Modern Magic - Interativa
22 Capítulo 22
Notas iniciais
Sean acordou se sentindo parte do recheio de um sanduíche. Lembrava-se claramente de ter adormecido nos braços de Summer e agora estava espremido entre a ruiva e o albino. Não que fosse ao todo ruim, assim ele estava protegido contra o frio que fazia, mas por outro lado, ele mal conseguia se mover. Com algum esforço, o pequeno rastejou para fora do abraço daqueles que ele considerava como seus irmãos mais velhos e subiu as escadas. Precisava ir ao banheiro.
Para sua surpresa, ainda haviam três pessoas na sala. A loira estava deitada no sofá, o homem de cabelos brancos sentado à mesa digitando algo num computador e a morena estava esparramada no tapete lendo algumas revistas.
– Olha isso Fleur. – Maya disse rindo enquanto mostrava uma página com uma modelo excessivamente magra. – Eles acham isso bonito.
– Nossa, deve ser por isso que uma das minhas vizinhas me deu os parabéns pelo filho. – ela disse rindo tanto que caiu do sofá em cima da amiga.
– Não era pra menos, você tá gorda loirinha. – Maya falou enquanto a amiga ria e saia de cima dela.
– Gorda nada. Você que é a baleia aqui. – ela retrucou.
– Ah, é assim? – perguntou Maya sentando-se. – Projeto de macaco albino.
– Olha só quem fala sua vaca leiteira.
As duas gargalhavam e caso Sean não houvesse entrado no recinto, a “troca de afeto” baixaria cada vez mais o nível.
– Onde fica o banheiro tia? – o menino perguntou sonolento à morena.
– Venha querido, eu te levo até lá. – ela disse pegando o ruivo pela mão. Antes de entrar no corredor ela soltou um olhar para Fleur, que ela interpretou como: “Isso ainda não acabou, tem volta.”.
O silêncio reinava na sala de estar, o que de certa maneira agradava Vergil. Desde que os outros haviam chego, ele são tinha conseguido nenhum minuto de silêncio ou sossego. Aquilo estava bom demais para ser verdade. Quando um portal surgiu no meio do cômodo, o coronel decidiu tomar mais cuidado no que achava. Os primeiros a passar foram Charlie e Kris, que com muita dificuldade carregavam um rapaz ensanguentado cujas pernas arrastavam no piso. De onde estava, ele pôde ver o desespero assumir o rosto de Fleur quando ela percebeu que se tratava de Josh. Ela não falava, não se movia e ele podia ser capaz de arriscar que nem respirando estava. Connor atravessou depois, fechando o portal logo em seguida. A loira pareceu despertar depois disso. Girando sobre os calcanhares, ela disparou para a cozinha e sumiu de vista.
– O que houve? – Vergil perguntou num tom que era bem mais amigável do que as pessoas estavam acostumadas a esperar vindo dele.
– A-a... – Kris gaguejou. Ela parecia estar em choque já que mal conseguia articular uma palavra direito.
– A base foi destruída. – falou Connor.
– Pera ai, o quê? – perguntou Maya que acabara de chegar acompanhada de Sean.
– Fomos atacados. Aparentemente, o Jaco estava sendo controlado por alguém. Provavelmente relacionado àquele maldito governo. – Charlie falou. Ele parecia abalado, porém em condições ligeiramente melhores que Kris. – O Josh foi idiota o suficiente para tentar nos proteger sem usar magia.
– E-eu... – ofegou Josh. Ele parecia estar sentindo muita dor.
– Cala a boca seu retardado. – ralhou Maya. – Só vai piorar as coisas.
– O que a gente faz agora? – perguntou a garota de cabelos castanhos com uma voz que mais parecia um sussurro.
– Não podemos leva-lo a um hospital. – Vergil falou.
– Claro que podemos! – reclamou Maya. – Ele está perdendo sangue e eu não quero nem arriscar quantos ossos ele quebrou, além de poder estar com uma hemorragia interna ou sei lá o quê!
– O coronel está certo. Ele é um procurado internacional, além do fato de que teríamos de explicar o que aconteceu ao chegar lá. Se mentíssemos ninguém acreditaria e se falássemos a verdade provavelmente iríamos presos. – Connor observou.
– Merda! O que a gente faz agora? – perguntou a morena.
