Moeda de Troca

20 A reunião de Poseidon


Notas iniciais
Olá, pessoal! Sei que ando sumida, mas tem sido muito trabalho e cuidados com a minha saúde mental nos últimos tempos. Espero que gostem do capítulo. Boa leitura!

Já estava na hora marcada e Poseidon esperava ansiosamente o reencontro com Athena e Hades em sua reunião. Na última vez em que os três estiveram juntos, com Zeus como mediador, o clima não foi dos melhores. Na verdade, o deus dos mares e oceanos não fazia ideia se o teor da conversa mudaria diante da rixa entre os dois. Mas, ele sabia que não poderia se esquecer de que o foco é o planeta Terra. De que parte dos seus esforços com Athena não estavam sendo efetivos a longo prazo. Boa parte dos humanos entendeu as “bênçãos dos céus” de maneira errada e tudo virou um recomeço para a destruição.

A Fortaleza Submarina receberá duas pessoas de confiança de cada divindade. Poseidon estava sentado à mesa com Sorento de Sirene e Isaak de Kraken, que foi seu ajudante em sua missão conjunta com Camus e Hyoga anos atrás. Não demorou para Athena (Saori) chegar junto de seus cavaleiros de ouro Shaka de Virgem e Camus de Aquário que logo se acomodaram ao lado direito da mesa retangular. Eles se cumprimentaram e antes que pudessem dizer que estavam sentindo a falta de Hades e sua pequena comitiva, eles chegaram causando um misto de espanto e indignação por parte dos cavaleiros de Athena que olhavam para os três com hostilidade. Hades, Minos de Griffon e Shun, que não conseguia encarar ainda seus antigos irmãos de armas, sentaram-se à esquerda da mesa. O silêncio precisava ser quebrado, mas o clima de tensão era enorme. Poseidon respirou fundo e começou a falar com a naturalidade de um anfitrião:

— Boa tarde a todos. Fico satisfeito em vê-los aqui na reunião que os convoquei. Acho que podemos dispensar as apresentações, pois todos aqui já se conhecem e …

— Perdão por interrompê-lo, meu irmão, mas precisamos sim dar as devidas apresentações — disse Hades — Bom, vocês já podem conhecer quem eu trouxe comigo, Minos de Griffon, um dos meus juízes no Submundo e Shun que…

— Você o tomou de mim para me trair, Hades?! — perguntou Saori inconformada — E quanto a você, Shun, como pode sentar-se ao lado do seu algoz?

— Aaah — suspirou o deus dos mortos, já esperava esse tipo de reação de Athena e via como Shun estava de cabeça abaixada ouvindo tudo — Eu não queria, mas sei que devo uma explicação.

— É melhor que prossiga, meu irmão, pelo bem do nosso acordo de paz.

— Eu não peguei o seu cavaleiro como prisioneiro, como imaginava. Até eu cheguei a cogitar a ideia até ver o potencial que seria desperdiçado do rapaz. Então cumpri com a promessa que fiz de tratar de sua saúde e até de sua educação. Ele não é um novo espectro, como vocês podem imaginar, mas de alguma forma faz parte do meu império. Shun cuidará da parte diplomática e fará parte das mediações entre meus interesses e a Terra — depois de ver o olhar de desdém de Camus, Hades continuou — Sei que apesar de ser tão jovem, ele é qualificado para tal cargo de confiança. Agora, por favor, prossiga Poseidon.

— Certo. Eu os chamei aqui para falarmos da situação do planeta. Apesar das campanhas que fizemos como Julian Solo e Saori Kido pró-verde, em favor do meio ambiente, muitas empresas viram o nosso “pequeno milagre” como uma oportunidade para explorar ainda mais os recursos existentes da Terra, sem falar dos altos níveis de poluição das águas nos últimos anos.

— Eu também percebi isso — disse Saori tentando acalmar seus próprios nervos — A curvatura do período em que estávamos realizando cuidados intensivos com o planeta teve impacto positivo apenas em um período de dezoito meses e depois voltou para a bagunça que era antes.

— Apenas milagres não mudam a natureza gananciosa de um certo grupo de humanos, os mais poderosos — ponderou Hades — Tive a infelicidade de julgar algumas dessas almas, eles simplesmente se aproveitaram da nova situação do planeta para fazerem o que fazem de pior, destruir.

