Modern Magic - Interativa
21 Capítulo 21
Notas iniciais
– Charlie, você é meu amigo? – perguntou Jin.
– Claro que sou, por que a pergunta? – o moreno respondeu confuso.
– Guardaria um segredo?
*
– Admita Brachmann, estamos perdidos. – Risuka falou
– De novo, você quer dizer. – acrescentou Myra.
– Pra onde estamos indo mesmo? – perguntou Sean.
– Para casa de uma amiga nossa. – Di respondeu. – E eu não estou perdido. Tenho certeza que estamos indo no caminho certo.
– Certo, fingirei que acredito. – Risuka falou revirando os olhos.
Sean tomou o papel com o endereço das mãos do albino e correu mais a frente do grupo. Na calçada, vinha uma adolescente baixinha que comia batatas fritas enquanto ouvia música. Ele puxou a camisa dela e fez a sua melhor cara de criança fofa.
– Você sabe me dizer como chegar nesse endereço? – ele perguntou para ela.
– Ah, sei sim. É só continuar descendo essa rua mesmo. – a garota respondeu. – Quer? – ela ofereceu batatas para ele.
– Não, obrigado. – ele disse educadamente.
– Certo. – ela disse sem dar muita atenção.
Alguns minutos depois, eles chegaram à casa alugada de Vergil e Fleur, onde se podia notar uma algazarra sem tamanho.
– Pula logo! – gritava Maya. – Vai amarelar?
– Só nos seus sonhos Maya. – eles ouviram Fleur retrucar de algum lugar alto. Olharam para cima e viram o enorme trampolim que se erguia a pelo menos uns sete metros de altura. A loira correu majestosamente e fez um salto para poucos, entrando na água sem praticamente espirrar água.
– Isso foi lindo. – Summer falou.
– Tenho que dar o braço a torcer, foi mesmo. – Risuka falou.
– Foi? – o albino perguntou maliciosamente. – Então por que não tenta?
Antes que ela pudesse sequer responder, ele a segurou e jogou-a por cima da baixa cerca branca que os separava da piscina, fazendo com que ela caísse na água, para o espanto das garotas que lá estavam.
– Eu poderia fazer alguma coisa, — Myra falou. – mas ela vai se encarregar de te matar mesmo. – ela deu ombros.
Ele simplesmente ignorou e pegou Sean nos braços, jogando-o na piscina exatamente como fizera com Risuka. Depois, foi a vez de Summer, que inocentemente ainda tentou fugir. Não deu muito certo, considerando que ela também acabou na água.
– Não se atreva. – Myra falou ao ver o olhar do rapaz.
– Ao quê? – ele perguntou inocentemente.
– Você é um homem morto.
– Duvido. – ele falou antes de arremessar a última garota na água. Depois, ele mesmo correu e pulou a cerca caindo diretamente na água.
– Que palhaçada é essa Brachmann? – Fleur perguntou.
– Nossa nenhum “Olá” ou “Senti sua falta”? – ele falou zombeteiro.
– Poderia, se você tivesse feito uma entrada mais suave. – ela falou.
Ele se preparava para falar algo quando puxaram seus pés para baixo. A piscina era bem profunda, própria para saltos realizados de grandes alturas. Ele não precisava ser um gênio para saber quem estava tentando afoga-lo. Era óbvio que Risuka e Myra queriam vingança.
*
– Hm... O que temos aqui? – perguntou Jin a si mesmo.
– Mas... O que... – perguntou Kris boquiaberta.
– Digamos que o Jin tenha um pequeno... Problema de personalidade. – Charlie respondeu.
*
– Charlie, alguma vez você já me viu lutar? – Jin perguntou.
– Agora que você falou, não. – o moreno respondeu.
– Isso é por que eu tenho alguns problemas com relação a minha “forma de combate”.
– “Forma de combate”?
– Sim. Tudo começou há alguns anos, quando minhas asas começaram a nascer e eu me descobri um anjo. Na época, eu só tinha cinco anos e não fazia ideia do que estava acontecendo, mas quando me dei por mim, já havia sido enxotado de minha casa. Tudo parecia perdido para mim, até que um dia, um homem com um sobretudo veio falar comigo. A princípio, fiquei com medo, mas quando ele tirou a peça eu tive uma das surpresas mais agradáveis da minha vida: Descobri que não estava sozinho. Então ele me convidou para entrar na guilda dele, uma guilda formada apenas de pessoas como nós. Durante muito tempo, tudo correu bem, até que alguns membros começaram a interpretar mal as coisas que eu dizia e quase ocorreu um motim. Quase. Eu descobri que conseguia influenciar as pessoas com a minha voz, e que deveria tomar muito cuidado com o que digo.
*
– Primeiro o panaca do Mockingbird, depois aquela vadia. Quem vai ser o próximo? – perguntou Jaco com uma risada tenebrosa. Ele ainda estava bem machucado, mas mesmo assim, continuava com uma postura arrogante.
– Hm... O que temos aqui? – Jin perguntou a si mesmo. – Parece que a minha versão idiota gostava muito daquela garota para perder a cabeça desse jeito. Isso aconteceu antes, mas mesmo assim... – ele riu sadicamente. – É raro.
– Mas o que... – Kris falou.
– Sugiro que fique calada senhorita Hafno. – Jaco falou. – Depois que eu acabar com esse aqui, você vai ser a próxima. Fará companhia para aquela ruiva num cabaré de quinta no inferno.