O silêncio, pela segunda vez reinou naquela madrugada. Longos momentos se passaram até que eles ouviram o som de algo se quebrando vindo da cozinha. Vergil, que estava mais perto, foi até lá. Ele escondeu a surpresa da melhor maneira que pôde. Sua não tão querida colega de missão estava parada no meio do cômodo tremendo tanto que ele achou que ela fosse se desfazer. Perto de seus pés descalços, havia os restos do que um dia fora um copo de vidro. Ela cambaleou pisando nos cacos sem sequer dar atenção e foi desajeitadamente até o primeiro apoio que encontrou.
Nos cinco anos desde que ele a conhecera, nunca a havia visto daquela maneira. Ela parecia completamente perdida e desamparada, e pela segunda vez em sua vida ele teve um lampejo da verdadeira pessoa que se escondia dentro de Fleur Belladonna.
– O quê raios está acontecendo aqui? – perguntou Maya entrando abruptamente na cozinha. Toda sua irritação se desfez ao ver o estado em que sua amiga se encontrava. Foram poucas as vezes que ela a havia visto tão abalada.
*
Adam recostava a cabeça na janela do trem, sem conseguir pegar no sono. Ele mal conseguia acreditar no que estava acontecendo. Num segundo, tudo estava indo às mil maravilhas e no outro tudo virou de ponta cabeça. A garota de cabelos verdes estava sentada ao seu lado totalmente quieta. Provavelmente havia dormido. Ele tivera uma breve conversa com ela, mas era difícil manter um diálogo se você considerasse que ela aparentemente não gostava muito dessa atividade. A cada pergunta que ela o respondia, ele sentia vontade de fazer outras duas. Ao menos, descobrira o nome dela. Eilis. Mesmo que ela não tenha dito abertamente, Adam percebera que ela era uma maga. Ela sabia coisas demais, coisas que ele nunca havia dito a ninguém, coisas que nenhuma pessoa normal teria condições de descobrir. Sua mente voltou à realidade quando ele ouviu um gemido de dor esganiçado vindo de seu lado. Ao virar-se, ele viu a pálida garota tampando os ouvidos com força. Lágrimas caiam livremente por suas bochechas.
– N-não... – ela falava num quase sussurro. – Por que... Por que tudo está... – ela levou a mão à pequena bolsinha pendurada em seu cinto e tirou um medicamento. O ruivo rapidamente apanhou uma garrafa de água de dentro da mochila que levava consigo e entregou nas mãos dela. Tremulamente ela levou o comprimido à boca e tomou um gole d ‘agua. Pouco tempo depois Adam pode ouvir a respiração dela pesando. Ela adormecera novamente.
*
– Por favor, me diz que isso é só mais um pesadelo. – Fleur implorou com o rosto enterrado no ombro de sua melhor amiga. Ela estava se controlando desesperadamente para não chorar.
– Eu queria poder dizer isso... – a morena respondeu.
– Eu não posso perder o Josh, não posso! – ela falou se rendendo às lágrimas. – Não posso perder meu irmão Maya, eu não vou conseguir viver comigo mesma se isso acontecer. Por favor, me ajuda. – ela suplicou.
– Irmão? – perguntou Sean. – Aquele moço machucado é seu irmão?
– Sean, eu acho melhor você...
– Sim, ele é meu irmão. Não de sangue, mas ele é a única família que eu tenho. – ela falou levantando a cabeça apenas o suficiente para olhar para o garoto. Ele viu os lindos olhos azuis dela tomados pelo vermelho de quem não consegue conter o choro, e sentiu-se triste também.
– Ele não vai morrer. – ele falou decididamente. – Eu não vou deixar seu irmão morrer, não vou! – ele correu para sala, onde Kris e Charlie ainda seguravam o corpo debilitado de Josh. – Deitem ele em algum lugar, por favor! – ele pediu energicamente. A princípio, os maiores não entenderam, mas ao verem a determinação no olhar do menino, obedeceram deitando-o no sofá. O pequeno ruivo aproximou-se do rapaz de cabelos verdes e estendeu suas mãos com as palmas abertas em sua direção. Um brilho azulado irradiou delas.
– Por favor... Por favor... – ele pediu com lágrimas nos olhos. – Fique bem...
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