— Precisamos de uma mudança de estratégia. Deixar como está afetará as formas de vida em um prazo mais acelerado do que caminhava antes da intervenção — se pronunciou Shun pela primeira vez — Além de acompanhar os noticiários globais, os cenários geopolíticos, por mais que alguns países se reúnam periodicamente ao longo dos anos para discutir o que fazer, pouco é feito.

— Há muitos governos instáveis e outros que estão mais preocupados em realizar guerras e tomadas de território do que se preocupar genuinamente com o bem estar das pessoas e do meio ambiente — complementou Sorento.

— E qual seria a sua sugestão, Shun? — perguntou Shaka com certo desdém.

— Eu ainda não tenho uma solução. Não há uma fórmula mágica para resolver isso. No entanto, é possível pensar em vários cenários diferentes e eu acredito que o senhor já deve ter meditado sobre eles — Shaka não esperava pela invertida que levou do virginiano mais jovem — Nenhum apresenta uma resposta conclusiva. Podemos tentar um movimento natural que alcance de fato a população mundial. Vi os últimos discursos dos senhores e de fato são bons, mas não atingem a massa e não convence de verdade os grandes empresários que “implantaram” algumas políticas em suas empresas, mas algumas já foram desmascaradas pelas mídias e com ajuda de denúncias de funcionários e ex-funcionários realizadas anonimamente.

— Então precisamos ser mais incisivos? — perguntou Camus.

— Sim e não. Caso pensem em se mostrarem como deuses, algo catastrófico pode ocorrer.

— Também pensei sobre isso — disse Hades — Os humanos podem nos culpar pelo próprio egoísmo.

— Mas, não podemos esquecer da destruição causada por nós deuses — disse Athena ainda com raiva — As últimas guerras santas trouxeram muita destruição.

— Confesso que tenho em parte culpa pelas inundações, mas você lembra bem do contexto — disse Poseidon.

— Os efeitos do Grande Eclipse duraram pouco comparado com o Submundo e os Elíseos que precisamos reconstruir — disse Minos — O mundo humano mal foi afetado.

— Precisamos correr atrás de aliados e agirmos menos pelas sombras — disse Isaak — É só vermos quem realmente se importa que está em posição de poder.

— Além de fazer uma comunicação que possa ser de fácil e longo alcance para os civis. Sabemos da dimensão de desigualdade que há dentro de um país pequeno, quiçá o mundo inteiro — falava Shun — Não é um projeto de curto prazo que irá resolver todas as mazelas do mundo, infelizmente, tudo terá que ser gradual e precisaremos de mais reuniões como essa.

— Retirando a parte da hostilidade — disse Hades em um tom sarcástico — Meu representante diplomático poderá ser contatado para futuras reuniões — ele estava orgulhoso do desempenho de Shun — Podemos dar por encerrada essa reunião?

— Certamente — concordou o anfitrião — Para as demais conversas fora do eixo desse problema, fique à vontade para fazê-lo fora de meu território.

— Ok. Faremos isso — disse Saori — Hades, me permite ter alguns minutos a sós com seu representante e meu ex-cavaleiro?

Hades olhou para Shun antes para checar se ele estava bem para isso e quando ele assentiu, o Imperador do Submundo permitiu.

— Permito, mas com algumas condições: Território neutro, sem ataques pessoais ou físicos e Minos estará de longe vigiando a situação.

— Então posso permitir que um dos meus cavaleiros de ouro me acompanhe também?

— Dentro dessas condições, não vejo problemas — depois sussurrou para Shun — “Você vai ficar bem. Não deixe que entrem na sua cabeça. Você sabe da verdade e trabalhe apenas com ela. Minos o levará de volta se notar que algo pode romper com nosso acordo de paz”.

— Ok — disse sem vacilar, estava mentalmente preparado para ter uma conversa com Saori, isso havia sido o motivo de sua insônia na noite anterior, mas faria como Hades o instruiu, falar somente a verdade, mesmo que aquilo terminasse de destruir sua imagem com as pessoas que sempre cultivou carinho.

Notas finais
Finalmente vimos Saori e Shun, cara a cara, agora essa conversa entre os dois vai render. Até a próxima! :)