Modern Magic - Interativa
18 Capítulo 18
Notas iniciais
Os corredores da escola eram sempre bagunçados, lotados de alunos. Se misturar não era uma tarefa muito difícil, e era fácil ouvir as conversas alheias. O maior problema era que eram em sua maior parte, fofocas inúteis. Adam não precisou se esticar muito para encontrar Yumiko em meio à multidão. Aquele lugar ficava abarrotado de gente quando acabava o horário de aulas, de modo que era quase impossível transitar. Protegendo-a da multidão, ele a guiou para fora. Ele descobrira que ela não se sentia muito bem em locais com muitas pessoas e principalmente em lugares muito urbanizados, por isso mantinham um canteiro de flores no apartamento que dividiam na cidade. Ela podia ser mais velha que o ruivo, mas era ele que tomava conta dela.
– O que tem para comer em casa? – perguntou Adam.
– Sobras da pizza de ontem e alguns tacos. – Yumiko respondeu.
– O suficiente para sobreviver. – ele deu ombros.
Enquanto andavam até seu apartamento, Adam observava a cidade. Embora estivessem ali a aproximadamente um mês, ele ainda ficava embasbacado com a grandiosidade do lugar, e olha que a cidade não era tão grande.
– Você ouviu que a D.E.C. encontrou o esconderijo dos mutantes? – ele escutou uma mulher falando para uma amiga.
– Claro. Igual às outras cinco vezes que eles encontraram? – a outra perguntou cética.
Adam não pôde ouvir o resto da conversa, mas viu que a pequena maga da natureza ficara preocupada.
– Ei, calma. – ele disse abraçando-a pelos ombros. – É quase impossível encontrar aquele lugar, elas estão seguras. E mesmo que não estivessem elas sabem se defender.
A garota pareceu se acalmar um pouco, mas Adam continuou abraçando-a até que chegassem ao seu destino.
*
– Tem alguma coisa para beber nessa casa? – perguntou Di assim que pôs os pés no apartamento de Maya e Amaya.
– Nós não...
– No armário da cozinha, segunda porta. – cortou Maya. A mais nova olhou feio para ela. – Você não bebe já eu...
– Mas...
– Eu tenho dezoito minha cara colega, — ele disse abrindo uma garrafa. – completei ontem.
Acabou que no final das contas Amaya, Risuka e Myra sentaram-se no sofá e foram assistir alguma coisa enquanto Maya e Di competiam para ver quem conseguia beber uma garrafa de vinho primeiro sem apagar.
– Eu não vou perder. – Di falou com a voz embolada. Ele já estava bêbado o suficiente para não conseguir nem ficar de pé sozinho.
– Cala a boca Brachmann, você mais parece uma mocinha bebendo. – Maya falou rindo. Apesar de falar isso, estava tão sobrea quanto ele, o que não era muito.
– Legal, viramos babás de dois bêbados. – reclamou Risuka.
– Só se forem vocês, eu mesma não me candidato. – Myra falou.
– Eu estou fora. – Risuka disse.
– Esqueçam esses dois e voltem a assistir o filme. – reclamou Amaya. O filme teria prosseguido se um albino muito bêbado de camisa branca e molhada não tivesse entrado na frente. A trilha sonora tocava uma música antiga, se a memória não a traísse, o nome da música era Poker Face. A situação era no mínimo trágica, porém desesperadamente engraçada. Ele tentava fazer movimentos que em algum lugar de sua mente entorpecida pelo álcool deveriam ser sensuais, mas na realidade mais pareciam um macaco perneta tentando fazer uma dança do acasalamento.
Maya parecia ainda possuir um pouco de bom senso, pois fez o favor de arrastá-lo para um quarto enquanto as garotas se recuperavam da crise de riso que tiveram quando ele começara a dançar. Ela o jogou contra a parede do quarto e imprensou-o. Os seios roçando na camisa molhada dele.
– Eu já falei que você é muito gatinho Brachmann? – ela perguntou sedutora.
– Eu já falei que você é gostosa, Falker?
– Não. – ela respondeu, comprimindo-o mais ainda contra a parede.
– Então estamos quites. – ele disse travesso encostando os lábios nos dela suavemente. Ela porém parecia querer mais. Com a mão na nuca dele, puxou-o mais ainda contra si, aprofundando o beijo. Ela parecia estar faminta, pois explorava cada canto da boca dele como se fosse a última coisa que faria na vida. Logo, suas mãos curiosas entraram em ação, descendo dos fios negros dela por suas costas até chegar um pouco antes das coxas, apalpando e apertando aquela região tão firme.
Quando o ar finalmente lhe faltou, Maya separou seus lábios e teve uma agradável surpresa. O albino tomara atitude e a segurar pelos pulsos, jogando-a numa cama que estava pedindo para ser usada.
A última coisa que Risuka ouviu antes de apagar completamente, foram barulhos muito suspeitos vindo do cômodo ao lado.
No dia seguinte, Amaya acordou com uma baita dor nas costas. Ela adormecera no sofá junto com suas amigas, o que não dera muito certo já que Myra dormia no chão e Risuka dominava o espaço do móvel quase a empurrando para fora. Levantando-se com cuidado para não acordar uma nem pisar na outra, ela andou pelo espaço preenchido pelo som das respirações de quatro corpos adormecidos em busca dos outros dois magos. E qual não foi a sua surpresa ao encontra-los. Maya estava minimamente vestida, deitada em cima do albino, cuja calça estava abaixada até o meio das coxas. Algo muito estranho tinha acontecido enquanto elas dormiam.
*
O dia estava insuportavelmente quente, tanto que Fleur saíra de sua casa, onde costumava vegetar na cama para utilizar a piscina que ficava no quintal. Ela nunca pensou que aquilo seria tão útil. Imersa na água, ela relaxara quase que completamente. Passava minutos a fio sem subir para tomar fôlego, de modo que chegava a ser até preocupante. Ali ela esquecia de suas preocupações e fardos, por breves momentos, ela não era Belladonna, Dubois ou Carter. Era apenas Fleur. Foi uma pena ter sido tirada desse momento tão perfeito pelo seu “marido”.
– O almoço está pronto. – ele chamou da borda da piscina.
– Chego num minuto, querido. – ela respondeu com doçura. Ali do lado de fora, os vizinhos podiam escuta-los, e precisavam ser convincentes.
– Rápido princesa, se não esfria. – ele disse da maneira mais afetuosa que pôde, estendendo-lhe um roupão.
Ela ainda não conseguia acreditar no quão rápido ele aprendera a atuar. Apesar de ver que para Vergil isso não era tão natural quanto para ela, ele se saia muito bem para um iniciante. No geral, ele só não era bom nas demonstrações de afeto públicas. No começo eles tiveram muitos problemas, tanto que demoraram duas semanas para convencer o Frank de que eram um casal.
Subiu as escadas da piscina rapidamente e fez sinal para que Vergil vestisse a peça nela. Embora meio receoso, ele o fez. Quando ia se afastar, recebeu um olhar mortal discreto da loira, e infelizmente, entendeu o que ela queria que ele fizesse. Posicionado atrás dela, colocou uma das mechas de seu longo cabelo platinado atrás de sua orelha e abraçou-a colocando as mãos em sua cintura enquanto depositava um beijo suave em uma das partes expostas de seu pescoço.
“Eu tenho de esterilizar minha boca antes de dormir esta noite.” Ele pensou enquanto ela ria internamente. A visível tortura dele era a melhor comédia a qual ela já tinha assistido.
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