Jin olhava entediado para o moreno, esperando que o atacasse. Não queria fazer o primeiro movimento. Apenas apoiou-se numa espada surgida sabe-se lá de onde e esperou. Não demorou muito até que a primeira rajada de fogo mágico viesse em sua direção. Com um leve movimento, ele usou a arma para cortar o ataque inimigo. Um feroz combate se desenvolvia entre eles, onde nenhum dos observadores tinha ideia de quem sairia vencedor. Tudo parecia terrivelmente equilibrado até antes de Jin começar a rir.
– É só o que você tem? – o rapaz riu sadicamente. Jaco arfava em busca de ar, enquanto Jin não parecia sequer ter suado. – Hora do round dois. – ele disse com um sorrindo de uma maneira tão bela quanto assustadora. Os demais afastaram-se intuitivamente para trás, prevendo os acontecimentos que se seguiriam. Connor rapidamente teleportou-se e trouxe Josh para fora da área de alcance dos ataques que logo se iniciariam. Se não tivesse feito isso, provavelmente nem as cinzas dele teriam sobrado para contar a história.
*
– Então o coronel “não-me-toque” foi domesticado? – perguntou Di caindo na gargalhada. Maya e Amaya estavam contando para ele, Risuka e Myra as recentes descobertas.
– Domesticado é pouco. – riu Maya. – Ele foi adestrado. Até está mais dócil.
– Olha como falam da minha empregada. – Fleur falou falsamente incomodada antes de acompanhar os outros numa gargalhada deliciosa. O fato de poderem ouvir Vergil bufando na cozinha a cada vez que falavam dele não ajudava em nada.
– Di. – Summer chamou tocando no ombro dele. – O Sean dormiu, onde eu o coloco? – ela perguntou com a criança nos braços.
– Olha Brachmann, eu sinto dizer que não temos colchões para todo mundo. Alguém vai acabar tendo que dormir no chão. – Fleur falou dando ombros.
– Sem problemas. – ele disse. – Sun, você e o pirralho dormem no que era para mim e eu fico no chão mesmo. Afinal de contas, fui eu quem trouxe vocês para cá.
– Tudo vai bem quando acaba bem. – Fleur falou. – Os colchões estão dispostos no porão, é só descer a escada.
– Obrigada. – a ruiva falou sonolenta. – E boa noite para vocês.
– Igualmente. – eles responderam.
Assim que ela saiu, Maya foi a primeira a se pronunciar.
– Quando foi que você ficou gentil mesmo? – a morena perguntou com um leve sarcasmo.
– Ora, eu sempre fui um cavalheiro. – ele disse aparentemente ofendido.
– Só se for cavaleiro da armadura de lata meu caro colega alemão. – Amaya falou quase caindo no riso novamente. – Por que do que eu conheço da sua pessoa, essa é a última coisa que você é.
– Velhos hábitos custam a sumir não é senhor Brachmann? – Fleur perguntou tamborilando dos dedos na bochecha.
– Velhos hábitos? – Amaya perguntou.
– Um dia ele foi alguém minimamente decente. Não sabiam? – perguntou Maya. – Ficou desse jeito depois que a loirinha ali deu um pé na bunda dele. – ela falou apontando para Fleur.
– É. Eu me lembro disso. Eu virei um cubo de gelo. – ele falou. – E quando fui procurar a senhorita, dona Fleur, a vossa senhoria já havia ido embora sem previsão de volta.
– Difícil imaginar. – Myra soltou.
– Não mais difícil que te imaginar sendo gentil com alguém. – ele rebateu.
– Eu ainda não te perdoei por ter me jogado na piscina.
– E isso aqui foi o quê? – ele perguntou levantando a camisa para exibir as marcas roxas dos socos dados por Myra.
– Apenas um acerto de contas. – ela deu ombros.
*
Apesar do corpo de Jaco já jazer inerte no chão, Jin continuava a ataca-lo sem piedade. Se Josh estava mal, o moreno estava vinte vezes pior.
– Vamos, vamos! É só isso que você tem? – o rapaz perguntava enquanto atacava o oponente caído.
– Jin, já chega... – Kris falou com lágrimas aos olhos.
– Não, nunca! – ele falou sadicamente. – Nem o inferno é suficiente para pagar o que ele fez.
– Chega. CHEGA! – Charlie gritou. Lágrimas corriam livremente por seu rosto. Ele não aguentava mais. Jin fez menção de se mover, mas sua sombra atravessou seu coração. Lentamente, ele voltou a sua aparência normal. – Desculpe amigo, eu não queria ter que fazer isso. Por que você me fez prometer? Por quê? – ele caiu de joelhos no chão.
– D-desculpem... – Jaco falou. – Me desculpem por isso... Eu não... Não controlava minhas ações... – ele tossiu sangue enquanto a estrutura do prédio tremia. – Eu jamais os trairia... Jamais... – uma lágrima solitária escorreu por sua bochecha esquerda. Essa fora sua primeira e última.
– Desculpas aceitas amigo. – Jin falou. Apesar de a morte bater à sua porta, sua expressão era serena. Ele tinha a mão sobre o coração, o sangue escorrendo por entre os dedos. – Eu espero que... Possa me desculpar... Obrigado Charlie. Obrigado por ser meu amigo, por guardar meu segredo, e mais importante, por... Por cumprir sua promessa. – ele disse com dificuldade. – Adeus, amigos.
*
Jin despertou num lindo jardim. Os pássaros cantavam sobre sua cabeça e alguém acariciava seus cabelos sem pressa. Ao se levantar, olhou para trás e teve a mais agradável surpresa de sua pós-morte. A jovem de cabelos vermelhos sorria para ele, os olhos brilhando e os lábios convidando-o a beijá-la. Não resistiu ao impulso, e foi exatamente isso que fez. Ali, o tempo não os atingiria. Ali, teriam seu felizes para sempre.
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