebas abrir um largo sorriso- Segunda temos aula, vamos deixar treinamento de lado e formular um plano.
—Ah!- Se lembrou da promessa de levar Silicia para as aulas- Eu tenho que levar minha empregada.
—Mas por que?- Reclinou para trás olhando estranho para ela- Isso pode ser perigoso
—Não acho! Ela que está no meu quarto vazio impedindo todos de entrarem- Franziu o cenho irritada- Vou levar ela, quero que ela faça parte disso também.
—Tudo bem, não precisa me morder- Levantou os braços como se tivesse sendo rendido- Pode levar, temos vagas sobrando mesmo.
—Ainda bem!- Cruzou os braços e virou o rosto novamente.
—Inclusive chegou minha parada- Colocou capuz do manto que cobria o corpo- Até mais princesa.
A carruagem não parou, ele apenas abriu a porta e se jogou para fora fazendo uma enorme ventania entrar dentro do local deixando seus cabelos desarrumados, com raiva teve que correr para fechar a porta. Suas atitudes irritavam em um nível nunca antes visto, em contra partida estava feliz por ter deixado levar sua amiga, ter ela por perto nos treinamentos deixaria mais à vontade, além de ser uma aliada dentro e fora de casa. Só restava aproveitar a viagem olhando para o céu estrelado pela janela de vidro, enquanto a tortura da escalada até seu quarto não chegava.
Fale com o autor